domingo, 27 de maio de 2018

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA - IMEPAC MEDICINA 2018 (APLICAÇÃO ITUMBIARA)




QUESTÃO 47

“Após alguns meses, a pressão de produtores e intermediários que tiveram reduzidas suas possibilidades de lucro passou a influir no abastecimento da população. A carne, o leite e outros alimentos começaram a escassear. Em junho de 1986, em São Paulo, mais de 20% dos 4,5 mil açougues da cidade fecharam suas portas por falta de carne. Na indústria, a escassez de matéria prima e de preços afetou a produção.”

A situação apresentada pelo texto se refere ao início da redemocratização do Brasil, e pode ser explicada pela:

a) intervenção do governo na economia, ao estabelecer um rígido controle do mercado por meio do congelamento de preços e salários.
b) ação conjunta de governo e empresários produtores com vistas a eliminar a figura do intermediário, responsável pelo aumento dos preços.
c) ausência da população dos mercados consumidores, reflexo do agravamento da inflação que diminuía drasticamente seu poder de compra.
d) insatisfação dos empresários que viram sua lucratividade ser reduzida diante de uma crise econômica originada por um governo corrupto.

Resposta: A

Comentário:

O período de redemocratização do Brasil, iniciado na segunda metade da década de 1980, trouxe ao país a ampliação da crise econômica iniciada na década anterior, e junto dessa crise a recessão econômica e o aumento substancial dos quadros inflacionários da nação. Ao assumir a presidência, José Sarney dá início a uma série de tentativas frustradas de controlar a questão inflacionária e recuperar a economia falida do país.

Dentre as principais ações mal sucedidas do então presidente podem ser destacadas a adoção do “gatilho salarial”, atrelando o aumento do salário mínimo ao aumento da inflação nacional e o congelamento dos preços e dos salários no país. Ora, se a inflação é medida pela relação direta entre preços e salários, ao se congelar ambos o governo apenas limita seu crescimento, porém não a elimina, não tendo essa ação surtido o efeito esperado pela equipe econômica.

QUESTÃO 51

Analise a figura a seguir, que faz referência aos efeitos (1, 2 e 3) causados pela precipitação pluviométrica nas áreas urbanas.



Durante os eventos de precipitação intensa, os efeitos 1, 2 e 3, enumerados nessa figura, não resultam

a) no risco de aquisição de doenças infecciosas transmitidas pelo contato ou ingestão de água contaminada, a exemplo da leptospirose e de enfermidades diarreicas.
b) na formação de enxurradas, que transformam vias urbanas em canais de escoamento preferencial da água, que são capazes de pôr em risco vidas humanas e arrastar veículos.
c) no aumento do volume da água acumulada em sub-superfície, essencial ao abastecimento populacional de cidades dependentes de aquíferos subterrâneos.
d) no extravasamento de canais fluviais que drenam o tecido urbano para além de suas seções, inundando parcela da cidade edificada em planícies.

Resposta: C

Comentário:

A situação demonstrada na imagem, onde se tem um evento de intensa precipitação sobre uma área urbana, acarretando uma série de impactos nessa área e nas suas adjacências. A principal causa para que esse evento se torne impactante é a impermeabilização do solo, que reduz o fluxo vertical da água e aumenta o fluxo horizontal da mesma, ampliando portanto o escoamento superficial e a força das enxurradas, causando inundações nessas áreas ampliando os riscos de disseminação de doenças infectocontagiosas.

Por outro lado, o maior escoamento superficial representa uma redução drástica da infiltração, o que limita, ou por vezes impede, o reabastecimento das reservas subterrâneas de água, nos aquíferos e lençóis freáticos.

QUESTÃO 52

Analise o planisfério a seguir.

Contingente de imigrantes no Brasil de acordo com o seu país de origem (2007 / 2014)



No período considerado, migrou para o Brasil contingente de indivíduos oriundos de:

I. economias que ocupam diferenciada posição na ordem mundial vigente.
II. nacionalidades reconhecidamente formadoras de mão de obra qualificada.
III. nações hoje marcadas por conflitos bélicos e crises humanitárias.
IV. praticamente todos os continentes do globo, com exceção da Antártida.
V. territórios em que se praticam religiões diversas, inclusive o budismo e hinduísmo.

Estão corretos os itens

a) I, II, III, IV e V.
b) II e V, apenas.
c) I, II e III, apenas.
d) I, III e IV, apenas.

Resposta: A

Comentário:
Durante o período destacado no mapa trazido pode-se observar que chegaram ao Brasil imigrantes provenientes de todas as partes do mundo, sendo que de algumas áreas houve um fluxo mais intenso (círculos maiores) e de outras um menor aporte de pessoas (círculos menores). Nota-se que pessoas provenientes de nações que estão em diferentes níveis de desenvolvimento econômico se direcionaram para o país, sendo daquelas nações que ocupam posições inferiores na atual ordem mundial (como na América Latina), ou mesmo daquelas mais desenvolvidas, formadoras de mão de obra mais qualificada na atualidade (como os estados Unidos).

Além disso, percebe-se a chegada de imigrantes provenientes de regiões que atravessam intensos conflitos  bélicos (como no Oriente Médio) ou crises humanitárias (como a África). Há ainda fluxo de pessoas provenientes de países com religiões diversas, como o Budismo (China) ou o Hinduísmo (Índia). Portanto, pode-se afirmar que à exceção da Antártida, todos os continentes do mundo originaram levas de imigrantes para o Brasil no período retratado pelo mapa.

QUESTÃO 53

Leia a manchete.

População mundial deve atingir quase 10 bilhões em 2050

- Projeção da ONU indica que Terra abrigará mais de 11 bilhões de humanos no fim do século –

O crescimento projetado para a população mundial anunciado na manchete tende a ser alcançado caso

a) os distintos continentes do globo mantenham aumento populacional quantitativo igualitário, condição essa vigente desde o início do século XX.
b) a numerosa migração em direção às economias centrais seja mantida sob controle, com vistas a garantir a renovação dos estoques populacionais nos países periféricos.
c) a taxa de fecundação, que indica o número médio de filhos por mulher em dada população, seja mantida abaixo de 1,0 (um), nível necessário para a reposição de gerações.
d) o crescimento vegetativo, definido como a diferença entre a taxa de natalidade e de mortalidade, registre valor positivo, em favor do contingente de nascimentos.

Resposta: D

Comentário:

Apesar de a maioria dos países do mundo estar atualmente reduzindo suas taxas de natalidade, o saldo do crescimento vegetativo ainda continua positivo, por conta da redução das taxas de mortalidade. Portanto, embora em ritmo mais lento, a população do mundo continua a aumentar, nesse início de século XXI.

A projeção apresentada pela ONU, para o final desse século se mostra real e factual, uma vez que no mundo menos desenvolvido ainda se tem taxas de crescimento acima da taxa de reposição da população, o que atesta a possibilidade de aumento populacional, projetada pela organização. Porém, esse crescimento será alcançado se for mantida essa atual taxa de natalidade positiva e acima das taxas de mortalidade e do índice de reposição.

QUESTÃO 54

Leia o trecho a seguir.

“[...]gentrificação é consequência de mudanças, não apenas na qualidade, composição e distribuição da força de trabalho, mas principalmente, e primeiramente, na reorganização do espaço para produção, circulação e consumo de mercadorias. Isso coloca a compreensão do conceito como parte de um amplo e complexo processo de (re)estruturação urbana ligando o conceito também a processos específicos de (re)organização espacial [...]”

Assinale a alternativa em que a ilustração não faz referência ao processo de gentrificação.

a)

b)

c)

d) 


Resposta: B

Comentário:

O processo de gentrificação das áreas urbanas está diretamente relacionado com o aumento do preço médio dos lotes e habitações urbanas a partir da valorização da região por obras públicas ou privadas no entorno. Desse modo, pode-se afirmar que a gentrificação encontra-se diretamente relacionada ao processo de especulação imobiliária, também comum na atualidade.

Nas imagens mostradas na questão, apenas a letra “b” não faz menção a esse processo, uma vez que na letra “a” nota-se no gráfico a valorização dos preços das moradias a partir da sua modernização; já na letra “c” percebe-se a substituição de moradias mais simples por um grande projeto habitacional, que trará valorização para o espaço a que se insere; ao passo que na letra “d” observa-se a reforma e reestruturação de uma antiga área construída, o que acaba por agregar-lhe valor comercial e torna-la inacessível para as populações de mais baixa renda.

QUESTÃO 55

Analise o mapa a seguir, elaborado a partir de dados e informações de 2013.



De acordo com essa análise, assinale a alternativa que apresenta o título aplicável a esse mapa.

a) Geografia da produção mineral na Amazônia.
b) Geografia da produção de carne suína na Amazônia.
c) Geografia da produção de soja na Amazônia.
d) Geografia da produção leiteira na Amazônia.

Resposta: C

Comentário:

No mapa apresentado, a área em destaque representa o chamado “arco da devastação da Amazônia”, que é a região na borda desse bioma, mais assolada atualmente pelo processo de desmatamento e pela expansão das atividades econômicas do país.

Nessa região, se nota na atualidade a expansão da fronteira agrícola, proveniente do Cerrado (Centro-Oeste), onde a ocupação das terras já está quase completa e os agricultores começam a expandir suas atividades em direção às terras amazônicas. Hoje, nota-se claramente uma ampliação das áreas destinadas à produção de soja nessa direção, visando aumentar a produtividade e o abastecimento dos mercados internacionais, principalmente o chinês.





CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA - IMEPAC MEDICINA 2018 (APLICAÇÃO ARAGUARI)




QUESTÃO 46

O período que demarca o término da Segunda Guerra Mundial foi definido por uma série de acordos celebrados entre as potências vitoriosas que expressavam, na verdade, a emergente divisão bipolar entre os regimes capitalista e socialista. Entre os acordos NÃO se inclui:

a) a criação da Organização das Nações Unidas, com o objetivo de assegurar a paz e o desenvolvimento dos povos do mundo.
b) divisão da Alemanha Em áreas de influência a serem tuteladas pela Inglaterra, pela França e pelos Estados Unidos, responsáveis pela constituição da Alemanha Ocidental (capitalista) e pela URSS, responsável pela Alemanha Oriental (socialista).
c) divisão do Vietnã pelo paralelo 38 em uma área de influência socialista ao norte e área de influência capitalista ao sul.
d) o reconhecimento da instituição do regime socialista na região do Leste Europeu, que havia sido libertado da dominação nazista, graças à atuação da URSS.

Resposta: C

Comentário:

O término da Segunda Guerra Mundial lançou as bases geopolíticas para o período da Guerra Fria, onde o mundo se dividiu em termos ideológicos entre dois sistemas antagônicos, sendo um deles capitalista (que passou a dominar o chamado mundo ocidental, comandado pelos Estados Unidos) e o outro socialista (que dominou o chamado mundo oriental, comandado pela então União Soviética).

Entre os acontecimentos que marcaram esse contexto, há a transformação da antiga Liga das Nações em Organização das Nações Unidas – ONU. A Alemanha, responsável por grande parte dos conflitos da segunda guerra foi dividida entre os países aliados, que venceram a guerra, para que fosse por eles governada. O antagonismo entre capitalismo e socialismo levou a uma divisão física do território alemão, através da chamada Cortina de Ferro. Esta Cortina de Ferro, aliás, marcou o “acordo” entre as duas potências antagônicas para que o mundo fosse dividido em duas partes, cabendo à potência americana o controle do mundo ocidental (a partir das américas) e à potência europeia o controle do mundo oriental (a partir do Leste Europeu).

QUESTÃO 47

É INCORRETO afirmar que, no Brasil, uma fronteira:

a) configura recorte espacial em que, a depender da forma de apropriação das terras livres, das relações sociais e dos tipos e interesses dos agentes sociais aí constituídos, ter-se-á a consolidação de projetos distintos.
b) constitui uma região estratégica, seja para o capital, seja para o Estado, ambos comumente empenhados em sua estruturação e integração ao espaço das redes e conexões globais.
c) corresponde àquelas porções do território nacional que, por ter consideráveis extensões de terras devolutas, têm sua apropriação legalmente franqueada a pioneiros, desde que comprovada sua nacionalidade brasileira.
d) é aquele espaço ainda não estruturado e, por essa razão, gerador de realidades novas e dotado de elevado potencial político, tendo em vista sua inerente condição de potencialidade.

Resposta: C

Comentário:

O termo “fronteira” na visão geográfica representa muito mais do que simplesmente o limite político entre dois territórios distintos. Para a Geografia, a visão de regiões de fronteira tem um contexto mais relativo ao uso e ocupação do que limite de autonomia propriamente dito.
No Brasil, a ideia de fronteira se embasa em aspectos mais econômicos do que políticos, posto que uma região de fronteira é entendida muito mais como uma área dotada de elevadas potencialidades, porém ainda não completamente utilizada, sendo que esta “fronteira” condiciona a expansão da economia e das relações sociais, como por exemplo a Amazônia, que ainda não é plenamente ocupada pela agricultura, e portanto é chamada de “fronteira agrícola”, ou ainda o sertão nordestino, onde os indicadores socioeconômicos apresentam-se muito baixos, e por isso é considerado uma “fronteira do desenvolvimento”.

QUESTÃO 49

A sobreposição de dois planisférios – um que representa a divisão política internacional e, um outro, que representa as redes de transportes – revela traços importantes da organização do espaço geográfico.

A partir dessa sobreposição, é CORRETO afirmar que:

a) as porções continentais de difícil acessibilidade e que configuram enclaves espaciais são aquelas em que se localiza maior número de aeroportos e para as quais se converge maior número de voos.
b) as principais e mais extensas hidrovias do planeta estão localizadas em territórios caracterizados pela acentuada aridez e semiaridez, que acabam por condicionar o regime dos débitos fluviais.
c) os espaços regionais de elevada densidade rodoferroviária estão presentes, tanto em países do Norte, quanto do Sul, a exemplo da porção oriental estadunidense e da região concentrada do Cone Sul.
d) os territórios de economias subdesenvolvidas são entrecortados, sobretudo, por densa rede ferroviária, ao passo que, nas economias desenvolvidas, os fluxos de mercadorias e pessoas se apoiam em extensa rede rodoviária.

Resposta: C

Comentário:

Os sistemas de transportes estão diretamente associados ao processo de desenvolvimento econômico de cada nação, sendo ao mesmo tempo um aspecto determinante, e uma consequência resultante desse processo. Cada nação deve buscar estabelecer uma combinação de todos os modais de transportes existentes, a fim de que se alcance uma integração que seja capaz de trazer máxima eficiência e mínimo gasto. Essa combinação entre eficiência e gasto encontra-se baseada em uma gama enorme de aspectos, como a distância, o tipo de carga, volume transportado, valor da mercadoria, tipo de relevo (....), porém, cada país terá sua própria política de transportes mais viável.

No caso dos países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos e as potências europeias há uma grande malha ferroviária, em grande parte herdada do início de seus processos de desenvolvimento econômico nos séculos XVIII e XIX, assim como uma importante malha rodoviária, fruto de seu crescimento econômico principalmente no século XX; enquanto no caso do Brasil, a malha ferroviária se concentra na porção centro-sul do país, na região integrada aos outros países membro do MERCOSUL, fruto da herança do período agroexportador do café nos séculos XIX e XX, assim como a malha rodoviária ali se concentra, por conta da histórica concentração industrial e econômica a partir da década de 1930. Essa região “fronteiriça” entre os países membros desse bloco econômico é chamada de Cone Sul.

QUESTÃO 51

A incorporação crescente da região amazônica nos circuitos de exploração econômica tem trazido resultados ambientais graves para este domínio morfoclimáticos.

Assinale a alternativa que apresenta somente CAUSAS da degradação do Domínio Morfoclimático da Amazônia.

a) a extração ilegal de madeira, as queimadas, a expansão da pecuária e das monoculturas, a mineração e abertura de estradas e ferrovias.
b) a poluição dos rios por mercúrio como decorrência do garimpo, o aumento das perdas de solos por manejo inadequado, a caça e pesca ilegais.
c) o desenvolvimento da agroindústria colonial açucareira, os garimpos de diamante e ouro, a exploração dos babaçuais e carnaubais.
d) o estímulo governamental à ocupação desse domínio por meio de projetos, como o Prodecer e o Polocentro, o extrativismo vegetal predatório das drogas do sertão.

Resposta: A

Comentário:

O processo recente de ocupação da região amazônica no Brasil traz para esse bioma grandes impactos ambientais e degradações, diretamente relacionados ao modo como se dá essa ocupação e principalmente o uso das potencialidades inerentes dessa porção do país.

Embora hoje a expansão da agropecuária seja a principal vertente da ocupação da Amazônia, outras atividades econômicas em períodos anteriores também foram responsáveis pela degradação dessa região, tais como a extração ilegal de madeira, as queimadas para a abertura de novas áreas para a agricultura e a pecuária de corte, a expansão das monoculturas (principalmente da soja a partir do Centro-Oeste), a mineração em escala local (como nos garimpos de ouro na Serra Pelada (PA)) ou em escala regional (como a mineração de ferro e bauxita na Serra dos Carajás (PA), na Serra do Navio (AP) e Oriximiná (PA)), a abertura de vias de ligação dessa região com o restante do Brasil, como a construção da Rodovia Transamazônica ou das ferrovias Norte-Sul ou a Estrada de Ferro Carajás.

QUESTÃO 55

O impeachment de Fernando Collor de Melo levou à presidência Itamar Franco, que cumpriu o restante do mandato presidencial até dezembro de 1994. Com uma imagem pacata, tranquila, Itamar Franco atraiu progressivamente a empatia popular.

O elemento de maior relevância no governo de Itamar foi a criação do:

a) Plano Cruzado.
b) Plano Verão.
c) Plano Real.
d) Plano Bresser.

Resposta: C

Comentário:

Ao término da década de 1980, conhecida como a “década perdida” para a economia brasileira, o país passa por profundas reestruturações econômicas e políticas, relacionadas à recuperação do crescimento do PIB nacional, estagnado por conta de um quadro de hiperinflação e à retomada das instâncias democráticas, perdidas desde o golpe de Estado de 1964. Nesse contexto, a redemocratização do país leva ao poder Fernando Collor de Melo, que sofre o processo de impeachment na primeira metade de seu governo, sendo substituído pelo vice-presidente Itamar Franco, que herda junto com a responsabilidade de afirmar a democracia do país, a necessidade de controlar a inflação e tirar o país da profunda recessão econômica que se encontrava mergulhado.

A equipe econômica de Itamar Franco, liderada pelo então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, lança o Plano Real em uma tentativa de reestabelecer os rumos da economia brasileira, frear a hiperinflação de 2750% que assolava o país e atrair novamente os investimentos estrangeiros para o Brasil. O Plano Real consistiu em uma equiparação temporária do Real (nova moeda nacional) ao Dólar (moeda de referência global) através de um indexador financeiro (URV), levando em consideração o valor da inflação (2750%).



domingo, 25 de fevereiro de 2018

A CONTÍNUA GUERRA CIVIL NA SÍRIA

A guerra civil na Síria: como os bombardeios em Ghouta Oriental reacenderam um conflito que nem tinha se apagado?


Por Éder Israel



Disponível em: <https://cdnbr1.img.sputniknews.com/images/372/46/3724662.jpg> Acesso em 25 fev. 2018

Os números, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (que se opõe ao governo de Bashar al-Assad), são impactantes. Eles revelam que desde novembro de 2017 foram realizados pelo governo e aliados 1290 ataques aéreos à região, sendo grande parte destes ataques realizada nos últimos dias. Mas o que está realmente por trás destes números e das ações do governo? E qual o papel da mídia internacional?

A região conhecida como Ghouta Oriental é composta por regiões periféricas da parte leste da capital Damasco, onde vivem milhares de opositores do regime do presidente Assad. Esta zona de subúrbio participou ativamente das rebeliões populares iniciadas no país em 2011, durante a chamada Primavera Árabe, as quais pediam a retirada do presidente do poder e novas eleições na Síria. Porém as retaliações das forças leais ao regime sírio deram início a ataques contra os insurgentes e se instalou no país uma guerra civil.


Disponível em: <https://ichef.bbci.co.uk/news/624/cpsprodpb/16431/production/_96058119_syria_de_escalation_zone_624_v5.png> Acesso em 25 fev. 2018 (adaptado)

Ainda em 2012, o governo sírio foi acusado pela mídia internacional de utilizar armamentos proibidos, como o gás sárin e as bombas de cloro, porém pouco se fez para se investigar e punir, caso comprovasse o uso de tais armamentos. Na realidade, acredita-se que foi na verdade o uso dessas estratégias de guerra que levaram à retomada do controle, por parte do governo, da parte ocidental de Ghouta, e o que tornou ainda mais violenta a reação dos rebeldes que resistiram na parte oriental dessa região periférica de Damasco.

Juntamente às acusações de “guerra suja” imputadas ao regime sírio, o mundo observou ainda a formação de uma importante aliança entre a Síria, o Irã e a Rússia, que passou a atacar com mais intensidade os rebeldes remanescentes da Primavera Árabe, e a ajuda militar de Moscou tornou o conflito completamente desequilibrado, assim como multiplicaram as acusações da mídia internacional a respeito do uso desproporcional de forças militares, e de massacres contra civis, bombardeados sob a justificativa de pertencerem ou colaborarem com o Daesh.

Aliás, a participação da Rússia nesse conflito foi decisiva para que as rebeliões populares iniciadas em 2011 não tivessem na Síria o mesmo sucesso que obtiveram na Tunísia, na Líbia e no Egito, tendo o presidente Bashar al-Assad se mantido no poder, apesar dos diversos grupos nacionais que exigiam sua saída/deposição.


Disponível em: <https://i2.wp.com/www.cavok.com.br/blog/wp-content/uploads/2015/10/Urso-na-S%C3%ADria1.jpg?resize=600%2C410> Acesso em 25 fev. 2018

O grande problema oriundo desta situação é que, segundo as nações e organismos internacionais contrários ao governo Assad, é que após a derrota inicial dos insurgentes nos levantes populares o governo sírio continuou usando sua força militar e a de seus aliados para combater e eliminar toda a oposição política ao presidente e garantir a plena permanência do presidente no poder, tendo para isso cometido incontáveis crimes contra a população civil do país.

Na realidade, o conflito eu se tornou mais intenso em 2011 não se estancou até os dias de hoje. O que aconteceu foi que a mídia global passou a dar mais atenção para outros assuntos no cenário político global, e criou-se a falsa ideia de que a guerra civil tinha acabado. Atualmente, com as ações militares em Ghouta Oriental sendo intensificadas, parece que recomeçaram as disputas militares na Síria, quando na verdade, o que mudou foi apenas o foco dos organismos de imprensa do mundo, voltando seus olhos novamente para o entorno de Damasco. Porém, há de se destacar e reconhecer que em relação aos conflitos anteriores, o atual é mais intenso, mas não é como se acredita uma nova guerra, mas sim apenas a continuação do mesmo conflito de sempre...

Juntamente às perdas imediatas dos bombardeios há também as chamadas “perdas lentas”, que se relacionam à impossibilidade de recebimento de ajuda humanitária e de socorro médico para as vítimas, o que estabelece um quadro ainda mais dramático nesse cenário observado na Síria. Segundo organizações e analistas internacionais, é impossível saber exatamente o que se passa hoje em Ghouta Oriental, e isso faz com que a compreensão do conflito seja muito mais baseada em acusações de opositores de Assad e de justificativas daqueles que o defendem. O que se sabe é que o número de pessoas que são assoladas aumenta a cada dia, assim como a intensidade dos ataques realizados.

A situação tomou tamanha proporção na imprensa internacional, que a Organização das Nações Unidas foi forçada a assumir que o conflito fugiu do controle convencional, e que os direitos humanos essenciais não têm sido colocados à margem do planejamento e das ações militares das forças armadas da Síria e dos exércitos de seus aliados. Com isso, o Conselho de Segurança da ONU, composto por Estados Unidos, França, Inglaterra, Rússia e China votou e aprovou uma resolução que determina a partir de 24 de fevereiro de 2018 um cessar-fogo de 30 dias em Ghouta Oriental, para que nesse período haja apoio médico e a chegada de ajuda humanitária para as vítimas da guerra.


Disponível em: <http://prensalatina.com.br/images/2017/octubre/02/consejo-seguridad.jpg> Acesso em 25 fev. 2018

Porém, um dia após o anúncio do cessar-fogo, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos informou que novos ataques aéreos foram realizados na região conflituosa, demonstrando claramente que não há um controle externo para a situação e que a escalada de violência tende a se ampliar cada vez mais na Síria, a despeito das resoluções aprovadas pela ONU ou do apelo da imprensa internacional enquanto não haja um novo assunto que esconda do mundo a catástrofe humanitária que assola hoje parte da população síria.

No caso desse conflito, em específico, um dos grandes problemas agravantes é a quantidade de grupos envolvidos e de interesses associados à geopolítica e a questões religiosas, e esta miscelânea de interesses e visões eleva grandemente o potencial destrutivo dessa guerra civil, e torna qualquer decisão externa uma contrariedade aos interesses internos dos indivíduos/grupos que encontram-se no front de batalha...

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O PROCESSO MUNDIAL DE (DES)GLOBALIZAÇÃO (PARTE I)

Como as políticas externas de Donald Trump se inserem na geopolítica mundial


- Por Éder Israel


Disponível em: <http://static.politifact.com.s3.amazonaws.com/politifact/photos/AP_AZAB126_TRUMP.JPG> Acesso em 06 dez. 2017

Desde a eleição do 45ºpresidente dos Estados Unidos, o noticiário internacional informa ao mundo diariamente sobre a mais nova polêmica envolvendo o governante máximo da maior potência do mundo.

Ainda durante o pleito eleitoral, a caminhada de Donald Trump rumo à Casa Branca foi repleta de discursos, promessas, ações e falas que ainda hoje pontuam seu mandato, e colocam os Estados Unidos na situação de país que se afasta de acordos anteriormente firmados, ou ainda evite firmar novos compromissos multilaterais.

A promessa de campanha, de construir um muro na fronteira com o México e impedir o acesso dos latinos ao seu país foi recebida com temor pela mídia e pela maioria dos governos internacionais, porém encontrou ressonância no país e se converteu em votos de uma camada significativa da população estadunidense, que coloca sob os ombros dos imigrantes e peso do desemprego e de uma recessão econômica, que nasceu na verdade nos Estados Unidos (!) em 2008, quando “explodiu a bolha imobiliária”.

Soma-se a esta responsabilização indevida dos imigrantes latinos, o medo permanente que é cultivado na/pela população do país desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. O pavor da repetição de ações como aquela realizada pela Al Qaeda, assim como o senso comum de que o Islamismo é responsável pelos atos terroristas, levou os cidadãos estadunidenses a verem com “bons olhos” a restrição da entrada de “potenciais terroristas” no país, como insiste sempre em repetir, o presidente Trump ao se referir aos povos árabes.


 Disponível em: <https://www.dinheirovivo.pt/(...)3_USA_TRUMP_IMMIGRATION-1060x594.jpg> Acesso em 06 dez. 2017

Vivemos hoje um momento da geopolítica mundial em que as relações entre diferentes povos e lugares têm sido cada vez mais intensas, e os intercâmbios comerciais ou culturais se tornam peças vitais para que a economia/sociedade-mundo se estabeleça e consequentemente se expanda. Portanto, os fluxos (de qualquer espécie) regem atualmente o processo de globalização e consequentemente determinam o sucesso ou o fracasso de uma nação em seu processo de integração global.

Ora! Portanto, o fluxo crescente de pessoas, sejam latinos ou árabes para os Estados Unidos nas últimas décadas, atestam a efetivação da inserção do país americano no contexto da globalização, e qualquer ação que venha a proibir/barrar tal movimento migratório atua em um caminho contrário. Esta contramão é hoje academicamente chamada de “desglobalização”. Assim sendo, Donald Trump tem se destacado por uma política que pode levar a maior potência econômica do mundo a um relativo isolamento geopolítico, podendo impactar direta e negativamente na busca “americana” da superação da crise de 2008.

Ainda nos trilhos do estabelecimento de uma globalização ampla e que seja capaz de integrar todas as nações do globo, embora saibamos que apesar de integrados, os benefícios não serão oferecidos na mesma escala para as nações ricas e pobres (...), há a partir da década de 1990 (período pós Guerra Fria) a ampliação do processo de criação dos mercados regionais, também conhecidos como blocos econômicos. Notou-se isso com clareza na formação do North American Free Trade Agreement – NAFTA, composto por Estados Unidos, Canadá e México, que estabeleceu uma zona de livre comércio entre estas nações, visando uma colaboração maior entre estas economias e o desenvolvimento regional colaborativo.

Em relação ao NAFTA, Donald Trump é taxativo a respeito do que julga ser inviável aos Estados Unidos, que seria a permanência d do país nesse agrupamento regional, tendo manifestado abertamente a intenção de deixar o bloco futuramente. Seria outro passo na direção do isolamento geopolítico da nação americana. Seria outro passo no caminho da “desglobalização”.

Além de defender a retirada de um bloco econômico existente há mais de duas décadas, Trump ainda retirou os Estados Unidos de um grande projeto de integração, que seria a criação de uma zona de livre comércio transcontinental, chamada de Trans-Pacific Partnership – TPP, que contaria com a participação de nações da América, da Ásia e da Oceania. Em janeiro de 2017, o presidente dos Estados Unidos se retirou dessa proposta de criação de um “superbloco” com o risco colateral de ter rompido relações comerciais com antigos e importantes parceiros, e perdendo talvez a chance de realizar novas e vantajosas parcerias com outras nações.

A desistência do TPP e a política de defesa do fim do NAFTA tem levado o mundo a questionar o quão integrados e globalizados os Estados Unidos pretendem estar no século XXI. Isso acaba também por abalar a confiança de nações que têm alianças (de qualquer natureza) com o governo estadunidense, uma vez que há uma crescente incerteza de qual será a próxima associação política/econômica que Donald Trump abandonará.


Disponível em: <http://cdn.cnn.com/cnnnext/dam/assets/161118053613-cnnmoney-trump-trade-tpp-super-tease.jpg> Acesso em 06 dez. 2017

Nem mesmo a questão ambiental escapou deste rompante isolacionista do atual governo da Casa Branca, uma vez que Trump abandonou ainda o Acordo Climático de Paris, o qual foi negociado durante a COP-21, realizada na França em 2015. Este acordo previa a redução das emissões de CO2 para a atmosfera, ampliando as metas propostas na década de 1990 pelo Protocolo de Kyoto. Porém, para os Estados Unidos a redução do consumo de combustíveis fósseis poderia afetar negativamente o crescimento da economia nacional, amplamente dependente de petróleo. Esse pensamento motivou a saída da nação deste acordo climático global.

Na condição de uma das nações mais poluidoras da atmosfera na atualidade, os Estados Unidos com sua saída deste acordo do clima abra um precedente perigoso para a busca da sustentabilidade ambiental e por um maior equilíbrio entre as ações antrópicas e a natureza, uma vez que outras nações, menos poluidoras, podem se sentir desobrigadas/desresponsabilizadas a reduzir seu consumo de combustíveis fósseis e a liberação de gases poluente da atmosfera, tornando assim esse acordo global inviável ou mesmo insignificante.


Disponível em: <https://patricecarvalho.files.wordpress.com/2017/06/trump_climatosceptique.jpg?w=624> Acesso em 06 dez. 2017

Portanto, seja pela proposta de construção de um muro na fronteira com o México, ou ainda pelas restrições à entrada de imigrantes latinos ou árabes, ou mesmo pela ameaça de encerramento do NAFTA, ou também pelo abandono precoce do TPP, ou quem sabe pela não-aceitação dos termos do Acordo de Paris, os Estados Unidos têm se afastado cada vez mais de outras nações e tomando decisões cada vez mais unilaterais, na intensão de quem sabe um dia alcançar a tão sonhada (desde a Guerra Fria) unipolaridade mundial.

E olha que nem falamos, ainda, sobre a Coreia do Norte...