quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA - UNICAMP 2021 (CARREIRAS DE EXATAS, HUMANAS E ARTES)

Questão 65

(The state of agricultural commodity markets. Agricultural trade, climate change and foot security. Roma: FAO, 2018. Disponível em http://www.fao.org/3/I954 2EN/i9542en.pdf.)

Muitos autores anunciam o fim da globalização econômica e indicam que parte do comércio global de mercadorias pode estar com seus dias contados depois da pandemia da Covid19. Contudo, o comércio internacional de mercadorias, especialmente agrícolas, é ainda hoje relevante para o abastecimento de muitos mercados nacionais.

Com base nos gráficos acima e em seus conhecimentos, assinale a alternativa correta.

a) A União Europeia não depende do mercado mundial de mercadorias, porque o valor total de suas exportações é aproximadamente igual ao valor total de suas importações.

b) A economia brasileira não tem nas commodities agrícolas importante ponto de sua pauta de exportação, porque 5,7% das exportações mundiais representam uma cifra muito pequena.

c) A economia chinesa é, em grande parte, dependente das importações de commodities agrícolas, sendo o Brasil importante parceiro comercial de suas importações.

d) Apesar de sua extensão territorial relativamente pequena, o Japão é um dos maiores produtores de commodities agrícolas, destacando-se a produção voltada para o mercado latino-americano.

Resposta: C

Comentário:

O desenvolvimento da produção industrial, a partir do final do século XVIII, não suprimiu ou anulou a importância do setor primário na economia das nações. Na verdade a ampliação da demanda por commodities em decorrência da secundarização das economias do mundo ampliou em muitos países a participação da exportação de produtos não industrializados na composição das suas respectivas balanças comerciais.

No gráfico apresentado na questão pode-se observar que a União Europeia atua como grande exportadora e importadora de commodities agrícolas na atualidade. Porém, a distinção entre o que é vendido e comprado por esses países não possibilita a suposta autossuficiência ou independência global do bloco, pois as nações exportam determinados produtos agrícolas, mas necessitam importar outros gêneros básicos que não produzem.

No caso brasileiro, a exportação de commodities (principalmente agrícolas e minerais) responde por cerca de 2/3 da composição do PIB nacional, possibilitando anualmente balanças comerciais superavitárias para a economia do país, sendo o mercado chinês, em forte expansão recente, um dos principais destinos para a agroexportação brasileira. A assinatura de acordos bilaterais com a nação asiática a partir do estabelecimento dos BRICS ampliou as relações comerciais entre os dois países e consequentemente as trocas comerciais entre ambos.

Questão 66

Dados do World Inequality Database, atualizados de 2015. Acessado em 10/04/2019. (Disponível em https://temas.folha.uol.com.br/desigualdade-global/brasil/super-ricosno-brasil-lideram-concentracao-de-renda-global.shtml).

O gráfico anterior apresenta a concentração de renda no topo da pirâmide social. No Brasil, o 1% de super-ricos (aproximadamente 1,4 milhão de adultos) captura 28,3% dos rendimentos brutos totais do país, e recebe individualmente, em média, R$ 106,3 mil por mês pelo conjunto de todas suas rendas (dados de 2015).

Com base no gráfico e em seus conhecimentos, assinale a alternativa correta.

a) O Brasil é o segundo país no ranking e único país latino-americano entre os dez primeiros, fato explicado por ter a maior população entre esses dez países.

b) A concentração da renda indica a capacidade de geração de riqueza em um país e sua distribuição entre todas as camadas de renda.

c) A Índia apresenta alta concentração de renda, contudo, por ter a segunda maior população absoluta do mundo, a renda é bem distribuída.

d) A concentração da renda indica que uma pequena parcela da população de um país absorve a maior parte daquilo que é socialmente produzido.

Resposta: D

Comentário:

A concentração de renda e um dos principais indícios para o entendimento das desigualdades econômicas e a exclusão social das populações nos países. Ela é medida a partir do chamado Coeficiente de Gini, e mostra o percentual da riqueza total produzida por uma nação que é controlada por uma pequena parcela de seus habitantes, e demonstra claramente o quadro de marginalização de parcelas significativas dessa mesma população.

No gráfico apresentado na questão aparecem as dez nações onde uma parcela de 1% da população total concentra as maiores fatias das riquezas nacionais. Entre esses dez países encontram-se nações europeias (Rússia e Turquia), latino americanas (Brasil e Chile) e, principalmente asiáticas (Qatar, Líbano, Emirados Árabes, Iraque, Índia e Kwait). Dessas nações apenas Rússia e Kwait estão abaixo da média mundial de concentração de renda nas mãos de 1% das pessoas (20,6%).

O desenvolvimento social de uma nação é medido, entre outros indicadores, pela equidade econômica entre as diversas camadas que compõem a sua população, sendo a ausência de tal condição o principal problema que afeta hoje as nações em desenvolvimento e emergentes, posto que embora produzam muita riqueza, esse ganho é extremamente mal distribuído na sociedade.

Questão 67

Em nosso planeta em rápida urbanização, a vida cotidiana da crescente população de urbanoides é cada vez mais sustentada por sistemas vastos e incrivelmente complexos de infraestrutura e tecnologia. Ainda que muitas vezes passem despercebidos – pelo menos quando funcionam –, esses sistemas permitem que a vida urbana moderna exista. Seus encanamentos, dutos, servidores, fios e túneis sustentam os fluxos, as conexões e os metabolismos que são intrínsecos às cidades contemporâneas.

(Adaptado de Stephen Graham, Cidades sitiadas. O novo urbanismo militar. São Paulo: Editora Boitempo, 2016, p. 345.)

Depreende-se do texto que

a) a vida na cidade é composta por um conjunto de individualidades autossuficientes, sem a necessidade de interconexões e solidariedades.

b) as cidades contemporâneas são dependentes de sistemas técnicos infraestruturais, mas cada vez menos dependentes do trabalho técnico e social.

c) os bastidores infraestruturais e sociais da vida urbana cotidiana, em geral ocultos, tornam-se claros e palpáveis em momentos de interrupções sistêmicas.

d) a dependência das infraestruturas em rede existe apenas em cidades modernas e tecnologicamente avançadas, as chamadas cidades high-tech.

Resposta: C

Comentário:

Inegavelmente são visíveis e perceptíveis as diferenças nos estágios de desenvolvimento técnico das sociedades e dos espaços urbanos na atualidade. Em qualquer nível em que se encontre esse processo ele está “amarrado” aos mesmos pressupostos e dependente dos mesmos requisitos para seu pleno desenvolvimento. O que muda é o padrão em que esses atributos estão disponíveis e a intensidade em que eles se tornam acessíveis para os indivíduos que compõem e dependem desses espaços urbanizados.

Existe em todo tipo de cidade, desde as mais modernas às mais simples interioranas, uma rede de infraestruturas ligadas ao meio técnico, escondida na multiplicidade de relações sociais diárias, que rege o funcionamento das áreas urbanas. Estando tal sociedade em condições de normalidade esses aspectos estruturais passam despercebidos ou assumem um caráter aparentemente secundário na vida urbana. Mas basta essa suposta normalidade ser interrompida para que o real valor dessas infraestruturas seja notado.

Por exemplo, quando se tem o corte no fornecimento de energia elétrica para uma determinada cidade imediatamente seus habitantes se dão conta do quão importante é esse recurso que é quase imperceptível na normalidade cotidiana. O mesmo vale para água, internet, transporte público, enfim toda infraestrutura citadina. Não há cidade independente de suas bases materiais, assim como não há indivíduo urbano independente dos outros indivíduos que compõem a sociedade.

Questão 68

Brasil – Produção Agrícola Municipal – 2016

Atlas Escolar do IBGE. Disponível em https://mapas.ibge.gov.br/escolares/ensi no-medio/brasil.html.) Acessado em 17/09/2020.)

Os mapas anteriores apresentam três culturas temporárias de extrema importância para os mercados interno e externo. Com base na sua espacialização, podemos afirmar que os mapas 1, 2, e 3 representam, respectivamente, as culturas de

a) mandioca, trigo e laranja.

b) trigo, laranja e mandioca.

c) laranja, mandioca e trigo.

d) mandioca, laranja, trigo.

Resposta: A

Comentário:

Os mapas apresentados pela questão destacam a produção de gêneros alimentícios em diferentes regiões do Brasil, ao passo que nas alternativas são mencionadas as produções de mandioca, trigo e laranja. Como um dos maiores produtores agrícolas do mundo, dispondo de uma grande extensão territorial bem como de vasta variabilidade climática entre as regiões, o Brasil produz diferentes tipos de cultivos em distintas zonas territoriais, sempre associados às condições edáficas de cada porção do espaço.

Ao Sul se destacam cultivos mais adaptados ao clima subtropical e às baixas temperaturas nos invernos mais frios, como a soja e o trigo, conforme mostram as áreas demarcadas no estado do Paraná, no mapa número 2. No Sudeste se destaca a agricultura mais moderna e tecnológica, com ênfase em cultivos adaptados aos climas tropicais e voltados à exportação, como a soja (após a Revolução Verde), o milho e a laranja, conforme mostram as áreas demarcadas no mapa número 3, com ênfase no interior do estado de São Paulo.

Já nas regiões Norte e Nordeste a menor integração à dinâmica econômica da nação, bem como o baixo grau de desenvolvimento técnico da produção, permitem a manutenção de práticas agrícolas de subsistência, voltadas ao abastecimento dos mercados internos, com destaque para produtos de primeira necessidade dos próprios consumidores locais, como por exemplo a mandioca e o feijão, conforme mostram as áreas demarcadas no mapa número 1.

Questão 69

A região denominada Golfo Pérsico abrange, além do próprio golfo, os países que se situam inteira ou parcialmente no seu litoral, a saber: Kuwait, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Omã. A Arábia Saudita também é considerada parte da região, pois, embora a maior parte de seu território seja continentalizada e as principais cidades se situem no interior ou próximas ao Mar Vermelho, ela tem mais de 600 quilômetros de litoral voltado para o Golfo, com algumas cidades costeiras (AdDammam, Al-Jubail) e complexas ligações viárias com Qatar, Bahrein e Kuwait.

(L. A. B. Venturi, Água no Oriente Médio: o fluxo da paz. São Paulo: Editora Sarandi, 2015, p. 93.)

Litoral é uma faixa de terra emersa, banhada pelo mar, que pode apresentar diferentes configurações. Para os países mencionados no texto, a presença do litoral em formato de Golfo é fundamental para o escoamento por via marítima do petróleo, a principal commodity do Oriente Médio.

Assinale a alternativa que define corretamente “Golfo”.

a) Reentrância do mar sobre o continente, possuindo grandes dimensões e com uma forma mais aberta para o mar.

b) Parte do continente que avança para o oceano, com grandes extensões e cercada de água por quase todos os lados.

c) Barreira formada no mar e localizada próxima da praia, podendo ser formada por rochas, corais e restos de animais marinhos.

d) Canais que ligam rios com o mar, onde ocorre muita sedimentação, com a formação de bancos de areia e a deposição de detritos.

Resposta: A

Comentário:

As porções litorâneas dos territórios continentais apresentam múltiplas feições, esculpidas pela ação dos elementos climáticos e das águas oceânicas, se diferenciando entre si segundo as condições naturais de cada localidade. Além das tradicionais Praias, que correspondem ao acúmulo de sedimentos transportados pelos oceanos, e das Falésias, que correspondem a barreiras verticais esculpidas na costa pela ação das ondas e marés ao longo do tempo, outras formações típicas dessas áreas podem ser destacadas.

Tais como as Baias, que representam estruturas similares a lagos marinhos de pequena extensão, quase fechados, onde a água oceânica adentra em espaços continentais. Similares às Baías são os Golfos, porém diferem por possuir maior extensão territorial além do canal de reentrância de água ser mais aberto. Por outro lado a Península representa um prolongamento das terras emersas continentais para dentro do oceano, sendo cercada por águas por quase todos os lados, porém mantendo conexão com o continente.

Já o Recife corresponde a uma barreira estabelecida nas águas rasas próximas ao continente, formada por areia, corais, sedimentos e restos animais. Em grandes extensões algumas dessas estruturas são chamadas de Barreiras de Corais. Existem ainda as Barras, que se formam onde os rios se conectam com os oceanos, despejando tanto as águas continentais quanto os sedimentos carreados por esses cursos hídricos, dando origem às fozes em delta, estuário ou mista.

Questão 70

A região Nordeste brasileira é marcada por contrastes climáticos: áreas úmidas e áreas com longos períodos de estiagem. O mapa a seguir mostra a variação da umidade por meses em relação à distribuição das chuvas.

(Adaptado de Mapa de Clima do Brasil. Coordenação De Recursos Naturais e Estudos Ambientais – CREN. Diretoria de Geociências – DGC, IBGE. Rio de Janeiro, 2006.)

Sobre as características climáticas e a distribuição das chuvas na região Nordeste, é correto afirmar:

a) Todas as áreas sem seca ou subsecas recebem umidade da zona de convergência intertropical, além do incremento de vapor d’água do processo de evapotranspiração das florestas tropicais.

b) No centro do Estado da Bahia localiza-se a principal área no interior da região Nordeste com 1 a 3 meses secos, devido ao efeito orográfico da Chapada Diamantina na formação de chuvas.

c) O período de estiagem das áreas com 4 a 5 meses secos ocorre no verão, enquanto o das áreas com 6 a 8 meses secos ocorre no outono e inverno na Bahia, e na primavera e verão nos demais Estados.

d) A distribuição da umidade na região Nordeste tem estreita relação com o tipo de vegetação: nas áreas com 9 a 11 meses secos ocorre a vegetação de caatinga; nas áreas com 6 a 8 meses secos, a vegetação de cerrado.

Resposta: B

Comentário:

A região Nordeste apresenta internamente grandes diversidades relativas às condições ambientais, ligadas principalmente ao clima e às formações vegetais, assim como aquelas ligadas aos estágios de desenvolvimento socioeconômico entre suas distintas localidades. Pode-se desse modo subdividir a região em quatro sub-regiões, sendo elas Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte.

A Zona da Mata corresponde à porção litorânea, com climas mais úmidos e vegetação composta por densas florestas latifoliadas. O Agreste corresponde à faixa de transição entre as florestas litorâneas e as formações xerófilas do interior semiárido, apresentando esse modo clima relativamente úmido. O interior é caracterizado pelo Sertão semiárido, onde a vegetação típica são as caatingas e o clima é seco a maior parte do ano. Por fim, o Meio-Norte se localiza na transição entre o Sertão e a Floresta Amazônica, apresentando formação vegetal conhecida como Mata dos Cocais e clima úmido em decorrência da evapotranspiração proveniente da floresta da região Norte.

Grande parte da estiagem e da seca predominantes na porção mais interior da região se relaciona à presença de barreiras orográficas, estabelecidas por elevações do relevo, que impedem a livre passagem da umidade proveniente do Oceano Atlântico. Destacam-se como barreiras orográficas regionais o Planalto da Borborema, nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, e a Chapada Diamantina, no estado da Bahia, que limitam as precipitações nas áreas localizadas em seus respectivos sotaventos.

Questão 71

Os mapas temáticos são elaborados com a utilização de técnicas que objetivam a melhor visualização e comunicação, distinguindo-se essencialmente dos topográficos, que representam fenômenos de qualquer natureza, geograficamente distribuídos sobre a superfície terrestre. O nível de organização dos dados, qualitativos, ordenados ou quantitativos, de um mapa está diretamente relacionado ao método de mapeamento e à utilização de variáveis visuais adequadas à sua representação.

(Rosely Sampaio Archela e Hervé Théry, Orientação metodológica para construção e leitura de mapas temáticos. Revista Confins. n.3. 2008, p. 1-36.)

(Disponível em https://covid.saude.gov.br/) (Acessado em 08/07/2020)

Os mapas temáticos anteriores mostram o cenário brasileiro da pandemia em 7 de julho de 2020. O mapa 1 apresenta o número de casos confirmados de Covid19 por ente federativo e o mapa 2, a taxa de incidência da Covid19 por Estado brasileiro. No que se refere à análise dos dados representados nos mapas, é correto afirmar:

a) O objetivo do mapa 1 é apresentar os dados de forma quantitativa, enquanto o mapa 2 prioriza uma apresentação qualitativa dos dados.

b) Os mapas 1 e 2 apresentam dados absolutos qualitativos referentes à Covid19 obtidos em órgãos oficiais do governo federal.

c) O mapa 1 apresenta os dados absolutos dos casos confirmados de Covid19, enquanto o mapa 2 apresenta a proporção de casos por milhão de habitantes.

d) Os mapas 1 e 2 apresentam dados proporcionais referentes à Covid19, pois não é possível apresentar com exatidão dados da área de saúde.

Resposta: C

Comentário:

Na cartografia a confecção de mapas depende do interesse do cartógrafo responsável por sua realização, podendo esses mapas apresentar dados absolutos, relativos, quantitativos ou qualitativos, segundo as intenções para seu uso. Ambos os mapas apresentados na questão tem a mesma temática, que é o impacto da pandemia do Covid19 no Brasil, porém apresenta os dados de modo diferente.

No primeiro mapa tem-se apenas os dados absolutos a respeito do número bruto de casos apresentados em cada estado da federação, não se levando em consideração a extensão territorial de cada estado ou a dimensão de sua população. Já o segundo mapa traz dados relativos à proporção entre o número de casos confirmados e a população local, tendo como referência 1 milhão de habitantes. Assim, trata-se também de um mapa quantitativo, mas não absoluto, mas sim relativo ou proporcional. 

domingo, 3 de janeiro de 2021

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA UNICERRADO - MEDICINA 2021/1

 

Questão 20

Entre uma e outra data, 1964 e 1985, o Brasil passou por um turbilhão de acontecimentos que, em grande parte, nos definem até hoje e ainda provocam muito debate.

(Marcos Napolitano. 1964: História do Regime Militar Brasileiro, 2014.)

O “turbilhão de acontecimentos” mencionado no texto diz respeito ao período da ditadura militar, que pode ser caracterizado

a) pela independência frente aos organismos internacionais, como a ONU, e pela repressão aos opositores políticos.

b) pelo investimento em segurança nacional e pelo combate à corrupção de políticos e empresários.

c) pelos bons resultados em termos econômicos e pelo aumento das desigualdades sociais do Brasil.

d) pela indústria de base e pela alteração da estrutura agrária via reforma agrária e distribuição de terras.

e) pela política cultural diversificada e pela presença de uma produção artística distanciada dos problemas do país.

Resposta: C

Comentário:

O contexto histórico entre 1964 e 1985 no Brasil foi marcado pelos governos militares, que à frente do Estado brasileiro implementaram uma política de ampliação da abertura da economia aos investimentos externos e de aproximação política com os Estados Unidos. Conter o avanço do ideário socialista a partir da União Soviética era a justificativa apontada por tais governos para manter o regime de poder não democrático no país.

A aproximação em relação aos Estados Unidos possibilitou o aporte massivo de empréstimos estrangeiros no Brasil, bem como a chegada de filiais de indústrias multinacionais, provenientes tanto da potência americana como de seus aliados capitalistas. Nesse contexto houve o chamado Milagre Econômico Brasileiro, entre os anos de 1967 e 1973, quando o PIB nacional cresceu rapidamente, assim como se ampliou exponencialmente o endividamento externo e a dependência econômica da nação.

Ao mesmo tempo em que o PIB do país avançava, a concentração de renda atingia também níveis exorbitantes, ampliando ainda mais o quadro histórico de desigualdades socioeconômicas na população, principalmente aquela de mais baixa renda. Assim, pode-se dizer que o Brasil se tornou um país mais rico ao mesmo tempo em que sua população se tornava mais pobre e excluída da vida econômica nacional, cada vez mais controlada pelo capital estrangeiro, materializado nas filiais de indústrias multinacionais.

Questão 21

No desafio de representar a superfície terrestre, os globos geográficos oferecem grande precisão aos seus usuários. No entanto, assim como em outras formas de representação, eles apresentam desvantagens, como

a) a impossibilidade de se visualizarem pontos em diferentes hemisférios.

b) o emprego de generalizações em zonas de baixa latitude.

c) a deformação nas formas dos principais acidentes geográficos.

d) o emprego obrigatório de escalas geográficas muito grandes.

e) a restrição à representação das informações de natureza física.

Resposta: A

Comentário:

A representação da superfície terrestre em escalas reduzidas pode ser realizada de duas maneiras básicas, sendo elas os globos terrestres e as projeções cartográficas (elaboradas a partir de um globo). Embora possibilitem praticidade em seu uso, os mapas trazem consigo distorções e deformações decorrentes da transferência do plano tridimensional, do globo esférico, para o plano bidimensional, do papel retangular.

Assim, no globo consegue-se manter (em escala reduzida) as áreas, as formas e as distâncias relativas da superfície terrestre, ao passo que no papel (mapa) é possível trabalhar com apenas uma dessas grandezas por vez. Podendo os mapas ser conformes (conservam as formas distorcendo as áreas e as distâncias), equivalentes ou proporcionais (conservam as áreas, distorcendo as formas e as distâncias) ou equidistantes (conservam as distâncias, distorcendo as áreas e as formas).

Embora o globo terrestre imite a curvatura da superfície da Terra, ele não elimina totalmente inconvenientes para sua utilização. Por tratar-se de um plano tridimensional é impossível a um observador que esteja posicionado em uma de suas faces visualizar aquilo que esteja representado no lado oposto desse plano, uma vez que tal informação estará “na parte de trás” daquilo que é visto. Portanto, não se podem observar ao mesmo tempo objetos representados em pontos extremos de dois hemisférios.

Questão 22

Há mais de 70 anos, Índia e Paquistão disputam o controle da região montanhosa da Caxemira. Mas, para quem acessa o serviço Google Maps dentro do território indiano, o conflito não existe, isto porque o Maps apresenta o traçado da fronteira conforme a reivindicação da Índia. Quando acessado de outros lugares, o serviço mostra tratar-se de uma área em litígio.

(www.washingtonpost.com. Adaptado.)

 (www.orissapost.com. Adaptado.)

A respeito do estabelecimento de fronteiras entre Estados-nação, pode-se afirmar que

a) as características do relevo dificultam o mapeamento e induzem ao erro cartográfico.

b) as divisas são definidas pela sedentarização de populações tradicionais cartografadas.

c) a definição das fronteiras políticas se sujeita aos acidentes geográficos naturais.

d) as fronteiras são definidas pelas atividades diplomáticas ou militares entre países.

e) as fronteiras são linhas ambíguas quando publicamente demarcadas.

Resposta: E

Comentário:

A ideia de toda e qualquer fronteira é estabelecer delimitações físicas ou ideológicas entre diferentes espaços, sendo que essa pode ser determinada a partir de aspectos naturais, como rios, oceanos vales ou cadeias montanhosas, bem como estabelecidas mediante acordos e tratados entre os espaços, podendo ser tais acordos firmados de maneira pacífica ou por vias beligerantes. Atualmente existem várias disputas fronteiriças em curso no mundo, que colocam sob risco várias sociedades, e promovem instabilidades que podem atingir âmbitos locais, regionais ou mesmo globais.

A região apresentada no mapa se refere a uma das mais importantes zonas de litígio na atualidade, posto que a região da Caxemira seja reivindicada tanto pelo governo da Índia quanto pelo Estado paquistanês. Os interesses por tal região montanhosa encontram-se assentados sobre os recursos hídricos ali disponíveis, pois ali se localizam as nascentes de rios que fluem em direção aos dois países, os quais possuem importância econômica ou cultural para ambos.

Desse modo tem-se que as fronteiras podem ser consideradas linhas ambíguas, uma vez que muitas vezes expressam interesses de um dos espaços que se chocam com os interesses do espaço que se encontra além desse limite. Assim, essa ambiguidade na delimitação das linhas fronteiriças favorecem às tensões observadas em várias localidades, e colocam em xeque a validade efetiva das delimitações ali estabelecidas.

Questão 23

Cidade Flutuante, 1964

(Leno B. Souza. Urbana, v. 8, no 2, 2016.)


 Palafitas, 2013

(www.ebc.com.br)

Na produção do espaço urbano, a Cidade Flutuante, destruída na década de 1960, e as atuais palafitas, ambas construídas às margens do Rio Negro e nas periferias de Manaus, indicam que

a) os dados demográficos em centros urbanos relacionam-se com a capacidade de preservação do meio ambiente.

b) a precarização de moradias corresponde à estratégia adotada pelo poder público para o planejamento urbano.

c) as características naturais determinam a capacidade de integração de uma cidade à sua rede urbana.

d) a participação da população nos processos decisórios das políticas urbanas resulta em desequilíbrios ambientais.

e) a expulsão de pessoas das moradias precárias não caracteriza solução para problemas socioeconômicos.

Resposta: E

Comentário:

A segregação socioespacial nas áreas urbanas se manifesta em todas as localidades, embora naquelas menos desenvolvidas e mais pobres ela se mostre de modo mais latente e visível. No caso brasileiro, tanto nas grandes metrópoles ricas do Sudeste, quanto nas cidades menos integradas do Norte e Nordeste o processo de exclusão de parcelas significativas das populações causa e amplia as desigualdades sociais.

Essa segregação muitas vezes se relaciona com as condições naturais e ambientais de cada localidade, a exemplo das favelas do Rio de janeiro, que recobrem os morros e vertentes das encostas da Serra do Mar, ou ainda as favelas de São Paulo, que ocupam espaços às margens dos cursos hídricos urbanos, nas chamadas várzeas ou planícies de inundação. No caso retratado na questão tem-se a favelização característica da Amazônia, onde os rios desempenham um papel fundamental na vida das sociedades locais, seja por questões econômicas, culturais ou políticas.

As palafitas ou casas flutuantes são, assim como as favelas do Sudeste, habitações precárias ocupadas pelas populações de baixa renda, economicamente marginalizadas, e retratam as desigualdades sociais latentes nas áreas urbanas de nações em desenvolvimento. A solução para tal problemática passa pela reformulação de políticas habitacionais nos municípios e o combate à especulação imobiliária, uma vez que a simples retirada das pessoas desses locais traria como resultado apenas a mudança da favelização para outo ponto da cidade. Não basta retirar as pessoas da condição de submoradia, é necessário que sejam criadas condições para que elas possam ter acesso à moradia digna e à cidadania.

Questão 24

Para atender a demanda por energia elétrica em todas as regiões do país ao longo das estações do ano, as linhas de transmissão dispostas no território brasileiro conduzem, quando necessário, eletricidade gerada em uma região com excedente elétrico para regiões com geração deficitária.

(www.aneel.gov.br)

Considerando a matriz e o sistema elétricos brasileiros, pode-se afirmar que:

a) a geração em termelétricas na região Sul é acionada nos meses chuvosos, quando ocorre queda da oferta nacional.

b) a produtividade das hidrelétricas no Sul e Sudeste é limitada e insuficiente no inverno para suprir a demanda regional.

c) a operação de usinas nucleares na região Norte independe da variabilidade climática e abastece todo o país.

d) a energia eólica no Centro-Oeste, de alta produtividade no inverno, é suficiente para atender sua demanda anual.

e) a energia solar gerada na região Nordeste durante o verão é armazenada e transmitida durante o inverno.

Resposta: B

Comentário:

O Brasil possui um dos mais diversificados potenciais energéticos do mundo, com a vantagem de dispor de múltiplas opções de energias alternativas, principalmente aquelas associadas aos elementos climáticos. Porém, esse potencial encontra-se irregularmente distribuído pelo território nacional, observando-se áreas de grande disponibilidade e baixo consumo, bem como outras localidades onde o consumo excede à disponibilidade. Daí a necessidade de se estabelecer um sistema integrado por linhas de transmissão que conecte as áreas de maior produção àquelas de mais elevados consumos.

Mesmo com a abundância de opções, no Brasil predomina o uso da energia hidráulica, que depende diretamente do regime de chuvas e do nível de vazão dos rios. Assim, nas regiões de climas tropicais, como o Sudeste e o Centro-Oeste, tem-se elevada produtividade durante o verão chuvoso, mas durante o período seco do inverno essa produtividade decresce, demandando o complemento pela energia produzida em outras regiões, com destaque para o Norte. Essa oferta sazonal pode ser acrescida durante o período seco também pelo funcionamento de usinas termelétricas instaladas na região Sul.

Embora recebam investimentos na atualidade, outras fontes alternativas como eólica e solar ainda apresentam produtividade muito baixa, destacando-se a produção eólica do Nordeste (no Rio Grande do Norte) e a produção solar residencial no Centro-Sul. Porém, ainda com níveis baixos e voltados ao consumo local. Assim como a energia nuclear, que mesmo com os recentes investimentos estatais, ainda produz pouca energia, nas únicas usinas do tipo situadas em Angra dos Reis (RJ).

Questão 25

(http://francais.rt.com)

Em uma partida do campeonato francês, a torcida adversária relacionou o país Catar e o clube PSG, comprado por um fundo de investimento árabe, ao Estado Islâmico (Daesh). No contexto da crise migratória na Europa, essa manifestação expressa

a) a contradição da assistência humanitária compulsória dos europeus aos países árabes.

b) a insatisfação da população europeia com a assinatura de livre residência aos árabes.

c) o discurso de intolerância que associa os imigrantes árabes ao terrorismo.

d) o modo como os países árabes têm conquistado a permanência de sua população na Europa.

e) o descontentamento da população com o envio de embarcações estatais para o resgate de refugiados.

Resposta: C

Comentário:

Uma grave crise imigratória assola a União Europeia desde 2014, em decorrência do massivo fluxo de refugiados provenientes do Norte de África e do Oriente Médio, duas regiões assoladas por conflitos civis e desigualdades sociais latentes, que promovem intensa repulsão das populações nativas. A proximidade geográfica e a estabilidade econômica fazem do bloco europeu um destino atrativo para esses fluxos migratórios.

Porém, após os atentados terroristas de 2001, no chamado “Mundo Ocidental”, passou a existir uma associação indevida entre a religião islâmica (e por consequente a quase totalidade dos povos árabes) e os grupos extremistas que financiam e realizam tais ataques. Se aproveitando desse senso comum, grupos conservadores e radicais da Europa ampliaram sua influência política em vários países, ao mesmo tempo em que se veem aumentados os movimentos e discursos xenofóbicos contra tais povos refugiados.

A crise financeira que assola atualmente o bloco europeu ampliou ainda mais o choque entre os nativos europeus e os imigrantes provenientes dessas duas regiões, acusados por parcelas da população europeia de serem os responsáveis pela estagnação financeira do bloco. Assim, partidos ultraconservadores e movimentos populares radicais da Europa, tais como os neonazistas e os skinheads, protestam abertamente contra as políticas de aceitação dos refugiados, aumentando ainda mais a tensão social no continente.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA - SEGUNDA FASE UFU 2020

 



PRIMEIRA QUESTÃO

No Fórum Mundial em Davos (2020), a secretária executiva da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), Alicia Bárcena, afirmou que “a desigualdade é a causa estrutural da agitação social na América Latina e no Caribe”.

 Disponível em: CEPAL, 2019. http://repositorio.cepal.org Acesso em: 28 fev. 2020.

 Sobre a temática apresentada no texto, responda.

a) Descreva as principais causas históricas da desigualdade social e econômica na região (América Latina e Caribe)?

Comentário:

A desigualdade socioeconômica observada atualmente nas nações da América Latina e do Caribe encontra-se assentada sobre uma combinação de múltiplos fatores, que permeiam o próprio desenvolvimento histórico dessas sociedades. Porém, muitos desses fatores se tornaram ainda mais latentes a partir da transição do século XIX para o século XX.

Pode-se mencionar inicialmente o processo de colonização europeia, comandado principalmente por portugueses e espanhóis, que implantaram nessas nações colônias de exploração, retirando muitas vezes a maior parte dos recursos naturais que poderiam favorecer ao futuro ao desenvolvimento dessas nações, bem como estabelecendo um Pacto Colonial, que impedia toda e qualquer tentativa de desenvolvimento econômico próprio e independente nas colônias. Outro aspecto associado a esse regime colonial foi o estabelecimento de uma base laboral escravocrata em muitas dessas sociedades, a qual se materializa ainda hoje em processos discriminatórios e excludentes em relação a vários grupos raciais nesses países.

Após os processos de independência dessas nações, e principalmente a partir da segunda metade do século XX, elas passam a estar sob o domínio econômico dos Estados Unidos, naquilo que se convencionou a chamar de Imperialismo Estadunidense, que implantou um processo exploratório similar ao que outrora era realizado pelas potências europeias. Esse domínio por parte dos Estados Unidos explorou ainda mais os recursos naturais de valor econômico, limitando ainda mais as possiblidades de desenvolvimento.

Ainda durante esse contexto de século XX, o período da Guerra Fria trouxe consigo o intervencionismo político dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe, quando muitos regimes autoritários e ditatoriais foram elevados ao poder, com apoio estadunidense, sob a justificativa de conter o avanço do ideário socialista da União Soviética. Nesse período, além do cerceamento de liberdades individuais, observou-se a ampliação do endividamento externo, que era usado pela potência americana como ferramenta de garantia à dominação política e econômica, e aprofundou ainda mais as desigualdades econômicas entre os países.

Ao término da Guerra Fria essas nações, amplamente endividadas e dependentes, dão início à implantação do Neoliberalismo econômico, sob a justificativa de obter austeridade financeira e garantir o pagamento das dívidas externas anteriormente contraídas. As políticas de privatizações de empresas estatais diminuíram drasticamente os já pequenos ganhos econômicos dos governos nacionais, assim como os cortes de investimentos sociais agravaram ainda mais os abismos socioeconômicos sentidos pelas populações desde o período colonial, reproduzindo e ampliando assim o quadro de pobreza e miséria observado hoje na maioria das nações dessa porção do continente americano.

b) Apresente dois países da região (América Latina e Caribe) onde a crise econômica e social tem se agravado na última década, identificando a principal causa desse processo.

Comentário:

Em decorrência dessa combinação de fatores históricos observada nos países da América Latina e do Caribe, atualmente a maioria dessas nações enfrentam algum tipo de crise, seja ela de âmbito político, econômico ou social, quando não todas ao mesmo tempo. Embora as bases dessas crises sejam muitas vezes comuns nessas nações, os agravantes contemporâneos apresentam diferenciações decorrentes das especificidades de cada país. Dentre as principais crises nacionais contemporâneas podem ser destacadas:

- Venezuela: encontra-se atualmente em crise institucional, em decorrência do autoritarismo político implementado pelo atual presidente, Nicolás Maduro, que enfrenta forte pressão popular interna e internacional. A crise socioeconômica venezuelana se intensifica, dentre outros fatores, pela desvalorização do petróleo no mercado mundial, produto que responde por grande parte do PIB nacional, além da falência do modelo bolivariano implantado pelo ex-presidente Hugo Chávez, assim como as sanções impostas pelos Estados Unidos, o grande opositor político ao regime venezuelano.

- Haiti: país mais pobre das Américas, que apresenta indicadores sociais similares aos observados em nações da África Subsaariana. No Haiti a crie atual deriva da combinação entre a corrupção endêmica no Estado haitiano, que atravessou sucessivos golpes políticos e regimes ditatoriais ao longo do século XX, mas principalmente por conta do grande terremoto que assolou o país em 2010, agravando ainda mais os quadros internos de miséria crônica e desigualdades sociais. Por ser uma nação amplamente dependente de ajuda internacional, o Haiti sofreu indiretamente o peso da crise global que se instaurou a partir de 2008, reduzindo o aporte financeiro externo à sua economia.

- Honduras, Guatemala e El Salvador (conjunto de nações conhecido atualmente como Triângulo Norte da América Central) apresentam hoje quadros de grave falência socioeconômica. Nessas três nações a crise contemporânea decorre do amplo endividamento externo, combinado com a atuação de grupos criminosos relacionados principalmente com o narcotráfico da América do Sul em direção à América do Norte. A violência das gangues que atuam em El Salvador produziu nos últimos anos dados referentes a homicídios similares aos números de mortos na Guerra Civil da Síria.

- Nicarágua: Assim como o Haiti, o país ao longo do século XX atravessou sucessivos golpes de Estado e regimes autoritários, que criaram nesse contexto um quadro de marcante instabilidade política e econômica na nação, que afeta diretamente seus indicadores sociais. A recente crise decorre da combinação entre um regime autoritário imposto pelo atual presidente Daniel Ortega, que instaurou no país um regime bolivariano desde 2007, e o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos na década de 1980 e intensificado recentemente em retaliação ao governo Ortega.

SEGUNDA QUESTÃO

Comércio Mundial de Serviços (coluna 1) e de Mercadorias (coluna 2), 2004 – 2014

 

                   OMC. Estadísticas del comercio internacional 2015. Disponível em: http://www.wto.org. Acesso em 01 mar. 2020.

A Organização Mundial do Comércio (OMC), que sucedeu ao Acordo Geral de Tarifas e Comércio (General Agreement on Tariffs and Trade – GATT) na regulação do comércio mundial, constitui-se como o principal resultado da Rodada Uruguai. Ainda que a OMC não seja imune às pressões advindas dos principais atores internacionais, sua existência é de vital importância para países como o Brasil, por exemplo.

A partir do gráfico e do texto apresentados, responda.

a) Que fator explica a queda no crescimento do comércio global apresentado no gráfico?

Comentário:

O período de queda observado no gráfico refere-se à transição entre os anos de 2008 e 2009, que altera o constante crescimento observado tanto no comércio de serviços, quanto de mercadorias desde 2004. O decréscimo observado nesse ano foi decorrente da crise global iniciada pela explosão da bolha imobiliária dos Estados Unidos, que rapidamente afetou o sistema bancário da potência americana e posteriormente alastrou-se pelo mundo, por consequência da intensa integração econômica promovida pela globalização.

Ocupando os Estados Unidos o papel de maior potência econômica mundial nesse início de século XXI, qualquer aspecto negativo ou positivo de sua economia promove repercussões em todas as demais economias integradas. Por tratar-se de um dos maiores mercados consumidores do mundo, e também um dos maiores fornecedores de bens industriais, tecnologias e serviços globais, a queda nas importações e exportações estadunidenses produziu impactos negativos nas economias todas as outras nações do mundo.

Como a economia global encontra-se assentada em bases informacionais, e os investimentos contemporâneos são predominantemente especulativos, as bolsas de valores ao redor do mundo entraram em colapso, com a retirada massiva de capitais pelos investidores temerosos do aprofundamento da crise, diminuindo o capital circulante e a liquidez dos mercados, causando queda geral nos níveis de consumo e produção globais.

b) Indique três fatores que explicam o crescimento do comércio internacional a partir da década de 2010.

Comentário:

Após a recessão econômica decorrente da crise imobiliária nos Estados Unidos o mundo começa um processo de retomada do crescimento econômico a partir de 2010, sendo que esse crescimento é favorecido indiretamente pelo decréscimo do período anterior. Como houve redução substancial do comércio global em 2008, a queda na demanda nos mercados globais promoveu uma elevação da oferta de produtos, o que ocasionou, pela lei do mercado, o barateamento de muitas mercadorias, com destaque para as commodities, principalmente o petróleo e o minério de ferro.

A busca pela retomada do crescimento econômico estagnado a partir de 2008 promoveu a intensificação da produção industrial e consequentemente da demanda por commodities. Países menos desenvolvidos como o Brasil ampliaram a exportação de produtos primários para as grandes potências mundiais, que por sua vez aumentaram a oferta de bens industriais no mercado global. A queda do preço internacional do petróleo também serviu para ampliar o ritmo de produção industrial nas grandes potências econômicas, como os Estados Unidos, cuja matriz energética é amplamente dependente do petróleo importado do Oriente Médio.

Nos países em desenvolvimento a adoção e políticas de incentivo ao consumo por parte dos Estados Nacionais, como se observou no Brasil através do corte de impostos sobre a produção  e comercialização das mercadorias, que as tornaram mais acessíveis aos mercados consumidores internos, possibilitando a retomada gradual do ciclo econômico. A aproximação com outras economias emergentes através da formação do BRIC (posteriormente ampliado para BRICS) permitiu a ampliação da produção na Ásia, principalmente na Índia e na China, que além de ampliar a demanda por commodities globais, promoveu a ampliação da oferta de mercadorias industriais, uma vez que essas nações ampliaram os já grandes incentivos para a instalação de multinacionais em seus territórios.

Outro fator determinante para a retomada do crescimento do comércio global foram os avanços no processo de integração informacional entre os mercados, marcados principalmente pelo comércio eletrônico, que permite aos consumidores e fornecedores meios mais rápidos e práticos de comercialização. A comodidade do comércio online combinada às políticas estatais de incentivo ao consumo promoveu um salto no acesso a mercadorias e serviços, reconduzindo o crescimento aos patamares anteriores à crise de 2008.

c) Explique a função da Organização Mundial do Comércio (OMC) no comércio global.

Comentário:

A Organização Mundial do Comércio (OMC) foi materializada a partir da evolução de um organismo anterior, chamado Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT, na sigla em inglês) que havia sido criado na Conferência Econômica de Havana em 1947, no contexto de formulação de instituições e organismos que possibilitassem a expansão da economia estadunidense após a Segunda Guerra Mundial.

A função do GATT era atuar na liberalização do comércio mundial, buscando a redução ou eliminação das tarifas alfandegárias e barreiras protecionistas, que limitavam os fluxos de mercadorias entre as nações aliadas aos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria. Na prática, a fundamentação dessa organização era abrir o mercado dos países aos produtos estadunidenses, uma vez que a potência americana tornava-se a maior produtora e fornecedora de mercadorias industriais no chamado Mundo Capitalista.

Embora ditasse as regras para o livre comércio internacional, o GATT não possuía poder punitivo para coibir às nações que não adotassem posturas de combate efetivo ao protecionismo comercial. Atuava mais como um órgão normativo do que um organismo controlador, o que levou muitas nações a adotar a mesma postura dos Estados Unidos, que era de defender o livre comércio, mas não diminuir suas próprias barreiras protecionistas. Assim o organismo já não surtia mais o efeito inicial de beneficiar as exportações e importações estadunidenses.

Desse modo, em 1995 o GATT e transformado em OMC, mantendo os mesmos preceitos de 1947, pautados na busca da liberalização do comércio mundial e na abertura dos mercados através do combate ao protecionismo, porém agora com poder punitivo de aplicar sanções econômicas e comerciais às nações que descumprissem os acordos firmados. Nas reuniões da OMC (que são conhecidas como Rodadas) são estabelecidos acordos e assinados tratados a respeito das políticas tarifárias do comércio entre as nações, e cabe à organização fiscalizar se essas nações estão ou não cumprindo devidamente as diretrizes estabelecidas, e eventualmente punir desvios de conduta.

Cabe ressaltar que os membros da OMC assinam espontaneamente os acordos, porém após a sua assinatura torna-se obrigatório seu cumprimento. Caso uma nação se sinta prejudicada em alguma relação comercial ou acredita que um parceiro esteja descumprindo um tratado assinado anteriormente este deve denunciar o caso à OMC, que se reunirá para debater a questão e chegar a uma conclusão, e caso se faça necessário, aplicar as devidas sanções ao membro acusado.