quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA - SEGUNDA FASE UNESP 2020




Questão 04

Kim Jong-un atravessou o paralelo 38 que divide a Península Coreana às 9h28, hora local desta sexta-feira, e se tornou o primeiro governante do Norte a pisar no Sul desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953. Do outro lado da fronteira, ele foi recebido por Moon Jae-in, o presidente eleito em 2017 com uma plataforma que defende a coexistência pacífica e a cooperação entre os dois lados separados em zonas de influência comunista e capitalista depois da Segunda Guerra.



(Claudia Trevisan. “Em encontro histórico na Coreia do Sul, Kim fala em ‘novo capítulo’ e ‘era de paz’”. https://internacional.estadao.com.br, 26.04.2018. Adaptado.)

a) Descreva o contexto histórico em que ocorreu a Guerra da Coreia.

Comentário:

O processo de guerra e consequente divisão da península coreana se inserem no contexto geopolítico de início da Guerra Fria, com o acirramento entre Estados Unidos e União Soviética no conflito ideológico entre as duas potências que buscavam a hegemonia após a Segunda Guerra Mundial. Por um lado a potência americana buscava ampliar sua influência no continente asiático, através da aproximação com o Japão e a aplicação do Plano Colombo, visando à criação do que se convencionou chamar de “Cordão Sanitário Geopolítico”, para conter o avanço do ideário socialista na região. Por outro lado, a potência europeia visava também a ampliação de sua influência na Ásia, através de sua aproximação com a China, que aderira ao socialismo, sob comando de Mao Tse-Tung, após a Revolução Comunista de 1949.

Nesse contexto, houve a Guerra e a partilha da Coreia no início da década de 1950, tendo a porção ao norte se associado à China e União Soviética, aderindo ao socialismo, sendo chamada a partir de então de República Popular da Coreia ou simplesmente Coreia do Norte, enquanto a porção ao sul associou-se ao Japão e Estados Unidos, tendo aderido ao capitalismo, passando a ser chamada de República da Coreia ou simplesmente Coreia do Sul.

b) Caracterize a atual situação da Coreia do Norte e a da Coreia do Sul, indicando para cada uma delas: regime político, organização econômica e postura diplomática.

Comentário:

A divisão da península coreana e a adoção de sistemas antagônicos em ambas as coreias produziram resultados muito diferentes na atualidade, os quais refletem diretamente nas feições políticas, econômicas, sociais e culturais de suas populações. É latente a diferenciação que há hoje entre as nações, que na prática estão ainda em guerra, uma vez que foi assinado apenas um armistício entre ambas e não um tratado definitivo de paz na década de 1950.

Na Coreia do Norte, sob o comando atual do presidente Kim Jong-un é adotado um regime político autoritário e centralizador, de preceitos ditatoriais, similar àquele adotado por muitas nações socialistas durante a Guerra Fria, onde o chefe de Estado tem poderes plenos sobre toda a população. No que tange às questões econômicas o país mantém um regime socialista, de feições comunistas, coibindo as propriedades privadas, a livre concorrência e a lei de mercado no país, detendo o Estado o monopólio sobre a produção. Em relação à postura diplomática o governo adota uma estratégia isolacionista em relação ao chamado “mundo externo”, mantendo relações mais próximas apenas com a China e a Rússia. Porém, cabe destacar a recente tentativa de aproximação entre o governo norte-coreano e o governo estadunidense, sob o comando do presidente Donald Trump, embora toda investida diplomática em prol da superação do isolamento do país esbarra na realização de um novo teste em seu criticado programa nuclear.

Na Coreia do Sul, sob o comando do atual presidente Moon Jae-in é adotado o regime político da democracia presidencialista, no qual o presidente comanda um governo multipartidário estabelecido mediante votação, havendo a divisão entre os poderes legislativo, executivo e judiciário. No que tange às questões econômicas, o país adota uma economia capitalista de mercado, com incentivos estatais à propriedade privada, livre concorrência e abertura a investimentos externos, o que possibilitou à nação a posição de Tigre Asiático a partir da década de 1970, quando passou a receber vultosos investimentos industriais do Japão e dos Estados Unidos. Em relação à postura diplomática o país mantém relações políticas e comerciais com outras nações, respeita os tratados internacionais (diferentemente de seu vizinho do norte) e adota medidas de ampliação da integração tanto na esfera regional quanto na esfera global, o que trouxe ao país nas últimas décadas um intenso crescimento econômico, acompanhado por um maciço desenvolvimento social, garantindo-lhe um caráter de nação emergente.

Questão 05

Divisão Internacional do Trabalho, século XX



(James O. Tamdjian e Ivan L. Mendes. Geografia, 2013. Adaptado.)

a) Identifique e caracterize a regionalização socioeconômica representada no mapa.

Comentário:

A regionalização socioeconômica do mundo reflete claramente o contexto geopolítico das sociedades, e impactam diretamente na chamada Divisão Internacional do Trabalho – DIT. Antes do modelo de organização apresentado por esse mapa, havia uma divisão que vigorou até o término da Guerra Fria, quando se dividia as nações entre aquelas do “Mundo Oriental”, as quais aderiram ao socialismo soviético e aquelas nações do “Mundo Ocidental”, representadas por países que aderiram ao modelo capitalista de produção. Nesse contexto os limites entre os dois mundos era estabelecido pela chamada Cortina de Ferro, uma linha imaginária que separava a zona de influência dos Estados Unidos daquela comandada pela então União Soviética. Tal divisão se baseava em parâmetros marcadamente ideológicos e políticos.

Por outro lado a divisão apresentada pelo mapa traz a visão do período posterior a essa bipolaridade ideológica, quando o sistema capitalista se sobrepôs ao modelo socialista e os Estados Unidos passaram a ter hegemonia global nos campos políticos e econômicos. Sendo o mundo a partir de então “todo capitalista”, a divisão oriente-ocidente perdeu sua fundamentação, e foi substituída por uma divisão entre o “Mundo Norte” (em verde) representado pelas grandes potências econômicas capitalistas, que passaram a ter domínio sobre a geopolítica global e o “Mundo Sul” (em laranja), composto pelas nações de menor desenvolvimento econômico, que assumem um papel mais secundário no cenário global pós década de 1990. Os limites dessa divisão se estabelecem pela chamada Linha do Desenvolvimento, uma linha imaginária que separa as potências nortistas das periferias sulistas.

b) Descreva, em linhas gerais, os fluxos produtivos entre os dois grupos indicados no mapa.

Comentário:

Os desníveis socioeconômicos observados entre as nações do Norte e do Sul impactam diretamente em sua produção econômica, bem como em sua posição na Divisão Internacional do Trabalho, de modo que cabe às potências nortistas um papel de destaque no comércio e nos fluxos de bens e serviços de alto valor agregado, ao passo que às nações em desenvolvimento e emergentes sulistas cabe um papel secundário de fornecedores de bens e serviços de menor valor agregado, o que corrobora para a manutenção das disparidades globais, fundamentais para a manutenção do modelo de produção capitalista.

Desse modo, provém das nações mais desenvolvidas do Norte produtos industriais de alta tecnologia, investimentos diretos (através de filiais de grandes multinacionais) e indiretos (através de empréstimos financeiros de grandes organizações bancárias), mão de obra de alta qualificação, tecnologia produtiva para empresas situadas nas nações menos desenvolvidas, dentre outros fluxos.

Ao mesmo tempo, provém das nações menos desenvolvidas do Sul produtos primários, agrupados atualmente sob o nome de commodities (como alimentos, matérias primas e fontes de energia), mão de obra de baixas qualificação e remuneração, lucros advindos das filiais de multinacionais ali instaladas, juros dos pagamentos dos empréstimos internacionais contraídos, mercados consumidores potenciais para produtos de alto valor agregado, além de royalties pagos pelo uso de tecnologias controladas pelas grandes potências, dentre outros.

Dessa forma, embora todas as nações mundiais participem dos fluxos globais no atual estágio do modelo de produção capitalista, e se beneficiem mutuamente das relações de interdependência, os ganhos não podem ser considerados homogêneos ou equivalentes, uma vez que os bens e serviços ofertados pelas grandes potências do Norte possuem um valor agregado e uma margem de lucro muito maiores do que aqueles produtos mais simples e baratos que são ofertados pelas nações em desenvolvimento e emergentes do Sul, conservando assim o quadro de desigualdade socioeconômica que permite a exploração e garante a criação da mais-valia que sustenta o modelo capitalista.

Questão 06

A partir da Constituição de 1988, diante da frustração com relação às perspectivas de realização de ampla reforma agrária, uma das mudanças verificáveis nos conflitos em torno do controle territorial tem sido a busca de acionamento, cada vez mais intensa, de dispositivos legais que correspondam à garantia de realização de interesses de grupos sociais atingidos por iniciativas governamentais ou privadas. Na busca da manutenção do acesso e controle sobre territórios e recursos naturais, vários grupos sociais têm procurado identificar, na legislação brasileira, instrumentos que lhes facultem a permanência na terra.

(Horácio A. Sant’ana Júnior. “Projetos de desenvolvimento e a criação de reservas extrativistas”. In: Neide Esterci et al (orgs.). Territórios socioambientais em construção na Amazônia brasileira, 2014. Adaptado.)

a) Cite dois grupos sociais da Amazônia que lutam pelos seus direitos de permanência na terra.

Comentário:

Com o atual estágio de expansão da fronteira agrícola no Brasil em direção à região Norte, a Amazônia começa a ser ocupada a partir da década de 1990, do mesmo modo que o Cerrado foi a partir da década de 1960. Desse modo, surgem conflitos de interesses entre os habitantes tradicionais da floresta, que reivindicam o direito de permanência e de acesso legalizado à terra que ocupam há muito tempo, e os novos grupos que chegam à região, atraídos pela disponibilidade e pelo baixo preço da terra na floresta.

Dentre os grupos que reivindicam a posse e propriedade das terras que ocupavam antes da chegada da agricultura moderna na floresta se destacam os povos indígenas (aldeados ou não), grupos quilombolas que vivem em comunidades no interior da Amazônia, grupos de seringueiros e extrativistas que se valem dos recursos naturais da mata, comunidades ribeirinhas, geralmente de pescadores e pequenos agricultores familiares ali estabelecidos. Grande parte desses grupos usufrui da terra, mas sem possuir direitos legais (propriedade documental) sobre ela.

Há por outro lado, em detrimento dos direitos desses povos tradicionais, os interesses dos “novos povos da floresta”, atraídos pela expansão da fronteira agrícola, representados por madeireiros (geralmente clandestinos), posseiros, grileiros e grandes latifundiários, que visam, através da aquisição legal ou posse ilegal da terra, à produção agropecuária para exportação, principalmente vinculada à pecuária de corte e à sojicultura. Advém desse conflito de interesses o crescente processo de violência no campo na região norte, que regista números cada vez maiores de mortes ligadas a disputas de terra.

b) Apresente dois motivos que justificam a permanência desses grupos sociais na terra.

Comentário:

A permanência desses povos tradicionais nas terras que eles ocupam na floresta possui uma combinação de várias justificativas, dentre as quais se destaca a questão econômica, uma vez que em sua maioria se trata de comunidades extrativistas de subsistência, como os coletores de castanha do Pará, e pescadores, que dependem diretamente da disponibilidade dos recursos naturais para que tenham acesso aos bens necessários ao seu sustento, bem como as cooperativas de grupos seringueiros, que dependem da manutenção dos seringais (nativos ou plantados) para  a obtenção de sua subsistência, ou ainda as comunidades quilombolas, que praticam a agricultura familiar e dependem da terra para produção de gêneros alimentícios e matérias primas para atividades artesanais ou manufatureiras.

Há ainda a questão étnico-cultural, uma vez que grande parte desses grupos possui raízes e hábitos tradicionais ligados às áreas habitadas e aos recursos ali disponíveis, que possuem por vezes um caráter religioso, como no caso dos povos indígenas, que tem suas crenças ligadas à valorização espiritual dos ambientes ocupados. Portanto, a conservação desses traços culturais depende diretamente do acesso e conservação dessas feições naturais.

Além disso, existe o aspecto jurídico, que se refere à garantia legal da propriedade sobre a área habitada tradicionalmente por esses povos, como forma de garantir sua própria sobrevivência, uma vez que garantida a propriedade legal sobre a terra, seriam reduzidas as ações de grileiros e invasores na região, ou pelo menos haveria um subsídio legal para que o Estado as coibisse, o que poderia diminuir os quadros de violência na floresta e as mortes ligadas a conflitos fundiários na Amazônia.

Questão 07

Circulação geral da atmosfera



(Fillipe T. P. Torres e Pedro J. O. Machado. Introdução à climatologia, 2011. Adaptado.)

a) Identifique as pressões atmosféricas nas latitudes 0º e 30º.

Comentário:

As pressões atmosféricas da Terra se relacionam diretamente com as condições de temperatura dos gases que recobrem a superfície do planeta e as condições de altimetria das localidades. De forma geral, tem-se que o deslocamento dos ventos origina-se sempre nas zonas de alta pressão, também chamadas de anticilonais, e chegam sempre nas zonas de baixa pressão, também chamadas de ciclonais.

Sabe-se que na latitude de 0º, próximo à linha do Equador, forma-se uma zona de baixa pressão, que recebe os ventos alísios, os quais partem das zonas de alta pressão situadas nas faixas latitudinais de 30º nos hemisférios Norte e Sul. Nas áreas próximas às latitudes de 66ºN e 66ºS se formam duas áreas de baixa pressão, receptoras de ventos provenientes das áreas de 30º nos dois hemisférios, bem como das latitudes polares de 90ºN e 90ºS, onde se formam áreas de alta pressão atmosférica.

b) Explique a dinâmica da ZCIT e indique uma consequência de sua atuação.

Comentário:

A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) forma-se sobre as baixas pressões observadas na linha do Equador, e decorre do encontro dos ventos alísios de Nordeste e Sudeste, que sopram a partir das altas pressões das faixas de 30N e 30S, respectivamente. Por se tratarem de ventos quentes e carregados de umidade, ao se encontrarem na zona de calmaria equatorial se tornam menos densos e ascendem para as camadas mais altas da troposfera, onde as temperaturas são mais baixas, levando a ar úmido a condensar-se e precipitar sobre a área equatorial.

Desse modo, a ZCIT é responsável por grande parte das chuvas que ocorrem nas baixas latitudes, uma vez que ali se condensa a umidade trazida pelos ventos alísios, dando origem a chuvas do tipo convectivas, que no caso do Brasil intensificam a já elevada umidade da região amazônica, decorrente da evapotranspiração da floresta e da evaporação das águas superficiais da bacia homônima que drena a porção norte do país.

Após a convergência e ascensão dos ventos alísios, os fluxos de ar frio das camadas mais altas da troposfera equatorial, já secos após a ocorrência das chuvas, são empurrados em direção aos trópicos terrestres, passando a ser chamados de contra-alísios, sendo ventos frios, secos e de elevada altitude. Ao chegar às zonas de 30N e 30S esse ar fio mais denso começa um movimento descensional em direção à superfície, formando áreas secas nessas latitudes, que dão origem aos grandes desertos terrestres.

Questão 08

A imagem ilustra uma estrutura que atende às diretrizes do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), criado durante a Conferência de Kyoto, em 1997.



(www.rondonia.ro.gov.br, 15.04.2014. Adaptado.)

a) Identifique a estrutura esquematizada e cite um dos gases liberados pelo percolado.

Comentário:

A problemática relativa à produção de lixo nos grandes centros urbanos configura-se hoje como um dos grandes desafios para  planejamento urbano e para a busca do estabelecimento de cidades cada vez mais sustentáveis. Dentro dessa lógica há duas variáveis importantes a serem observadas pelos gestores públicos, sendo a primeira a questão da quantidade de resíduos sólidos produzidos pelas sociedades modernas, e a segunda, e mais importante, relativa à destinação correta desses resíduos, posto que após o descarte do lixo ele continue gerando uma cadeia de problemas e consequências ao ambiente.

No diagrama apresentado pela questão tem-se a construção e a utilização de um aterro sanitário em uma localidade de São Paulo. Essa estrutura é planejada e estabelecida para dar a destinação menos impactante aos resíduos sólidos descartados pelas populações, sendo muito mais eficiente que os tradicionais lixões. Por ser uma estrutura planejada ela deve contar com a execução de etapas minuciosas de construção e funcionamento, começando pela impermeabilização da área onde o lixo será depositado, para evitar que efluentes líquidos (chorume) infiltrem e contaminem o solo e as águas subterrâneas.

Na medida em que o lixo vai sendo depositado em camadas horizontais, essas devem ser cobertas com camadas de terra para que não haja mistura da água da chuva com os resíduos sólidos em decomposição e nem liberação excessiva de gases como metano, o dióxido de carbono, amônia, gás sulfídrico (...) para a atmosfera, agravando outros problemas ambientais. Enquanto o aterro vai sendo preenchido, gases como o metano (altamente inflamável) devem ser coletados e retirados do sistema por medida de segurança, podendo ser simplesmente incinerado (reduzindo assim o acúmulo de calor na atmosfera, posto que o CH4 é um gás do efeito estufa muito mais nocivo que o CO2) ou encaminhado para centrais elétricas, onde pode ser usado de modo sustentável como biogás. Do mesmo modo, o chorume também deve ser coletado e canalizado para centrais de decantação, onde se separa a água (que será devolvida a mananciais ou usada na limpeza das estruturas) da fração orgânica (que pode ser usada como fertilizante ou adubo agrícola).

b) Apresente a principal meta do MDL e cite outra medida, além da esquematizada, para alcançá-la.

Comentário:

Os chamados Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) foram estabelecidos no final da década de 1990, quando da realização do Protocolo de Kyoto, a respeito do aquecimento global e das mudanças climáticas decorrentes das atividades antrópicas ao longo do tempo. Nesse protocolo ficou estabelecido que a principal meta seria a redução das emissões de gás carbônico, principalmente pelas grandes potências mundiais, históricas consumidoras de combustíveis fósseis e automaticamente poluidoras da atmosfera. Porém, nações não desenvolvidas deveriam ser também incentivadas a reduzir suas emissões de CO2, e para tanto foram estabelecidos os MDL.

De modo geral, os MDL são representados por propostas e ações que sejam capazes de reduzir a produção de gás carbônico, sem trazer grandes afetações econômicas sobre as nações que os adotem, posto que esse era o principal argumento de rejeição dos acordos e propostas realizadas em Kyoto. Desse modo, esses mecanismos estão sempre associados a práticas que diminuam a liberação atmosférica desse gás, ou a ações que garantam seu sequestro através do processo de fotossíntese. Portanto, ações como a revisão das matrizes energéticas e ampliação do uso de fontes renováveis de energia, investimentos em transportes públicos de massa, combate ao desmatamento e queimadas das florestas nativas, programas de reflorestamento e revegetação de áreas devastadas, incentivo a práticas sustentáveis como a reciclagem de resíduos sólidos, compostagem de resíduos orgânicos, entre outras, podem ser mencionadas como maneiras de incentivo às nações para que elas atinjam as metas estabelecidas no protocolo de 1997.


terça-feira, 17 de dezembro de 2019

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA - UEG 2020




Questão 30

Leia o texto a seguir. A Grande Depressão confirmou a crença de intelectuais, ativistas e cidadãos comuns de que havia alguma coisa fundamentalmente errada no mundo em que viviam. Quem sabia o que se podia fazer a respeito? Certamente poucos dos que ocupavam cargos de autoridade em seus países e com certeza não aqueles que tentavam traçar um curso com os instrumentos de navegação tradicionais do liberalismo secular ou da fé tradicional, e com cartas dos mares do século XIX, nas quais era claro que não se devia mais confiar.

HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 86.

O texto citado revela que as mais bem-sucedidas medidas econômicas utilizadas para combater os efeitos da Crise de 1929 advieram de novas posturas em relação às teorias econômicas vigentes, como aquelas colocadas em prática pelo presidente norte-americano Franklin Roosevelt. Essas medidas consistiram basicamente

a) na manutenção do padrão-ouro como base das transações internacionais e como antídoto para combater os efeitos da hiperinflação.

b) na adoção dos chamados Planos Quinquenais, de inspiração soviética, aumentando a presença do Estado em setores estratégicos da economia.

c) no aumento dos gastos públicos, por inspiração dos preceitos keynesianos, para estimular a criação de empregos e amparar socialmente os trabalhadores.

d) no apego a uma ortodoxia financeira liberal, procurando manter o equilíbrio do orçamento por meio de cortes de despesas públicas.

e) no estímulo e ocupação da fronteira agrícola do oeste para aumentar a produção de alimentos e consequentemente diminuir os efeitos da fome.

Resposta: C

Comentário:

A crise econômica causadora da quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929 foi decorrente da superprodução associada ao modelo fordista de produção, dominante na sociedade capitalista ocidental no período. A superprodução industrial da época levou ao aumento intenso da oferta de mercadorias, ocasionando a redução dos preços dos produtos, causando uma queda acentuada dos lucros, que desencadeia a crise, inicialmente na economia estadunidense e posteriormente espalhada pelo mundo.

Como resultado da crise houve grande onda de desemprego conjuntural nos Estados Unidos, o que reduziu anda mais o consumo e agravou ainda mais a recessão econômica. Portanto, a necessidade era de ampliação da renda da população, visando à retomada do poder de compra e o consumo das mercadorias estocadas. Assim, o Estado passa a intervir na economia, através do modelo keynesiano, o qual estabelece o chamado Estado do Bem Estar Social – EBES, com o intuito de retomar a geração de emprego e renda.

Questão 34

Nas semifinais da copa do mundo de futebol, realizadas no Brasil em 2014, a seleção brasileira jogou contra a Alemanha, no estádio do Mineirão em Belo Horizonte – MG, em partida que teve início às 17 horas do dia 8 de julho de 2014. Considerando os fusos horários de Brasil (-3UTC) e Alemanha (+1UTC, desconsiderando o horário de verão), os brasileiros que estavam na Alemanha assistiram ao jogo a partir das

a) 15 horas

b) 13 horas

c) 21 horas

d) 19 horas

e) 23 horas

Resposta: C

Comentário:

Os fusos horários foram definidos a partir do século XIX, com base na divisão da superfície da terra em 24 faixas de 15º de longitude, uma para da hora do dia (período de uma rotação da Terra). Desse modo, tem-se a partir do meridiano de referência, chamado de Meridiano de Greenwich (0º) 12 fusos horários para leste, que representam 12 horas adiantadas, e outros 12 fusos horários para oeste, referentes a 12 horas atrasadas em relação ao horário em Greenwich.

O território brasileiro, por estar localizado a oeste do meridiano de referência, encontra-se nos fusos atrasados, e por ter uma grande extensão longitudinal possui não um, mas quatro fusos diferentes, sendo eles 30ºO, 45ºO, 60ºO e 75ºO. O fuso de 30ºO refere-se ao horário nas ilhas oceânicas brasileiras (Fernando de Noronha, Atol das Rocas (...)); enquanto o fuso de 45ºO corresponde ao fuso de Brasília (regiões Sul, Sudeste e nordeste, além dos estados de Goiás, Tocantins, Pará e Amapá); já o fuso de 60ºO é chamado de fuso da Amazônia (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Amazonas e Roraima); ao passo que o fuso de 75ºO corresponde ao fuso do Acre (borda oeste do Amazonas e o estado do Acre).

Os dados apresentados pela questão mencionam um jogo de futebol ocorrido na cidade de Belo Horizonte, localizada no fuso de Brasília (45ºO), às 17:00, e questiona qual seria o horário nesse mesmo instante na Alemanha, localizada no fuso de 15ºL. Desse modo, sabe-se que a diferença entre Belo Horizonte e Alemanha é de 4 fusos horários (45º + 15º = 60º / 15 = 4 fusos) e como o país europeu está a Leste do Brasil, os fusos devem ser adiantados. Portanto 17:00 (hora em Belo Horizonte) + 4:00 (diferença entre a capital mineira e a Alemanha) = 21:00 (horário no país europeu no mesmo instante).

Questão 35

A globalização corresponde a um conjunto de mudanças, em nível mundial, englobando as esferas econômica, financeira, comercial, social e cultural. Esse processo, quanto às suas origens e características:

a) pode ser datado do período em que os homens estabeleceram contato entre si, visto que desde então começaram a ocorrer trocas de informações, técnicas e culturas.

b) teve como marcos iniciais as grandes navegações e a expansão colonialista e abrange todo o globo, além de possuir ritmo de evolução análogo nas diversas regiões do planeta.

c) diz respeito à fase atual do capitalismo, caracterizada pela grande uniformização de padrões econômicos, sociais e culturais quando comparada às fases anteriores.

d) é originário da intensificação das relações entre países e povos europeus e asiáticos, embora estes mantenham sua independência cultural.

e) teve início na segunda metade do século XX com a expansão das empresas transnacionais à procura de novos mercados consumidores.

Resposta: A

Comentário:

O processo de globalização pressupõe que haja a integração entre indivíduos e lugares (distantes ou próximos), que possibilite a realização de intercâmbios econômicos, políticos e sociais entre esses. Essa ideia de integração se relaciona à aproximação relacional entre espaços e povos, a qual é possibilitada através dos meios de transportes e comunicações, que permitem a existência de uma interligação entre ambos. A combinação entre a integração e a interligação traz consigo a criação de relações de interdependência, em que ambos os lados se beneficiem mutuamente, embora não com a mesma intensidade.

Embora a discussão e o estudo efetivo acerca do processo de globalização advenham do período posterior à Segunda Guerra Mundial, a integração em si é muito mais antiga, e remonta aos primórdios das primeiras civilizações, quando os indivíduos deixaram o nomadismo e aderiram ao sedentarismo, passando a interagir entre si, realizando trocas, inicialmente em âmbito social e cultural e posteriormente na esfera das relações econômicas.

O que se convencionou a chamar de globalização na atualidade é na verdade a evolução e a maximização de um processo antigo, que passou por saltos evolutivos em marcantes eventos históricos, como as Grandes Navegações no século XV, o Neocolonialismo no século XVIII, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria no século XX. Porém, embora o mundo todo seja de algum modo afetado e alcançado pelo processo de globalização, sua amplitude não é análoga nas diferentes partes da Terra, posto que se estabeleça de modo desigual, tal qual o desenvolvimento do modelo capitalista.

Questão 36

Observe o gráfico a seguir.


 Fonte: Censos Demográficos – IBGE

A elevada taxa de urbanização, com crescimento da população urbana, e a queda na população rural verificada entre os anos de 1950 e 1980 se deu, sobretudo, em virtude

a) da modernização da agricultura, que substituiu a mão de obra do trabalhador rural por máquinas agrícolas.

b) da política governamental de distribuição de moradias populares nas diferentes cidades para as famílias de baixa renda.

c) de incentivos governamentais para atrair a mão de obra do campo para a cidade a fim de assegurar o crescimento industrial.

d) do grande crescimento industrial, que atraiu os trabalhadores do campo em busca de trabalho e de melhores condições de vida.

e) do aumento na oferta de escolas e creches nas cidades para os filhos dos trabalhadores rurais que migraram para o espaço urbano.

Resposta: A

Comentário:

O processo de urbanização do estado de Goiás, apresentado pelo gráfico trazido na questão é similar ao processo geral observado no restante do território brasileiro, ao longo da segunda metade do século XX. O processo como um todo se relaciona à atração que as cidades exercem sobre as populações rurais com o advento da industrialização do país a partir da década de 1930, bem como a repulsão sofrida por essa população das zonas rurais a partir do desemprego estrutural, decorrente da modernização agrícola após a década de 1950.

O contexto abrangido pelo gráfico remete à segunda metade do século, portanto se associa diretamente com a urbanização decorrente da modernização do campo com a chamada Revolução Verde. No caso brasileiro a revolução agrícola afeta diretamente a dinâmica demográfica e econômica da região Centro-Oeste, principalmente os estados de Goiás e Mato Grosso, onde a expansão da fronteira agrícola e das lavouras de soja possibilitou a mecanização do campo e a substituição maciça da mão de obra humana por máquinas e implementos, elevando as taxas de êxodo rural e consequentemente de urbanização da região.

Questão 37

O Brexit (saída britânica, em tradução literal) vem sendo discutido desde 2016 quando, num plebiscito, cerca de 52% da população do Reino Unido decidiu pela sua separação da União Europeia (UE). As origens desse movimento separatista se devem

a) à quebra de contrato entre a União Europeia e o Reino Unido, o que gerou uma multa de cerca de 200 bilhões de reais a ser paga pelo Reino Unido.

b) ao fechamento das fronteiras entre a Irlanda do Norte (que compõe o Reino Unido) e a República da Irlanda (país independente que compõe a UE).

c) à percepção da população de que a permanência do Reino Unido na União Europeia trazia prejuízos à economia dos países, especialmente à da Inglaterra.

d) aos conflitos entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda em relação aos acordos comerciais, de imigração e de relações trabalhistas.

e) à dificuldade de cumprimento de acordos comerciais, de imigração, de relações trabalhistas entre o Reino Unido e a União Europeia.

Resposta: C

Comentário:

Atualmente a União Europeia, considerada um exemplo de sucesso nos processos de integração regional entre as nações, vive um impasse que pode ser determinante para o futuro do bloco, que é o processo de saída do Reino Unido do agrupamento econômico europeu, processo conhecido como BREXIT. Há por um lado o interesse de grande parte da população e das lideranças políticas da Inglaterra pela saída do bloco europeu, e por outro lado muita preocupação dos demais membros do bloco, uma vez que essa saída poderia dar início a um êxodo maciço de outros Estados membros da organização.

Uma das maiores motivações para o BREXIT é a preocupação da ala mais conservadora (da população e dos políticos) inglesa de que a crise econômica que assola a União Europeia desde 2014 passe a afetar também a economia do Reino Unido, que por enquanto não se encontra ainda em recessão, bem como a crise humanitária dos refugiados que chegam hoje à Europa force o Estado inglês a abrir as fronteiras para os imigrantes, o que elevaria substancialmente os gastos sociais do governo e poderia desencadear uma severa crise econômica, similar àquela já observada em Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha.

Questão 38

Leia a letra de música a seguir.

Chegou o fim de semana,
todos querem diversão
só alegria, nós estamos no verão [...].

Milhares de casas amontoadas,
Ruas de terra
Esse é o morro [...].

Aqui não vejo nenhum clube poliesportivo
Pra molecada frequentar,
Nenhum incentivo
O investimento no lazer é muito escasso
O centro comunitário é um fracasso [...].

BROWN, Mano. Fim de semana no parque. Intérprete: Racionais MC´s. CD RaioS do Brasil. Zimbabwe, 1993.

A letra da música faz referência a diversos problemas relacionados à vida nas periferias, especialmente das grandes cidades. Quanto a esses problemas, verifica-se que:

a) podem ser correlacionados à falta de regularização do solo urbano em áreas mais distantes do centro da cidade em decorrência das limitações impostas pelos planos diretores municipais.

b) têm suas origens relacionadas às desigualdades sociais, que levam as populações de baixa renda a ocupar áreas inadequadas, tais como encostas de morros e áreas de mananciais.

c) relacionam-se à falta de legislação e de estudos que indiquem as áreas passíveis de ocupação e os espaços que deverão ser preservados nas cidades.

d) são originários da inadequação de políticas habitacionais que promovem a regularização fundiária e reassentamento de populações em áreas de risco.

e) podem ser caracterizados como reflexos da elevada taxa de fertilidade das mulheres brasileiras, especialmente em áreas urbanas.

Resposta: B

Comentário:

A crítica apresentada pelo trecho da música trazido pela questão se relaciona com o processo de favelização no Brasil, decorrente diretamente da acelerada urbanização e da falta de planejamento das cidades do país, em especial as grandes metrópoles, onde a população de baixa renda, incapaz de adquirir áreas propícias para a habitação, muitas vezes supervalorizadas pela especulação imobiliária, são levadas a ocupar áreas de risco em terrenos de alta inclinação, sujeitas a deslizamentos de terras, bem como áreas de várzeas e mananciais, sujeitas a inundações e alagamentos.

O cotidiano desses espaços urbanos obedece à mesma lógica da sociedade capitalista como um todo, posto que as desigualdades socioeconômicas causem a ampliação das exclusões e segregações, levando as populações mais pobres a perderem o acesso às vantagens sociais que a vida nas cidades poderia trazer. Assim, criam-se bolsões de pobreza, onde a maior parte da população não possui acesso ao mínimo de saneamento básico, ou a meios que as possibilite uma vida digna nessas periferias, em contraste com as vantagens alcançadas por uma minoria da população que vive nessas cidades.

Questão 43

Segundo algumas concepções da sociologia do trabalho, a sociedade moderna é fundamentada por relações de produção capitalistas. Em cada período histórico as relações de trabalho no interior da sociedade apresentam diferentes características, fruto de modificações formais nas relações de produção capitalistas. Desta perspectiva, na contemporaneidade as relações de trabalho são pautadas por:

a) aumento dos salários, integração dos trabalhadores por meio do consumo, produção em larga escala.

b) ausência de direitos trabalhistas, ampliação da jornada de trabalho, trabalho infantil e feminino.

c) desregulamentação das leis trabalhistas, subcontratações, desemprego estrutural, produção por lotes.

d) coletivização dos meios de produção, trabalho autodeterminado, produção por demanda social.

e) instituição dos direitos trabalhistas, redução da jornada de trabalho, aumento da produtividade.

Resposta: C

Comentário:

O atual estágio do desenvolvimento econômico capitalista traz consigo a necessidade de reordenamento e reorganização das relações produtivas, principalmente no âmbito trabalhista. Nesse contexto, a flexibilização das regras laborais se faz necessária para que as políticas econômicas, principalmente aquelas associadas ao neoliberalismo obtenham êxito.

Por um lado, os defensores de tais medidas afirmem que elas são capazes de desonerar as contratações de funcionários, incentivando a maior geração de emprego pelas unidades produtivas, por outro lado aqueles que as criticam afirmam que elas reduzem os direitos e a segurança dos trabalhadores, deixando-os mais suscetíveis à exploração pelos contratantes.

Como o neoliberalismo tem se afirmado como modelo hegemônico na sociedade global no período pós Guerra Fria, na contemporaneidade as relações trabalhistas são pautadas na redução dos direitos dos trabalhadores através a desregulamentação das legislações laborais, estabelecimento de contratos temporários de trabalho ou mesmo subcontratações e a terceirização das etapas produtivas, como meios de combater o desemprego crescente nas sociedades modernas.

Questão 48

Em escala global, a presença de aquíferos é de suma importância na manutenção da biodiversidade planetária. Os aquíferos são formados por rochas permeáveis que atuam como reservatórios subterrâneos e transmissores de água. Esses reservatórios são preenchidos com águas de chuva que permeiam os espaços entre as rochas. Durante os períodos de estiagem, por exemplo, esses reservatórios contribuem para a manutenção de rios perenes, para o consumo humano e para a agropecuária. O Brasil abriga o aquífero mais importante do mundo, que está situado na região:

a) centro-oeste e sul do Brasil, de formação paleozóica, o Aquífero de Furnas, localizado nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, sendo pouco produtivo, com água de qualidade pouco satisfatória.

b) centro-leste da América do Sul, o Aquífero Guarani, com 70% localizado no Brasil (de Goiás ao Rio Grande do Sul) e os demais 30% no Paraguai, Uruguai e Argentina, sendo a qualidade da água afetada pela ação antrópica e pela poluição de diferentes tipos.

c) nordeste do Brasil, o Aquífero Cabeças, localizado na Bacia Sedimentar do Parnaíba, ao longo do estado do Piauí, sendo considerado o melhor potencial hidrogeológico, apesar da qualidade da água imprópria para uso doméstico e para irrigação.

d) nordeste do Brasil, na Província São Francisco, o Aquífero Urucuia-Areado, localizado nos estados da Bahia, Minas Gerais, Goiás, Piauí e Maranhão, sendo a água predominantemente bicarbonatada cálcica e pouco mineralizada.

e) norte do Brasil, o Aquífero Alter do Chão, localizado nos estados do Amazonas, Para e Amapá, sendo a disponibilidade da água comprometida pela exploração feita para abastecer as cidades de Santarém (Pará) e Manaus (Amazonas).

Resposta: B

Comentário:

No que tange à disponibilidade de recursos hídricos o Brasil é privilegiado em relação ao restante do mundo, tanto no que se refere às águas superficiais quanto às águas subterrâneas. No tocante aos recursos em superfície se destacam  as grandes bacias hidrográficas do país, ao passo que no tocante às reservas abaixo da superfície se destacam dois grandes aquíferos, sendo o Guarani, na região Centro-Sul e o Alter do Chão, na região Norte os maiores expoentes.

O aquífero de Alter do Chão é uma reserva de água totalmente brasileira, uma vez que sua área de abrangência se estende pelos estados do Amazonas, Pará e Amapá. Ao passo que o aquífero Guarani é uma reserva sul-americana, uma vez que se estende por regiões no Brasil (MT, GO, MS, MG, SP, PR, SC e RS), na Argentina, no Paraguai e no Uruguai.

Embora a extensão territorial e o volume de água do aquífero Guarani sejam muito elevados, o fato de se localizar na região mais densamente povoada e de agricultura mais modernizada no Brasil implica no risco de comprometimento de suas reservas em decorrência das contaminações antrópicas, tais como o lançamento de esgoto doméstico e industrial, que pode infiltrar no solo e atingir as camadas mais profundas de rochas sedimentares que abrigam a água, assim como o chorume resultante da decomposição dos resíduos nos lixões, ou ainda o lançamento de agrotóxicos e fertilizantes químicos pela agricultura moderna, ou mesmo os subprodutos das atividades sucroalcooleiras do sudeste, como é o caso do vinhoto/vinhaça, altamente contaminante para as águas do subsolo.