sábado, 16 de julho de 2016

A SAÍDA DA INGLATERRA DA UNIÃO EUROPEIA (Parte 2)


Por Éder Israel



Disponível em: http://www.castlereport.us/wp-content/uploads/2016/07/Brexit-cutting-the-ties.jpgAcesso em 15 jul. 2016

Antes mesmo do anúncio oficial sobre o resultado da votação, feito por David Cameron, as redes sociais e mídias de massa davam como certa a vitória do BREXIT, e a saída dos ingleses da União Europeia parecia apenas questão de horas. De fato as horas se passaram, e o grupo que defendia a saída do bloco se sagrou vitoriosa do plebiscito realizado. Naquele momento era oficial, a União Europeia perdia um de seus mais antigos membros em um momento em que o terrorismo e a crise econômica redesenham o traçado geopolítico do mundo. A Inglaterra deu o primeiro passo na direção de mostrar que o conto de fadas por trás do superbloco europeu começa, de fato, a ruir...

Assim que o resultado fora sabido, os comandantes do bloco europeu mudaram diametralmente seu discurso de que era necessário alcançar um meio para que o governo e a população inglesa permanecessem no mercado regional. Agora, o discurso de líderes da França e da Alemanha, era de que a saída deveria ser conduzida o mais rápido o possível, e que os ingleses (através de seu governo) se apressassem a comunicar o bloco e formalizar o “abandono do barco” o quanto antes.



Disponível em: http://www.ctvnews.ca/polopoly_fs/1.2951048.1466205347!/httpImage/image.jpg_gen/derivatives/landscape_620/image.jpg Acesso em 15 jul. 2016

Um dos grandes temores do da União Europeia pode ter se confirmado com a decisão dos ingleses em deixar o agrupamento regional e retomar a “individualidade” política e econômica dentro da Europa, posto que isso possa dar início a uma plena evasão de outros membros, descontentes, há tempos, com os rumos econômicos e principalmente políticos do bloco. A manifestação favorável dos ingleses de que “antes só do que com o Parlamento Europeu” pode se tornar um discurso uníssono dentro da antiga Europa Ocidental, e jogar por terra os acordos e avanços adquiridos desde a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço – CECA, em 1952.

É inegável a preocupação de outras nações do bloco acerca da crise latente nos PIIGS e da dificuldade de sanar os problemas econômicos deste grupo de apenas 5 países. Em resumo, o que se tem hoje é uma dupla visão dentro do bloco europeu, a visão dos PIIGS: “até quando a crise vai assolar nossas economias?”, e a dos demais países: “até quando a crise ficará restrita a Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha?”. Enquanto estas duas questões, ou nesse caso pontos de vista, não forem sanadas, a incerteza do futuro europeu irá persistir.

Nesse ponto reside o temor do bloco  que intitula esse segundo texto, uma vez que, uma nação ainda não assolada profundamente pela crise, como de fato é hoje a Inglaterra, pode motivar que outros países na mesma situação façam o mesmo, e optem por “abandonar o barco” antes que ele afunde por completo. Isso seria a ruína plena da economia do mercado regional, pois a debandada maciça de associados poderia causar uma fuga importante de divisas e dividendos, afetando pesadamente o Banco Central Europeu e consequentemente impactar negativamente as políticas de socorro das economias que já estão em crise e daquelas que estão à beira do fracasso.



Disponível em: http://www.freewords.com.br/wp-content/gallery/crise-economica-na-uniao-europeia/crise-economica-na-uniao-europeia-pais-dinheiro6.jpg Acesso em 15 jul. 2016

Há tempos a União Europeia se vê as turras com uma dúvida enorme: “Por que não excluir a Grécia do bloco?”, e a resposta a isso é muito simples e prática: “Expulsar a Grécia no meio de uma crise poderia motivar países que ainda não estão em crise a sair antes que ela os atinja!”. Pois bem, a saída da Inglaterra pode e possivelmente vai motivar um “salve-se quem puder” no mercado regional e para o continente, toda a recuperação do pós Segunda Guerra Mundial poderia se esvair ao vento feito a fumaça dos bombardeios no conflito. Talvez, a desistência inglesa de permanecer no bloco signifique aquela dura constatação de que os governos da França e da Alemanha, sabidamente e reconhecidamente os líderes do bloco, não queriam admitir que os gastos com o socorro da Grécia e demais PIIGS pode ter sido em vão caso haja uma saída em massa do bloco.

O fato de que as lideranças europeias estejam apressando ao máximo a saída formal dos ingleses reside na torcida de que, embora não seja algo muito bonito de se ver ou torcer, (...) o abandono da União Europeia traga uma profunda recessão e uma maciça crise de “isolamento” econômico para os ingleses que seja capaz de frear os ímpetos de outras nações em saírem do bloco. Nesse momento as grandes economias europeias estão se agarrando a tudo o que podem, mesmo que a salvação do agrupamento econômico signifique torcer pelo fracasso daqueles que optaram por abandoná-lo. Resume-se nisso a nada moral, porém necessária, tábua de salvação para os aliados econômicos de França e Alemanha. Ao mesmo tempo é um “divirta-se ao nosso lado” e um “ferre-se aí sozinho”...


Continua...

quarta-feira, 13 de julho de 2016

A SAÍDA DA INGLATERRA DA UNIÃO EUROPEIA (Parte 1)


Por Éder Israel




Disponível em: <SssrGSLyvODRqJsRsNAoNtnMyTGPKiddk26rp6hlU9v6KJwLbj4pAcvRpz87Ks1V> Acesso em 12 jul. 2016

O resultado do referendo realizado na Inglaterra no dia 24 de julho desse ano de 2016 vai muito além dos mais de 1,2 milhão de votos favoráveis à saída de uma das principais economias do bloco, que esteve presente no mercado regional europeu desde 1973. Os desdobramentos da apertada vitória dos favoráveis à saída, com 51,9% dos votos válidos, podem trazer um novo suspiro econômico para os ingleses, mas podem também trazer-lhes um fracasso mais rápido do que aquele temido caso permanecesse no bloco, assim como pode fortalecer a integração entre os membros remanescentes da União Europeia, ou sepultar de vez o sonho de criação de um megamercado, vislumbrado em 1952, na assinatura do Plano Schuman por alemães e franceses.

Mas o que estaria por trás das ações e propostas da ala mais conservadora do parlamento inglês? O que tanto teme o grupo que tentou frear a vontade de deixar o bloco europeu? Por que a União Europeia temeu tanto a saída da Inglaterra do mercado regional? Por qual motivo a cúpula das nações constituintes do bloco tem tanta pressa da saída pós referendo? São questões ainda sem resposta, mas cheias de possibilidades e de “achismos”, as quais serão desdobradas nesse breve texto.

É sabido que o bloco europeu foi assolado profundamente pela crise global de 2008, a qual se somou a uma crise interna e crescente, fruto do envelhecimento populacional e suas consequências. No caso europeu, o envelhecimento tem até nome e RG, sendo chamado de “Euroesclerose” por demógrafos contemporâneos. A qualidade de vida elevada associada às facilidades da vida moderna, cada vez mais acessíveis à população das nações mais desenvolvidas, possibilitou nos países da União Europeia (ou em grande parte deles) um crescimento da longevidade, aumentando substancialmente a população idosa, o que sobrecarrega os setores de previdência social e outros mecanismos remanescentes do Estado do Bem Estar Social (EBES) de outros tempos.

Em complementação a esse envelhecimento populacional, ocorre uma contínua redução nas taxas de natalidade e fecundidade nos países do mercado regional, o que causa na atualidade uma redução da população economicamente ativa e da arrecadação pública dos Estados. E lá vem outra vez a sombra do EBES, nos países onde grande parte dos serviços essenciais à população ainda possuem e dependem dos investimentos públicos. Em resumo, nos últimos anos muitos países da União Europeia passaram a gastar mais para sustentar o elevado percentual de idosos, do que arrecadando com o, cada vez menor, percentual de jovens e adultos economicamente ativos.

Segundo a visão da referida ala conservadora do parlamento inglês, esse conjunto de problemas fruto da “euroesclerose” ainda não afetou pesadamente a realidade econômica da Inglaterra. Por enquanto, os países mais afetados são: Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, que estão pejorativamente agrupados em um conjunto chamado PIIGS (na sigla em Inglês) e na visão desse agrupamento de políticos do país, os ingleses não têm obrigações econômicas com o socorro para nações em crise, tal qual a Alemanha tem feito com a questão grega. Para os partidários do BREXIT, o dinheiro da Inglaterra deve ser investido em políticas econômicas do próprio país que se se vê à beira do limite de entrar para os PIIGS...



Disponível em: <https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVaMUsVb9z3J73H81bpTs_d2idwq3XVC8-pKQ08Xlft-NtqV3g15skQld44bfFr9my9W4KorFxhDqXtejyIJKowp-QUaA8C9ao-7cgHuyiSvHAuN4GTP0SeQ_yg9gXe5Lw_VR0cE9QerI/s1600/Piigs.jpg> Acesso em 12 jul. 2016

Há ainda a questão clássica dos imigrantes, e da xenofobia, que configura-se hoje como a base principal do discurso daqueles que se mostram contrários à saída inglesa do bloco, sejam os responsáveis por tais discursos ingleses ou não... A alegação de que o país foi motivado pelo interesse de não ter que abrir suas fronteiras para os imigrantes, provenientes do norte da África e do Oriente Médio, tem força a cada dia no noticiário e no “conhecimento” disseminado massivamente pelas redes sociais diariamente, em posts e mais posts de imagens de pessoas morrendo nos países de origem, enquanto barreiras são erguidas nas fronteiras das nações desenvolvidas do continente europeu. Mas faz sentido a ideia de que a xenofobia foi o combustível para o BREXIT? Em minha opinião, não. Mas como dissemos, é um momento de muitos “achismos” e poucas certezas.

Os principais indicativos são de que os partidários do BREXIT vêm os imigrantes como um peso econômico para o já fragilizado sistema inglês, assustado (com razão) pelo buraco financeiro que a “euroesclerose” trouxe aos PIIGS. A saída da União Europeia representa aos olhos dos favoráveis à saída uma única chance de salvação própria para uma futura crise que se alastra pelo continente, fruto das mudanças demográficas contemporâneas. Porém, aos olhos daqueles que se opõem a essa saída, pode selar a decadência econômica do país, pois este estará oficialmente e irremediavelmente desprovido da ajuda financeira das demais nações do bloco, a qual pode ter sido capaz de amenizar os impactos da crise nos PIIGS, principalmente na Grécia.


... Continua


domingo, 12 de junho de 2016

GABARITO COMENTADO DE GEOGRAFIA UNIUBE/MEDICINA - 2016/1


Questão 49

O DESABAFO DO RIO SÃO FRANCISCO
Raimundo Nascimento


Eu sou apenas um rio
Porém não posso falar
Mas vou fazer um alerta
Através deste poeta
Que se pois, no meu lugar.
E vai passar pra vocês
Que me trás  a poluição
Sem ter nenhuma noção
Do que isso causará.

Eu me chamo Rio São Francisco,
Venho da serra da canastra
Vou levando a irrigação
Por onde minhas águas passam
Vou percorrendo o  sertão
Molhando toda essa massa.

Uns me chamam velho Chico
Outros me chamam chicão
Mas também sou conhecido
Como o rio da integração
Por banhar vários estados
Da nossa federação.

Pois, venho aqui, meu amigo,
Fazer o meu desabafo
Aqueles que me polui
Que tira de mim pedaço,
E pra aqueles que me preservam
Já deixo um forte abraço.

Faço aqui um apelo
Prá quem desmata o meu leito
Eu peço por caridade
um pouco mais de respeito
e se tu queres viver,
eu tenho o mesmo direito.

Tenho direito a viver
Sem haver poluição
Levar água pra beber
A toda população
E pra isso é preciso
Sua colaboração.

A o amigo agricultor,
Eu peço para você
Não jogue o lixo em mim
Isso só me faz sofrer…
Jogando o lixo no rio
Os peixes podem morrer.

Faço um apelo também;
Você aí da cidade…
Que faz de mim um refém
Da sua real crueldade
Tratem bem os seus esgotos,
Me faça essa caridade…
[...]
Isso é um grande pedido
Que faço a população
Desde as minas gerais
Até aqui, no sertão,
Pois é preciso começar
Minha revitalização .

E a sua compreensão
Agradeço desde já
Antes de chegar meu fim
Antes deu vim a secar
Pois, se é de mim poluir
É MELHOR ME PRESERVAR.



O poema acima refere-se aos preocupantes problemas enfrentados pelo rio São Francisco, carinhosamente chamado de Velho Chico. O rio São Francisco é fundamental para as populações que residem ao longo de seu curso, atravessa alguns estados e por isso é denominado rio da integração. Considerando o poema acima, analise as afirmações seguintes.

I) A transposição do rio São Francisco busca sanar a deficiência hídrica de regiões do semiárido, para abastecer as áreas mais castigadas pela seca.

O item está correto, uma vez que o déficit hídrico do semiárido nordestino é causado pela somatória da escassez de chuvas, elevado índice de evaporação e pela sazonalidade de grande parte dos seus rios. A chegada das águas do São Francisco poderia amenizar essa problemática histórica.

II) O rio São Francisco nasce em Minas Gerais e banha os estados da Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas, desaguando no Oceano Atlântico.

O item está correto, uma vez que o rio São Francisco nasce na porção central de Minas Gerais, na Serra da Canastra e dirige-se para o nordeste brasileiro, sendo o único grande rio perene a cortar áreas do sertão semiárido, principalmente no sertão pernambucano.

III) Na bacia do rio São Francisco, localizam-se algumas das principais usinas hidrelétricas do Brasil, dentre elas podemos citar a de Três Marias e Sobradinho.

O item está correto. Apesar da histórica redução de seu volume de água, o rio São Francisco, que apresenta percurso planáltico, é amplamente utilizado para a geração de eletricidade, em projetos hidrelétricos como Paulo Afonso, Sobradinho, Xingó, Itaparica, Sobradinho, Moxotó e Três Marias.

IV) Um dos vários problemas ambientais enfrentados é o controle da poluição de muitos núcleos urbanos que lançam esgotos diretamente no rio.

O item está correto, uma vez que assim como acontece nas demais bacias hidrográficas brasileiras, que cortam zonas urbanas, o lançamento de efluentes sem tratamento configura-se como importante impacto ambiental, a ser minimizado por políticas públicas.

V) O Projeto de Transposição do rio São Francisco pode ocasionar risco de salinização dos solos e eventual alteração da flora e fauna da região atingida.

O item está correto, pois a chegada das águas do São Francisco poderia fomentar a expansão das práticas agrícolas às margens dos novos canais e consequentemente a prática de irrigação, a qual quando mal planejada pode influenciar no aumento das concentrações salinas na superfície do solo, tornando salinizado ou até mesmo ácido.

É CORRETO o que se afirma em:

A) I e II apenas
B) I, II, III, IV e V
C) II, III e IV apenas
D) III, IV e V apenas
E) II e III apenas

Questão 50
Cada zona da Terra recebe os raios solares de forma não uniforme, em função de sua forma aproximadamente esférica e do movimento que a Terra executa em torno do Sol. Em alguns locais, os raios solares incidem quase perpendicularmente durante todo o ano, já em outros os raios solares são mais oblíquos.

Considerando a figura abaixo, analise e identifique a alternativa CORRETA.



Obs: Considere 2 como sendo o Sol ao meio-dia


A) A casa está localizada no Círculo Polar Ártico, porque recebe a luz solar de forma muito inclinada.

B) A casa está localizada próxima ao Trópico de Capricórnio, porque a trajetória do Sol está inclinada.

C) A casa está localizada nas proximidades da linha do Equador, porque o sol possui trajetória vertical.

D) A casa está localizada no Trópico de Câncer, porque os raios solares estão oblíquos.

E) A casa está localizada próximo à linha do Equador, porque os raios solares são oblíquos.

Pela trajetória descrita pelo sol, no sentido direto leste-oeste, e pela observação de que a sombra da casa projeta-se para oeste antes do meio-dia (posição 1) e não se forma sombra ao meio-dia (posição 2), é possível inferir que o deslocamento do sol se faz praticamente em linha reta, o que se observa apenas nas zonas localizadas próximas à linha equatorial. O fato de não haver sombra na posição 2 indica que o sol está exatamente no seu zênite equatorial.

Questão 51

A noção de Cartografia enquanto um conjunto de técnicas utilizadas com finalidade de representar elementos e fenômenos evidenciados no espaço geográfico é tão antiga quanto a própria humanidade. À medida que os grupos humanos passaram a se organizar coletivamente, as representações espaciais foram criadas para demarcar os núcleos de povoamento e os próprios territórios de caça dessas sociedades mais antigas. Ao longo dos séculos, essas representações, os mapas, foram evoluindo, bem como seus fins foram se tornando mais complexos.
Fonte: https://s3-sa-east-1.amazonaws.com/ofitexto.arquivos/degustacao-rc.pdf

Assim, conhecer o espaço, tanto natural quanto geográfico, através da utilização dos mapas, bem como dominar as noções de astronomia, torna-se fundamental para o amplo entendimento da ciência Geografia. Para tanto, inúmeros conceitos tornam-se primordiais nesse processo de aprendizado.

Dessa forma, em uma aula de Cartografia, o professor fazendo uso de um mapa-múndi na escala 1:30.000.000, apresenta aos alunos o ponto P1 (0o, 15oE) e, sem seguida faz as seguintes afirmações:

I) Se no ponto P1 forem 22h, instantaneamente, na posição antípoda de P1 serão 10h do dia anterior.

O item está incorreto, uma vez que a antípoda de um ponto qualquer seria a diferença em graus entre esse ponto e 180º, no hemisfério oposto. Assim, a antípoda de 15ºE seria representada por 180º - 15ºE = 165ºW. A diferença horária entre um ponto e sua antípoda é sempre de 12 horas, e como nesse caso a antípoda encontra-se a Oeste, seriam 12 horas a menos, portanto 10h da manhã do mesmo dia.

II) O mapa apresentaria um melhor nível de detalhamento se elaborado na escala 1:40.000.000.

O item está incorreto, pois nas escalas cartográficas a regra é que quanto menor a escala, maior a área representada, porém menor será o detalhamento das informações contidas neste mapa. Como a escala de 1:40.000.000 é menor que a de 1:30.000.000, esta apresentaria menor nível de detalhamento.

III) Um ponto P2 (0o; 75o W) tem 5 fusos de diferença relativamente ao ponto P1 e atrasados em relação ao Meridiano de referência GMT.

O item está incorreto, pois cada fuso horário equivale a 15º de longitude, e estando o ponto P1 a 15ºE e o ponto P2 a 75ºW, a diferença entre eles seria de 90º e portanto de 6 fusos, todos atrasados em relação a P1.

IV) Nos equinócios de primavera e outono, o Sol estará a pino, às 12h, tanto na posição P1, quanto na posição P2.

O item está correto, pois os pontos P1 e P2 localizam-se sobre alinha do Equador, por onde o sol descreve uma trajetória vertical nos dias de equinócios de outono e primavera, estando a pino (ou no zênite) exatamente às 12h desses dias.

V) Em um percurso retilíneo de P1 a P2, atravessaríamos o Brasil em sua porção setentrional.

O item está correto, pois a região setentrional (norte) do território brasileiro encontra-se nas proximidades da linha do Equador, latitudes de P1 e P2. Com relação às longitudes, o Brasil se estende pelos fusos de 30ºO nas ilhas oceânicas até 75ºO no estado do Acre, dentro portanto do trecho de deslocamento entre P1 e P2.

Estão CORRETAS as afirmações contidas em:

A) IV e V, apenas
B) II, III e V, apenas
C) I e III, apenas
D) I, II e IV, apenas
E) I, II, III, IV e V

Questão 52

San Andreas: O perigo real de uma das falhas geológicas mais temidas do mundo

A terra treme e os arranha-céus do distrito financeiro de Los Angeles desmoronam, prendendo milhares sob os escombros.


Um tsunami de proporções bíblicas adentra a baía de São Francisco, engolindo, por sua vez, a famosa ponte Golden Gate, antes de arrasar a cidade californiana.

Esses são dois dos cenários terríveis que mostram o filme catástrofe Terremoto - A Falha de San Andreas (2015). A falha de San Andreas, que atravessa a Califórnia de norte a sul ao longo de 1,3 mil quilômetros e delimita a parte norte-americana da placa do Pacífico, é uma das mais estudadas no mundo, uma vez que está quase inteiramente na superfície da terra. Ela foi a causa do devastador terremoto de magnitude 7,8 que destruiu grande parte de São Francisco em 1906, matando mais de 3 mil pessoas.

Há três principais tipos de movimentos de placas tectônicas, considerando a direção do deslocamento de uma placa em relação à outra. No caso da costa oeste dos Estados Unidos, o movimento que envolve as placas denomina-se:

A) Convergente
B) Transformante
C) Subducção
D) Divergente
E) Dorsal Oceânica

A Falha de San Andreas localizada na Costa Oeste dos Estados Unidos é formada pelo contato entre as placas Norte Americana e do Pacífico. Neste limite de placas ocorre um movimento paralelo entre as duas placas que é conhecido como movimento tangencial, conservativo ou transformante, no qual são comuns os abalos sísmicos de grande magnitude.

Questão 53

Leia com atenção:

Primeiramente devemos ressaltar como as sociedades igualitárias engendraram formas de preconceito muito claras, porque sua ideologia negava o intermediário, a gradação e a relação entre grupos que deveriam permanecer separados, embora pudessem ser considerados teoricamente iguais. Tal fato não existiu na sociedade brasileira e até hoje tem débil aceitação social. Realmente, estou convencido de que a sociedade brasileira ainda não se viu como sistema altamente hierarquizado, onde a posição de negros, índios e brancos está ainda tragicamente de acordo com a hierarquia das raças. Numa sociedade onde não há igualdade entre as pessoas, o preconceito velado é forma muito mais eficiente de discriminar pessoas de cor, desde que elas fiquem no seu lugar e “saibam” qual é ele.

(DA MATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil? Rio de Janeiro: Rocco, 1986, p. 46).

O autor tece uma crítica à forma como a sociedade brasileira lida com a discriminação. Entre os conceitos abaixo, assinale o que melhor se relaciona a essa crítica:

A) Etnocentrismo
B) Relativismo cultural
C) Segregação racial
D) Democracia racial
E) Xenofobia

A crítica realizada pelo autor se refere à chamada Democracia Racial instituída no Brasil, a qual desvincula a discriminação e o racismo das relações cotidianas das pessoas. Segundo a ideia da Democracia Racial todas as pessoas são de fato iguais e têm direitos também iguais. Nota-se na crítica do autor a preocupação de como essa ideia de democracia acaba por esconder ou mascarar o preconceito e o racismo velado no país, que faz parte da vivência cotidiana da nossa sociedade.

Questão 54

“As águas superficiais constituem parte da riqueza dos recursos hídricos de um país. No caso brasileiros, país de extensão continental, a rede fluvial é importante recurso natural, contando em seu território com a maior bacia fluvial do mundo em extensão e em volume de água. [...] Com diferentes regimes, muitos dos rios são barrados para, em especial, produzir energia, abastecer de água as populações e irrigar terras. As sucessivas quedas de água, características dos planaltos, associados ao volume de água dos rios oferecem ao país um elevado potencial hidráulico situando-o entre os cinco países de mais elevado potencial hidráulico instalado”.

(CUNHA, Sandra B.; GUERRA, Antônio José Teixeira (Org.). Geomorfologia do Brasil. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1998, p. 229).


Considerando a bacia hidrográfica identificada no mapa como I, analise as afirmativas seguintes.

I) Atravessa áreas de clima semiárido, sendo fundamental para populações ribeirinhas.

O item está correto, pois na região semiárida nordestina predominam os rios intermitentes ou temporários, e uma parcela significativa das populações desta área buscam residir e desempenhar suas atividades econômicas e de subsistência se valendo das águas deste rio.

II) A criação de gado sempre foi atividade tradicional em suar margens, desde o Brasil colônia.

O item está correto, pois ainda no período colonial o rio São Francisco ficou conhecido como o “rio dos currais”, haja visto o intenso uso de suas margens para atividades pecuárias. Estes rebanhos ali se estabeleceram por conta da oferta permanente de água, fato que não é observado em toda a região nordestina.

III) O seu rio principal é tipicamente de planalto, possuindo alto potencial energético.

O item está correto, pois no rio São Francisco destacam-se inúmeros projetos hidrelétricos, tais como Paulo Afonso, Sobradinho, Xingó, Itaparica, Sobradinho, Moxotó e Três Marias.

IV) A bacia hidrográfica apresentada é tipicamente brasileira e atravessa o estado de São Paulo.

O item está incorreto, uma vez que a Bacia do São Francisco inicia-se no estado de Minas Gerais e segue em sentido ao nordeste, atravessando os estados da Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.

É CORRETO o que se afirma em:

A) I e II, apenas
B) I e III, apenas
C) I, II e III, apenas
D) III e IV, apenas
E) I, II e IV, apenas

Questão 56

Leia com bastante atenção:

Um levantamento da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) obtido pela BBC Brasil por meio da Lei de Acesso à Informação revela que indicadores da qualidade do serviço de saúde prestado aos índios estão em patamar muito inferior aos do resto da população.

Os dados detalham todas as mortes de índios registradas desde 2007 em cada um dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), que englobam uma população de cerca de 700 mil índios. As informações de 2013 estão incompletas.

O levantamento mostra que nos últimos sete anos 2.365 índios morreram por causas externas (acidentes ou violência), dos quais 833 foram vítimas de homicídio. Outras 228 mortes por lesões não tiveram sua intenção determinada. Não há informações sobre a autoria dos crimes.

O DSEI Mato Grosso do Sul responde pelo maior número de assassinatos de índios: 137 nos últimos sete anos. Na reserva de Dourados, área indígena visitada pela BBC Brasil, moradores evitam circular à noite por medo de ataques.

Reportando-se à produção historiográfica brasileira mais recente sobre os conflitos sociais no centro-oeste brasileiro, é possível afirmar que uma das razões para o triste quadro de homicídios descrito pela BBC Brasil refere-se à:

A) Intervenção armada e constitucional do Exército que, geralmente, é acionado pela FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária).

B) Ação violenta dos narcotraficantes contra os índios que rejeitam a proteção oferecida pelos grandes pecuaristas locais.

C) Ação violenta de alguns latifundiários e madeireiros, incomodados com a demarcação das reservas indígenas e estabelecimento das áreas de preservação ambiental.

D) Defesa dos pecuaristas locais que podem, segundo a Constituição, organizar milícias capazes de conter o crescimento da população indígena.

E) Peleja entre pecuaristas e índios que, na tentativa de barrar a expansão da fronteira agrícola nacional, inventaram o conceito institucional de Reserva Indígena.

A partir da década de 1970 houve a ampliação da fronteira agrícola brasileira em direção ao cerrado no centro-oeste, o que foi possibilitado pela Revolução Verde e a modernização das técnicas de cultivo da terra. Com a chegada dos agricultores, em sua maioria sulistas, inicia-se o conflito pela posse e propriedade das terras, entre os índios que ali estavam e os agricultores que ali chegavam. Atualmente esses conflitos tem como motivação a demarcação de terras indígenas, que garantam aos povos nativos a permanência em seus locais de vivência, assim como do estabelecimento de áreas de preservação ambiental, principalmente após a recente alteração do Código Florestal Brasileiro.

Questão 57

Leia com atenção o trecho seguinte. Nele o sociólogo Fernando Henrique Cardoso pensa o populismo.

...como o elo através do qual se vinculam as massas urbanas mobilizadas pela industrialização – ou expulsas do setor agrário como consequência de suas transformações ou de sua deterioração – ao novo esquema de poder; e converter-se-á na política de massas, que tratará de impulsionar a manutenção de um esquema de participação política relativamente limitado e baseado em uma débil estrutura sindical que não afetou as massas rurais nem o conjunto do setor popular urbano.
Considerando o comentário exposto, responda: Como poderíamos vincular os elementos conceituais presentes no texto às estratégias de governo adotadas por Getúlio Vargas? Em outras palavras: que medidas varguistas expressam a ideia de populismo aqui mencionada?

Assinale a alternativa CORRETA

A) Combate contra a fome por meio de programas sociais e educação básica de ótima qualidade.

B) Nacionalização da indústria de base e manutenção de “pelegos” entre as lideranças da classe operária.

C) Programas de redistribuição do patrimônio fundiário que se encontra nas mão de grandes proprietários.

D) Fomento para a escola e viabilização de componentes culturais e artísticos necessários a uma vida social menos provinciana.

E) Parcerias com Organizações Não Governamentais afinadas com o programa de governo e apoio dado ao campesinato militante.

O governo de Getúlio Vargas foi marcado pelo foco dos investimentos estatais nas atividades secundárias, com a criação de indústrias de base que pertenciam ao governo, que visava com isso dominar e controlar a vida econômica do país, implantando um modelo de substituição de importações. Os movimentos sociais que se contrapusessem ao projeto nacionalista e populista de Vargas também eram controlados pelo Estado, seja através da perseguição política, seja pelo controle sindica, atrelado aos interesses do governo, sendo com isso chamado de “pelego”.

Questão 58

Kay Johnson, professora de estudos asiáticos do Hampshire College (Massachusetts) mergulhou, nos últimos 20 anos, na polêmica do filho único da China, mas por um viés pouco divulgado: o dos pais biológicos sob coerção de uma dura política de natalidade. Após 35 anos em vigor, o governo chinês trocou, em 2015, o padrão de apenas um filho por casal pela autorização para dois filhos. Cálculo oficial indica uma redução de 400 milhões de nascimentos em três décadas - críticos da medida, porém, acreditam que o número seja menor. Johnson e uma rede de pesquisadores chineses entrevistaram, no interior do país, centenas de casais que abandonaram seus filhos, pais chineses que adotaram parte dessas crianças e famílias que criaram escondidos seus segundos e terceiros herdeiros para não enfrentar as pesadas punições - multa alta e até esterilizações forçadas. O resultado, consolidado no livro "China's Hidden Children" (As Crianças Escondidas da China).

Desde os anos de 1970, o governo chinês implantou um rigoroso controle de natalidade. O principal objetivo era reduzir as taxas de crescimento demográfico da população chinesa. 

Considerando a reportagem acima e o controle de natalidade chinês, analise as afirmativas abaixo.

I) Os impactos do controle de natalidade chinês são percebidos pelo envelhecimento da população, o que faz o governo modificar sua política populacional.

O item está correto, uma vez que a redução das taxas de natalidade na China ocasionou a ampliação do percentual de idosos na composição total da população chinesa, o que aumenta a idade média e consequentemente ocasiona o envelhecimento.

II) Um efeito da política de filho único chinesa é o contraste numérico entre homens e mulheres, havendo uma predominância masculina, devido a abortos e mortes de meninas.

O item está correto, pois como a inserção social e econômica de homens é muito mais fácil do que de mulheres, levando a população a optar por crianças do sexo masculino, que teriam mais condições econômicas de sustentar os genitores na velhice.

III) A China terá, segundo estimativas, 30 milhões de homens em idade de se casar em 2020. Tal fato é decorrente do abandono e do infanticídio de bebês do sexo feminino.

O item está correto, posto que a opção econômica por crianças do sexo masculino leva a um déficit de mais de 10 milhões de pessoas do sexo masculino na China, o que tende a se agravar nas próximas décadas, quando o volume de homens será maior que o de mulheres no país.

IV) O controle de natalidade gerou milhões de filhos únicos, batizados de “pequenos imperadores”, em razão da atenção que recebem de seus pais e avós.

O item está correto, pois os filhos únicos, geralmente meninos, são vistos pelas suas famílias como a única possibilidade de acesso a renda e a qualidade de vida da família no futuro, daí o tratamento preferencial a eles dispensado no grupo familiar.

É CORRETO o que se afirma em:

A) I e II, apenas
B) I e III, apenas
C) II e III, apenas
D) I, II, III e IV
E) IV e V apenas (Não há item V na questão...)