quinta-feira, 13 de junho de 2019

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA SEGUNDA FASE - UFU - 2019




Questão 01

O Brasil comumente é “vendido” como um país com múltiplas regiões e com diversidade na produção de alimentos. Para alimentar a população com sabor, saúde e abundância, os meios de comunicação repetem por meio de imagens coloridas o sucesso do agronegócio brasileiro: “Agro é Tec” , “Agro é Pop”, “Agro é Tudo”



Fonte: SANTOS, Marueem, GLASS, Verena (orgs.). Altas do agronegócio: fatos e números sobre as corporações que controlam o que comemos. Rio de Janeiro: Fundação Heinrich Boll, 2018, p. 28. (Adaptado)


A partir do texto e da figura acima, responda.


a) Conforme apresentado na figura, quais são os impactos do monopólio das empresas-rede para a segurança alimentar da população mundial?

Comentário:

A imagem apresentada na questão nos traz as sedes das cinco principais empresas relacionadas com o agronegócio na atualidade, e suas respectivas sedes, deixando claro o predomínio de suas localizações nas nações mais desenvolvidas do mundo, sendo três estadunidenses, uma holandesa e uma chinesa. Nota-se que o surgimento de uma empresa estatal chinesa em um mercado outrora dominado por importantes corporações privadas ocidentais demonstra a pujança da economia da nação asiática, principalmente a partir da abertura promovida pelo Partido Comunista Chinês no período posterior à morte do líder Mao Tsé-tung na década de 1970, quando a nação passou a adotar o modelo socialista de mercado.

Esse monopólio centrado por este grupo de cinco grandes empresas traz consigo uma série de riscos para as nações que ficam subjugadas pelo mercado global dessas mercadorias agrícolas, que no passado eram vistas apenas como alimentos, mas no passado passaram a ser classificadas como commodities, uma vez que continuam sendo usadas como alimentos, mas atualmente servem também (e até mais) à produção de matérias primas industriais ou combustíveis renováveis.

No que tange aos riscos para a soberania alimentar, que na prática se refere à capacidade de uma nação suprir seu mercado consumidor interno daqueles bens essenciais à sobrevivência de suas populações, a destinação plena de suas produções para essas empresas determina o direcionamento de suas commodities para os mercados externos (nas grandes potências e na China), podendo ocasionar um desabastecimento dessas mercadorias para as populações dos países produtores, assim como a elevação dos preços internos, uma vez que a oferta interna será suprimida pelo foco no mercado externo.

Por outro lado, a destinação quase que completa dessas mercadorias para a produção de alimentos para os rebanhos animais nos consumidores externos, assim como para a geração de energias alternativas, pode ocasionar o abandono gradual do cultivo de lavouras tradicionais de alimentos típicos das nações produtoras, passando o foco a ser no abastecimento do mercado global de commodities, o que por sua vez comprometeria diretamente a dimensão das áreas cultivadas com alimentos e consequentemente a soberania alimentar dessas populações.

Há ainda o risco de que esse monopólio do mercado e a consequente especulação e regulação dos preços por esses cinco grandes fornecedores globais levem à prática de um cartel no mercado mundial, suprimindo o direito das populações à livre-concorrência e às vantagens comerciais que o livre mercado pode oferecer, tornando-as reféns da dominação econômica dessas grandes corporações, que passariam a dominar plenamente o mercado de um bem essencial como são os alimentos.


b) Discorra sobre duas consequências econômicas e sobre duas ambientais oriundas dos processos apresentados no texto e na figura.

Comentário:

O processo de monopolização dos mercados internacionais de commodities por um grupo restrito de empresas, tal qual é apresentado na questão, traz consigo várias consequências nos âmbitos políticos, econômicos, sociais e ambientais, que cão além bem além das questões meramente comerciais.

No que tange as questões econômicas desse monopólio pode-se destacar a regulação da oferta e procura dos bens agrícolas por essas grandes empresas, que atuam de maneira dominante na importação e na exportação dessas commodities, o que lhes permite um controle indireto dos valores das mercadorias, impedindo a concorrência entre vários fornecedores, levando o mercado consumidor a aceitar valores cada vez mais elevados e maximizando as margens de lucros dos poucos fornecedores. Além disso, como o valore das commodities é regulado pelo mercado internacional, as mesmas empresas que definem elevados preços a serem cobrados dos consumidores de seus produtos, através de um monopólio, passam a definir também preços cada vez mais baixos a serem pagos para os produtores rurais, geralmente nos países pobres, que não tem várias opções de compradores para ofertarem seus produtos, definindo assim um monopsônio.

Ainda no campo econômico, essa estrutura monopolizada passa a fazer com que os produtores agrícolas passem a buscar meios cada vez mais eficazes e modernos de produção, que sejam capazes de abastecer aos mercados globais, tornando as práticas agrícolas cada vez mais caras e menos acessíveis aos pequenos produtores, os quais tendem a abandonar as atividades produtivas, gerando inicialmente o desabastecimento e carestia dos gêneros alimentares nas nações menos desenvolvidas, seguido de um crescente processo de valorização das terras e concentração fundiária nas mãos dos grandes produtores, capazes de arcar com os custos cada vez mais elevadas de uma agricultura marcadamente mais técnica e intensiva.

Com relação aos impactos ambientais desse processo pode-se mencionar a expansão das fronteiras agrícolas, que conduzem à ampliação da devastação dos biomas através do desmatamento das vegetações nativas, tendo em vista a abertura de novas terras destinadas aos cultivos de exportação. Esse processo de desmatamento traz consigo o aumento da exposição do solo às forças exógenas, que potencializam problemas ambientais naturais, tais como a erosão e a lixiviação.

Por outro lado, ambientalmente tem-se ainda o empobrecimento dos solos, decorrente da expansão das práticas de monoculturas dessas commodities, que causam a exaustão dos mesmos, reduzindo-lhes a fertilidade e a produtividade. Em casos mais extremos desse empobrecimento e exaustão do solo, pode haver o processo de plena perda de fertilidade e produtividade, originando o processo de desertificação dessas zonas. Ainda com relação aos possíveis danos ambientais, cabe mencionar que a expansão das áreas de cultivo, para regiões outrora improdutivas ou menos atraentes ao agronegócio, pode demandar uso mais intensivo dos recursos hídricos para a prática de irrigação, o que além de comprometer a disponibilidade natural de águas superficiais, pode levar ainda à contaminação dos recursos subterrâneos, uma vez que nessa agricultura intensiva o uso de pesticidas e fertilizantes se dá de maneira cada vez mais ampla.


Questão 02

O Parlamento da Ucrânia decidiu, no dia 26/11/18, declarar lei marcial depois que navios russos atiraram contra embarcações do país na costa da Crimeia. Para a Ucrânia, o episódio que resultou em tripulantes feridos e capturados foi um “ato de agressão”. Do outro lado, Moscou afirmou que os navios haviam “entrado em suas águas ilegalmente”.

Disponível em: < https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/11/26/entenda-a-nova-escalada-de-tensao-entre-ucrania-e-russia.ghtml>  Acesso: 20 mar. 2019. (Adaptado)

O confronto ocorrido no Mar Negro, relatado na reportagem, marca um novo episódio na crescente tensão entre os dois países.


a) Explique as causas do acirramento dos conflitos entre Rússia e Ucrânia.

Comentário:

O conflito recente entre Rússia e Ucrânia, no Leste Europeu reacendeu as disputas territoriais na região a parti de 2014, quando as duas nações entraram em disputa pelo controle da região da Crimeia, que nesse período estava sob controle do governo ucraniano, mas que foi declarada território anexado pelo governo russo, depois de um embate geopolítico, com contornos militares, que fez ressurgir ações pouco observadas no mundo desde o encerramento da Guerra Fria em 1991.

A região da Crimeia era parte integrante do território russo até 1954, e, portanto habitada predominantemente por russos ou descendentes de russos. Porém na esteira dos acordos geopolíticos firmados após a Segunda Guerra Mundial pela Rússia e seus vizinhos, tendo em pauta a expansão territorial do bloco socialista, levou o então presidente soviético, Nikita Khrushchev a transferir o controle da região para a então República Socialista Soviética da Ucrânia, em um gesto de reforçar os laços políticos no bloco dentro da Europa. A população russa permaneceu na Crimeia, embora a administração passasse a ser ucraniana.

Porém com o encerramento da Guerra Fria e a consequente dissolução da União Soviética, os laços políticos no Leste Europeu começaram a ser desfeitos. Visando a redução de conflitos internos e a facilitação da inserção na Nova Ordem Mundial, grande parte das nações da extinta URSS se agruparam novamente, dessa vez sob a égide capitalista, com a criação da Comunidade dos Estados Independentes, dos quais faziam parte a Rússia e a Ucrânia. Assim sendo, apesar do fim da URSS, a Crimeia continuou sob o comando do governo ucraniano.

Dentro da Crimeia fica a província (cidade) autônoma de Sebastopol, cuja administração é realizada pela Rússia, por conta de um acordo firmado entre os dois governos, que permitiu à nação líder da URSS manter ali a base naval homônoma, o que lhe garantiu o controle militar e político da região do Mar Negro, estratégico para a navegação comercial e principalmente pelas imensas jazidas de gás natural existentes em seu leito, aumentando ainda mais o poderio da Rússia como grande produtor e fornecedor desse recurso energético na (e para a) Europa Ocidental.

No início do século XXI frente à estagnação das economias do Leste Europeu e aos avanços econômicos observados na União Europeia, a Ucrânia iniciou um movimento de aproximação com o bloco ocidental e automaticamente afastamento com as nações da Comunidade dos Estados Independentes, o que começou a estremecer as relações entre Kiev e Moscou. Ciente da possibilidade de perder seu principal aliado entre as ex-repúblicas soviéticas, a Rússia endureceu o discurso em relação ao governo ucraniano.

As tensões culminaram com um embate diplomático em 2014, quando o então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, apoiador e apoiado do governo russo foi expulso do poder, naquilo que ficou conhecido como “Revolução Ucraniana”, um desdobramento das revoltas internas no país, iniciadas em 2013 e batizadas de Euromaidan, que visavam a ampliação das relações da nação com a União Europeia e a redução da dependência em relação ao governo russo. Com a derrubada do presidente Yanukovich e sua fuga para a Rússia e o apoio da União Europeia aos responsáveis pela “revolução”, o governo russo interviu militarmente na Ucrânia e declarou em 2014 a anexação da Crimeia, que segundo Moscou deixava de pertencer aos ucranianos e voltava plenamente ao controle russo.

Desse modo pode-se inferir que entre as principais motivações para o recente acirramento entre russos e ucranianos se destacam questões geopolíticas ligadas ao desmantelamento da Comunidade dos Estados Independentes, o que mina o poder político da Rússia no continente europeu; a aproximação da Ucrânia com a União Europeia, o que pode afetar drasticamente o mercado russo de gás natural, posto que a Ucrânia pode passar a fornecer o recurso para os europeus reduzindo os ganhos russos; controle de uma importante rota comercial que é o Mar Negro, que faz a ligação entre o Leste Europeu e a Ásia Ocidental; além do interesse principal, que é o domínio das imensas e quase inexploradas reservas de gás natural existente sob as águas desse mar, que poderiam abastecer a União Europeia e livrar as nações do quase monopólio russo desse recurso no continente.


b) Qual é o interesse da OTAN e dos aliados da Ucrânia em apoiar o presidente ucraniano?

Comentário:

A Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN foi ciada em 1949 pelas nações que aderiram ou mantiveram o sistema capitalista no contexto da bipolaridade da Guerra Fria. O objetivo era a criação de uma força militar de defesa mútua dos Estados Unidos e seus aliados no caso de alguma ação militar agressiva proveniente do bloco socialista. Mais tarde, em 1955, o bloco oriental criou o Pacto de Varsóvia, com o mesmo objetivo da OTAN, porém para as nações socialistas.

Portanto, a OTAN, dentre outros elementos marcou a presença militar efetiva e a defesa econômica direta dos Estados Unidos naquilo que durante a Guerra Fria se convencionou a chamar de Europa Ocidental e que na atualidade (embora com algumas diferenciações) se intitula de União Europeia. Assim, o braço militar da economia capitalista visa manter a estabilidade geopolítica na Europa, dividida hoje entre a parte ocidental mais desenvolvida (União Europeia) e a parte oriental menos desenvolvida (Comunidade dos Estados Independentes), para que os interesses econômicos não sejam ameaçados.

No contexto geopolítico do início do século XXI a ascensão da China e o acirramento da economia da nação asiática frente à hegemonia estadunidense definiu de fato a reinserção da Rússia no cenário global, o que havia sido suprimido desde o fim do bloco socialista em 1991. Embora em uma posição secundária, como coadjuvante da crescente China moderna, a influência política da Rússia no cenário oriental da Europa ameaça a hegemonia capitalista ali instalada, colocando as disputas pela região da Crimeia, entre russos e ucranianos, na pauta global da atualidade.

Cientes da inclinação da Rússia em prol da China e seu posicionamento contrário à União Europeia e aos Estados Unidos, os membros da OTAN tendem (de modo racional e coerente) a se posicionar em favor da Ucrânia, defendendo a manutenção do território da Crimeia sob o comando do governo de Kiev. Porém isso coloca em choque interesses ocidentais e orientais dentro da Europa, originando uma tensão geopolítica que muitos estudiosos têm batizado de “Nova Guerra Fria”.

Dentre os principais interesses da OTAN em apoiar o governo ucraniano e consequentemente se posicionar contra o governo e as recentes ações militares russas se assentam em questões econômicas relativas aos sistemas portuários do Mar Negro, que liga parte dos mercados europeus e asiáticos; acesso e controle sobre grandes campos de gás natural, controlados atualmente pela Rússia através da base naval de Sebastopol; Acesso ao grande mercado consumidor ucraniano com mais de 40 milhões de potenciais compradores para produtos da União Europeia; aceso facilitado a mão de obra barata na antiga nação socialista, que poderia reduzir o peso da redução da População Economicamente Ativa do bloco europeu; a possibilidade de expansão da União Europeia para o oriente, uma vez que a aproximação do bloco com a Ucrânia desde 2017 poderia motivar outras nações da região a abandonar a Comunidade dos Estados Independentes e aproximarem-se das nações da Europa Ocidental, enfraquecendo com isso o poderio russo na região.

Questão 03



FERREIRA, G. M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010, p.6. (Adaptado)


a) Qual é a importância econômica dos escudos cristalinos e das bacias sedimentares?

Comentário:

O mapa apresentado na questão traz a divisão do território brasileiro nas chamadas macroformas do relevo, também conhecidas como estruturas geológicas. De modo amplo, a estrutura geológica é dividida em três grandes macroformas, das quais tem-se os escudos cristalinos, que formam o embasamento geral dos relevos, as bacias sedimentares, resultantes da acumulação dos detritos de escudos cristalinos devastados pelas forças exógenas e os dobramentos modernos, que se formam nas zonas de convergência entre duas placas tectônicas da crosta.

Por localizar-se no centro da placa tectônica sul-americana, o Brasil  não possui em sua estrutura geológica os dobramentos modernos, uma vez que esses se restringem às bordas de placas que se chocam, apresentando portanto apenas os escudos cristalinos, que recobrem cerca de 36% de seu território, e os demais 64% são recobertos por bacias sedimentares.

Economicamente essas estruturas apresentam grandes possibilidades de exploração de recursos minerais, sendo que nos escudos cristalinos localizam-se as reservas de minerais metálicos, tais como minério de ferro, bauxita, hematita, cassiterita, manganês, ouro, nióbio, cobre (...), o que permite que o país se torne um dos maiores exportadores globais de commodities minerais, com destaque para as produções em importantes regiões cristalinas como o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais; a Serra dos Carajás, no Pará; a Serra do Navio, no Amapá e o Maciço do Urucum, no Mato Grosso do Sul.

Ao passo que nas bacias sedimentares, se destacam a presença das grandes jazidas dos combustíveis fósseis, também chamados de hidrocarbonetos, uma vez que a acumulação de sedimentos soterra restos orgânicos aquáticos e terrestres, os quais ao serem decompostos originam os recursos minerais energéticos fósseis, tais como o carvão mineral, o petróleo, o gás natural e o xisto. No Brasil as reservas de carvão mineral se concentram no chamado Cinturão Carbonífero, que se estende do sul de São Paulo até o Rio Grande do Sul, sendo composto principalmente por carvões do tipo linhito e hulha.

Já o petróleo e o gás natural se concentram nas bacias sedimentares localizadas no leito oceânico raso, conhecido como plataforma continental, com destaque para o Recôncavo Baiano, no litoral nordeste e principalmente o litoral Sul-Sudeste, onde se localizam as bacias de Campos no Rio de Janeiro e de Santos em São Paulo. Nessas bacias encontram-se grandes reservas petrolíferas em profundidades diferentes, sendo que as menos profundas, já plenamente exploradas, são conhecidas como camada do pós-sal (nos litorais de São Paulo e Rio de Janeiro) e as mais profundas e ainda não plenamente exploradas, conhecidas como camadas do pré-sal (que se estendem do litoral de Santa Catarina ao litoral do Espírito Santo).


b) Explique o processo de formação das estruturas geológicas que compõem o relevo brasileiro.

Comentário:

O processo de formação das estruturas geológicas que compõem o território brasileiro se iniciou com o processo de resfriamento e solidificação da crosta terrestre, há cerca de 4.5 bilhões de anos, no período Pré-Cambriano. Desse processo inicial de resfriamento se originaram os escudos cristalinos, também conhecidos como maciços antigos, ou embasamento cristalino ou simplesmente crátons. Portanto, a formação desse arcabouço geológico mais antigo se deu através da ação predominante das forças endógenas, uma vez que o vulcanismo foi o responsável pela liberação do magma do manto, o qual se resfriou na parte externa dando origem a essa estrutura. Portanto, dentre as estruturas geológicas (escudos cristalinos, bacias sedimentares e dobramentos modernos) o escudos se configuram com as mais pretéritas.

Devido a sua localização, predominantemente na faixa intertropical da Terra, a estrutura geológica brasileira encontra-se intensa e permanentemente exposta à ação das forças exógenas esculpidoras, relacionadas aos elementos climáticos, o que ao longo das eras geológicas levou a uma grande devastação dos antigos escudos cristalinos, os quais foram intemperizados e seus detritos erodidos e depositados em áreas mais baixas do relevo. Desse modo, atualmente apenas 36% da superfície brasileira é coberta por essas estruturas.

Por sua vez, os sedimentos dos escudos antigos que foram devastados formaram bacias sedimentares, que recobrem os outros 64% da superfície continental do país. Assim, a formação das bacias sedimentares decorre predominantemente da ação das forças exógenas (elementos do clima), posto que é a ação dessas forças que provocam a destruição (intemperismo) dos escudos cristalinos, cujos restos (sedimentos) são erodidos (transportados) dos locais mais elevados do relevo, em direção às áreas mais rebaixadas do entorno, que ao serem preenchidas por camadas horizontais estratificadas ao longo do tempo (a partir da Era Paleozoica originaram essas macroformas do relevo. Devido à sua localização intraplaca, o Brasil não apresenta em sua estrutura geológica os dobramentos modernos, restrito às bordas convergentes das placas, tanto em locais de subducção quanto de obducção.

Questão 04

MAPA-MÚNDI: PROJEÇÃO DE PETERS



FERREIRA, G. M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010, p.4. (Adaptado)


De acordo com a projeção cartográfica de Peters, utilizada para representar o mapa- -múndi, responda.


a) Por que essa projeção do mapa-múndi é criticada e pouco utilizada?

Comentário:

A figura apresentada pela questão se refere à Projeção Cilíndrica Equivalente de Peters, também conhecida como Projeção de Gall-Peters, uma vez que sua ideia básica foi proposta ainda no século XIX por James Gall, mas foi Arno Peters que a reformulou, já na segunda metade do século XX, no período após a Segunda Guerra Mundial, e portanto no contexto da Guerra Fria. Nesse contexto histórico, a bipolaridade ideológica entre o capitalismo estadunidense e o socialismo soviético definiu uma divisão das nações entre aquelas capitalistas ricos, chamadas de Primeiro Mundo, aquelas socialistas, chamadas e Segundo Mundo e as capitalistas pobres, chamadas de Terceiro Mundo.

Peters buscava, nesse momento geopolítico obscuro, superar a histórica visão eurocêntrica, trazida através da Projeção Cilíndrica Conforme de Mercator, elaborada no contexto das Grandes Navegações, na qual além de colocar as potências coloniais numa posição central da representação do mundo, enfatizava as nações do hemisfério Norte, colocando-as “acima” das nações pobres do Sul. Desse modo, Peters trouxe uma visão diferente da realidade espacial do mundo, focada dessa vez nas nações pobres do Sul, e principalmente superando a visão de que as potências mundiais estariam literalmente “acima” das nações mais pobres.

Portanto, a crítica realizada sobre essa projeção reside, em termos ideológicos, no fato de enfatizar as nações mais pobres, principalmente da África e América Latina, em detrimento da Europa e América Anglo-Saxônica, e em relação aos aspectos estruturais, é criticada por basear-se na manutenção da proporcionalidade das áreas continentais, não se preocupando em representar com fidelidade as formas (contornos) e as distâncias relativas entre essas áreas.


b) Quais são as principais características dessa projeção?

Comentário:

A projeção de Peters, assim como toda projeção cilíndrica apresenta relativa fidelidade apenas nas zonas de baixas atitudes (próximas ao paralelo do Equador), apresentando distorções e deformações crescentes no sentido das latitudes. Assim, quanto mais próximo dos polos, mais deformadas e distorcidas serão as informações apresentadas nesse tipo de mapa.

Por se tratar de uma projeção equivalente ou proporcional, esse mapa apresenta fidelidade apenas nos tamanhos relativos das áreas continentais, sendo suas formas ou contornos totalmente diferentes dos reais e as distâncias relativas entre dois locais também deformadas. Estruturalmente essa projeção apresenta os meridianos verticais e os paralelos horizontais, formando sempre ângulos ortogonais entre si. Em relação às deformações (de formas e distâncias), essas são diretamente proporcionais às latitudes, assim, quanto mais próximo dos polos, maiores serão os erros nessas duas variáveis.

Ideologicamente esse mapa foi concebido para trazer uma visão terceiro-mundista, que tentava superar o histórico eurocentrismo dos mapas-múndi anteriores, por isso a ênfase dada ao continente africano e às terras latino-americanas, territórios que foram desenhados de modo alongado no sentido norte-sul, de modo proposital, para fazer uma analogia aos corpos magros das populações que vivem nessas regiões, e são assoladas pela fome e pelas epidemias que tornavam a qualidade de vida muito inferior à média mundial. Além disso, quando Arno Peters apresentou seu mapa ao mundo, na década de 1970, ele foi concebido “de cabeça para baixo”, na tentativa de negar a ideia de que os países do Norte (ricos) estão acima dos países do Sul (pobres).



segunda-feira, 6 de maio de 2019

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA - UFU - 2019




Questão 21

Terceira maior economia mundial da atualidade, o Japão observou um processo de desaceleração econômica, acentuadamente na década de 1990.

A principal causa desse processo deve-se

a) à queda nas exportações dos produtos japoneses destinados a seus vizinhos asiáticos, aos Estados Unidos e à Europa.

b) ao endividamento excessivo das famílias e das empresas, o que produziu um aumento artificial dos imóveis e de outros ativos no final de 1980.

c) à concorrência tecnológica e industrial imposta por países como Vietnã, Malásia e Tailândia, que passaram a dominar o mercado consumidor europeu.

d) ao crescimento demográfico excessivo e à falta de alimentos necessários à população crescente, aumentando a importação de gêneros agrícolas.

Resposta: B

Comentário:

A partir do final do século XIX e principalmente início do século XX a economia japonesa experimentou períodos de massivo crescimento e desenvolvimento técnico, relacionados diretamente com o processo de industrialização pelo qual passou o país a partir da chamada Era Meiji, sob o comando do então líder, o Imperador Matsuhito.

Nesse contexto de mudança de século o país asiático inicia o desenvolvimento que o levaria à condição de nação mais poderosa daquela região do mundo, o que motivou uma política intensa de expansionismo territorial do Japão, que enfrentava severos problemas estruturais e físicos em seu território, limitado em área e pobre em recursos minerais. Nesse processo deram-se as guerras com a China, pela conquista da Manchúria e com a Coreia, pela conquista da região peninsular.

Esse processo de crescimento econômico e o expansionismo territorial motivou a entrada do Japão na Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) ao lado da Alemanha nazista e da Itália fascista, no grupo de países do Eixo. Isso colocou os interesses japoneses em choque frontal com os interesses de outra potência em crescimento, os Estados Unidos, que aspirava a hegemonia econômica no pós-guerra e participava (embora ainda não diretamente) dos conflitos ao lado de União Soviética, Inglaterra e França, no grupo dos países Aliados. Ao término do conflito o Japão sai derrotado, juntamente com os demais países do Eixo, e passa a ser controlado politicamente pelos Estados Unidos.

Durante o período de controle estadunidense, a nação asiática passa a sofrer severas sanções políticas, ao mesmo tempo em que tem acesso a vultosos investimentos, tanto aqueles especulativos (através dos empréstimos do Plano Colombo) quanto aqueles produtivos (através da chegada de filiais de multinacionais dos Estados Unidos, em busca da mão de obra especializada, disciplinada e barata). Assim, mesmo sendo dominado por uma potência externa o Japão conseguiu manter um ritmo de crescimento acelerado no pós-guerra, o que se tornou ainda mais amplo com a redução do poder mandatário dos Estados Unidos no país a partir da década de 1970, quando o Japão retoma e mais do que isso, acelera seu crescimento econômico/industrial nas décadas de 1970 e 1980.

Esse crescimento acima da média mundial trouxe consigo consequências nefastas para a economia japonesa a partir do final da década de 1980, decorrente principalmente da criação de uma “super-bolha” de crédito nos bancos, que confiantes no pleno crescimento da economia concediam empréstimos e financiamentos a juros muito baixos e longos prazos de amortização, tanto para pessoas quanto para empresas, o que por sua vez trouxe à sociedade um grande endividamento familiar e fabril, que “explodiu” em uma grande cascata de inadimplência e implodiu a economia do país, que deixava de experimentar os ciclos sucessivos e constantes de crescimento, desde a Era Meiji.

Com a “explosão da bolha especulativa” no Japão, o Estado passou a direcionar vultosos capitais para a recuperação de bancos, sem lastro (uma vez que haviam concedido empréstimos indistintamente e não estavam recebendo-os) e de indústrias (endividadas e com reduções de ganhos, uma vez que as famílias endividadas reduziram seu poder de compra e automaticamente seu nível de consumo). Desse modo, a crise econômica japonesa na década de 1990, também chamada de “Década Perdida” resultou de um período anterior de franco crescimento que valorizou de modo artificial e não sustentado várias coisas no país, principalmente as ações das indústrias nacionais e os imóveis no país.

Portanto, os fatores determinantes para a década perdida japonesa são representados pela desvalorização repentina dos imóveis (até então falsamente valorizados), endividamento das famílias (que confiaram na estabilidade artificial da economia e contraíram grandes empréstimos), e a redução do valor de mercado das indústrias nacionais (que passavam a ter concorrência e principalmente enfrentar medidas protecionistas em mercados externos outrora liberalizados). Desse modo chegou ao fim o período de constante e acentuado crescimento nipônico, que era até então batizado de “Milagre Econômico”.


Questão 22

O conflito árabe-israelense e a questão da Palestina consistem num processo de caráter político, religioso, econômico e socioambiental.

Considerando-se os recursos hídricos e a geopolítica local, é correto afirmar que,

a) com a ocupação de territórios vizinhos, Israel teve acesso a novas fontes hídricas na Cisjordânia e no Rio Yarnuk, resolvendo o problema da falta de água.

b) em todo o território original ocupado, a utilização da água subterrânea em Israel tem beneficiado os palestinos.

c) para Israel, a água é um problema de segurança nacional e representa um dos maiores obstáculos para um acordo de paz com os palestinos.

d) para os judeus, primeiros sionistas que chegaram à Palestina, a questão da água deixou de ter dimensão ideológica-religiosa.

Resposta: C

Comentário:

Indiscutivelmente os conflitos na região do Oriente Médio encontram-se diretamente relacionados e motivados por questões étnico-religiosas entre os povos que ali habitam. Na atualidade têm-se dois importantes focos de tensão e guerras (declaradas ou não) nessa porção do continente asiático, que são a guerra civil na Síria e o conflito árabe-judaico na região de Israel. Interessa-nos o segundo.

Desde a partilha dos territórios árabes, que eram ocupados por palestinos, em 1948 pela Organização das Nações Unidas, dando origem ao estado de Israel, uma reinvindicação antiga do povo judeus, que acabara de passar pelos horrores do holocausto nazista, essa porção do Oriente Médio se tornou um grande “barril de pólvora” no contexto geopolítico mundial, em decorrência da combinação entre a intransigência da ONU no processo de partilha, da não aceitação dos povos árabes da existência de um estado judeu na região e da política expansionista de Israel, que expande seus territórios para localidades além das fronteiras definidas em 1948.

Por localizar-se em uma região de grande aridez, o Estado de Israel enfrenta, juntamente à resistência dos povos árabes, a limitação quantitativa de acesso aos recursos hídricos, que de modo geral se resumem principalmente às Águas do rio Jordão, que nasce nas Colinas de Golã e deságua no mar Morto. Portanto, o controle das águas do único grande rio que corta uma região desértica se torna uma questão estratégia e até mesmo vital para os povos envolvidos no conflito, conforme se observou na Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando Israel invadiu e conquistou esse território na fronteira da Síria, embora sua soberana não seja de fato reconhecida.

Os maiores entraves contemporâneos para a chegada a acordos definitivos de paz entre árabes e judeus encontram-se relacionados às disputas pelas águas do rio Jordão, vitais para o abastecimento urbano e para a irrigação agrícola da região, assim como a recente e controversa transferência de órgãos políticos israelenses e estadunidenses da cidade de Tel-Aviv (considerada capital do país judeu desde a criação do Estado em 1948), para a cidade de Jerusalém, tida como sagrada para árabes, cristãos e judeus, e mantida em regime de administração internacional desde a partilha dos territórios pela ONU, mas que é atualmente considerada pelo governo israelense e alguns de seus aliados como a nova capital da nação.


Questão 23

A partir da década de 1970, surgiu uma nova forma de organização espacial da indústria, tanto em países desenvolvidos quanto em subdesenvolvidos: os tecnopolos, também denominados no Brasil de Centros de Alta Tecnologia.

A respeito da formação, da importância e da localização dos tecnopolos no Brasil é correto afirmar que

a) esses estão em fase de implantação, visto que há necessidade de ampliar a rede de infraestrutura básica para que esses polos sejam conectados a todo o território nacional.

b) existem dezenas de polos tecnológicos, criados por fatores de atração como, por exemplo, mão de obra barata e disponível à indústria.

c) para a instalação de um tecnopolo, há necessidade de que a cidade apresente um forte setor industrial de base, que forneça matéria-prima abundante e um sólido mercado consumidor.

d) esses concentram as atividades industriais de alta tecnologia como telecomunicação, aeroespacial, informática e biotecnologia em universidades e em centros de pesquisa e de desenvolvimento.

Resposta: D

Comentário:

No transcorrer das inovações e evoluções técnicas das indústrias capitalistas no período após a Segunda Guerra Mundial, ocorreu a Terceira Revolução Industrial, responsável pelo aprimoramento dos processos de produção e de acumulação de riquezas através das atividades fabris. Essa revolução veio como mecanismo propulsor, capaz de fortalecer o sistema econômico das nações ocidentais, na disputa ideológica travada com as nações orientais, que aderiram à ideologia socialista, apregoada pela União Soviética a partir da Revolução Russa de 1917.

Os principais avanços advindos dessa revolução, na década de 1970, se relacionam à evolução dos meios de transportes e telecomunicações, que deram origem ao chamado meio técnico-científico-informacional, responsável direto pela ampliação dos fluxos globais e da ampliação das relações de interdependência entre as nações que se tornaram cada vez mais integradas e interligadas. Uma das consequências imediatas dessa evolução dos transportes e telecomunicações foi o processo de desconcentração industrial, verificado através das indústrias multinacionais, que começavam a atravessar as fronteiras de seus países de origem (invariavelmente ricos e desenvolvidos) em direção às nações de menor desenvolvimento, onde os custos produtivos fossem mais baixos.

Porém, essa desconcentração se deu de forma seletiva, uma vez que as atividades de maior valor agregado e de maior desenvolvimento tecnológico permaneceram nas nações mais desenvolvidas, uma vez que essas demandavam uma mão de obra de alta especialização, que não estava disponível nas nações mais pobres, assim como garantiriam às nações de Primeiro Mundo o controle da economia, mesmo com a saída de parte de sua cadeia produtiva para outras nações. OS aglomerados de indústrias modernas que passam a se formar nesse contexto, em algumas zonas dessas nações de alto desenvolvimento dariam origem aos polos tecnológicos, que posteriormente evoluiriam para os chamados tecnopolos.

A estrutura necessária para que em uma determinada região se desenvolva um tecnopolos está relacionada à oferta de condições diretas de produção de mercadorias de alta tecnologia, associada com a disponibilidade de mão de obra de alta especialização, capaz de operar processos produtivos cada vez mais modernos e pensantes, assim como instituições de pesquisa e desenvolvimento (P&D), que fomentem e ofereçam suporte contínuo e constante para a criação e evolução permanente da tecnologia e das mercadorias. Portanto, a existência de um tecnopolo depende diretamente da presença de indústrias de tecnologia de ponta, de grandes centros de pesquisa científica e de universidades de renome, de onde provém a mão de obra necessária para seu funcionamento.


Questão 24

A circulação atmosférica resulta da movimentação geral do ar, proporcionada pelo movimento de rotação da Terra e pela desigual distribuição de energia solar. É um movimento de grande escala, responsável pelo aquecimento da superfície terrestre.


Circulação da Atmosfera Terrestre



FERREIRA, G. M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3”. Ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 4. (Adaptado)


Considerando-se a circulação atmosférica terrestre, assinale a alternativa correta.

a) Nas latitudes subtropicais, nos dois hemisférios, o ar seco explica a concentração de desertos, situados ao longo da latitude de 30°, devido à grande amplitude térmica anual que caracteriza essas regiões.

b) Na latitude de 60°, em ambos os hemisférios, formam-se zonas de baixa pressão que atraem ventos provenientes das latitudes subtropicais, originando ventos de oeste.

c) O encontro entre os ventos orientais e o ar frio originário dos polos produz a zona de convergência intertropical, de instabilidade climática, que se desloca de acordo com as estações do ano.

d) Nas regiões polares, o ar frio e denso forma um centro de baixa pressão que é atraído para a zona de maior pressão das regiões tropicais, formando o fenômeno da friagem.

Resposta: B

Comentário:

Na circulação geral da atmosfera terrestre tem-se a ação de dois importantes fatores relacionados aos ventos que varrem a superfície do planeta, sendo a variação da pressão atmosférica e a força de coriolis. A variação da pressão é responsável pelo deslocamento dos ventos, partindo de zonas onde essa pressão é maior em direção a locais onde essa grandeza seja menos, enquanto a força de coriolis, resultante da rotação que a terra realiza em torno do seu próprio eixo, responsável pela trajetória curva desses ventos, durante seu deslocamento.

Desse modo tem-se que as áreas onde os ventos se originam, sempre com alta pressão atmosférica, são chamadas de zonas dispersoras ou zonas anticiclonais, ao passo que as zonas de baixa pressão atmosférica são as receptoras desses ventos, também chamadas de zonas ciclonais. Nas zonas anticilonais, a saída dos ventos acaba por retirar a umidade presente na atmosfera, criando áreas bastante secas, que dão origem a grandes desertos terrestre, com destaque para as faixas tropicais nos hemisférios norte e sul. Do mesmo modo, as zonas ciclonais recebem grande parte dessa umidade, formando ali locais de climas chuvosos, com destaque para a faixa equatorial. Esse movimento dos ventos, entre as áreas dispersoras e receptoras criam áreas de grande circulação de ar, chamadas de células atmosféricas, com destaque para a Célula de Hadley (que se forma entre os trópicos e o equador, onde circulam os ventos alísios), a Célula de Ferrel (que se forma entre os trópicos e os círculos polares, onde circulam os ventos de oeste) e a Célula Polar (que se forma entre os polos e os círculos polares, onde circulam os ventos de leste).

Portanto, tem-se como principais zonas relativas às pressões atmosféricas o equador, que é chamado de “zona de calmaria” por ser de baixa pressão, recebendo os ventos; os trópicos, que se configuram como zonas de alta pressão, dispersando os ventos alísios que convergem no equador; aos círculos polares, de baixa pressão, onde convergem os ventos de oeste, nos dois hemisférios; e os centros polares, que apresentam altas pressões, de onde se originam os ventos de leste, em direção às baixas pressões dos círculos polares.


Questão 25

Composto por espécies muito utilizadas e exploradas pela indústria; estende-se por vasta região de terras baixas e pelas costas montanhosas da Europa, da Ásia e da América do Norte, de elevada amplitude térmica anual e por invernos longos e frios; abriga um número relativamente pequeno de espécies vegetais.

O bioma descrito refere-se

a) à Taiga ou Floresta Boreal.

b) às Florestas Temperadas.

c) às Estepes.

d) à Tundra

Resposta: A

Comentário:

No excerto apresentado na questão faz-se menção a um bioma localizado nas áreas de média-altas latitudes no hemisfério norte, onde se encontra Europa, Ásia e América do Norte. Nessas faixas terrestres as vegetações predominantes se dividem entre as Tundras, as Florestas de Coníferas (Taigas) e as Florestas Temperadas.

A Tundra, vegetação característica das altas latitudes circunvizinhas aos polos terrestres se caracteriza como uma vegetação de baixo porte (rasteira), de ciclo de vida muito curto, decorrente dos invernos longos e muito rigorosos dessa região sempre muito fria, onde as espécies que se destacam são os liquens e os musgos, porém em termos econômicos é uma zona de baixo interesse, primeiramente pela baixa biomassa, o que não favorece à indústria de modo geral, e pelo clima excessivamente frio, que somado ao solo, chamado de Permafrost, cujo interior encontra-se permanentemente congelado, impossibilitam as práticas agrícolas.

A Taiga, apesar de localizar-se também nessas áreas próximas aos polos, recobre uma região de latitudes um pouco menores, e consequentemente menos gélidas que as Tundras. Porém, os rigores dos invernos longos e intensos também se manifestam e estabelecem severas limitações para as poucas espécies vegetais que são capazes de ali se desenvolverem. Porém, nessas latitudes a vegetação desenvolve um porte maior, com árvores muito altas, cujas copas apresentam formato cuneiforme, o que impede o acúmulo de neve sobre sua estrutura, assim como folhas finas e longas (aciculifoliadas) que possuem menor superfície de contato e menor possibilidade de acúmulo de gelo e peso excessivo sobre os galhos. Por serem árvores de grande porte, os pinheiros desse bioma foram amplamente devastados no passado para a obtenção de madeira para a indústria e principalmente para a construção civil, e na atualidade essa devastação se relaciona ainda com a indústria madeireira e a indústria de papel, dependente da celulose dali retirada.

A Floresta Temperada localiza-se em latitudes mais modestas, entre os círculos polares 66º e os trópicos 23º, onde as temperaturas apresentam-se bem mais amenas que nas áreas próximas aos polos. Nessa região têm-se climas com as quatro estações bem definidas, portanto apesar dos invernos continuarem muito frios, os verões apresentam temperaturas bastante elevadas, o que por sua vez permite e facilita a adaptação de mais espécies, posto que as condições climáticas não sejam tão limitantes quanto nos biomas anteriores. A vegetação desse bioma apresenta relativa biodiversidade, com predomínio de espécies arbóreas que perdem as folhas durante o outono (caducifoliadas), o que impede o congelamento ou acúmulo de gelo nos galhos durante os invernos. Essas florestas, assim como as Taigas, apresentam elevado grau de devastação e grande importância para atividades industriais nesses países.

Assim, como o enunciado da questão mencionou que o referido bioma localiza-se em uma região de costas montanhosas (logo, de temperaturas muito baixas, pelo fator altitude), com invernos muito rigorosos (portanto, próxima ao polo) e de baixa biodiversidade (decorrente dos rigores climáticos dos invernos extremos), trata-se das Florestas de Coníferas ou Taigas, que podem ser ainda chamadas de Florestas Boreais, pelo fato de predominarem no hemisfério norte da Terra.


Questão 26

A transição de uma economia estatizada para uma economia de mercado nos países da Europa Centro-Oriental gerou uma grave crise econômica, social e o fim do equilíbrio geopolítico estruturado pela Guerra Fria. Desde então, tornou-se necessária uma série de reformas econômicas com base no modelo neoliberal dominante no mundo pós-Guerra Fria. Tais medidas levaram, ao longo dos últimos anos, à queda da generalização da produção, do consumo e da renda familiar e, consequentemente, ao desemprego. Apesar disso, muitos desses países hoje fazem parte da União Europeia.

A respeito do processo descrito e da inserção desses países na União Europeia, afirma-se que

a) na Bósnia-Herzegovina, o fim da Guerra Fria promoveu vários conflitos, vitimou centenas de milhares de pessoas e gerou milhões de refugiados. Com a interferência de tropas da OTAN e com os Acordos de Dayton, a estabilidade econômica, política e social foi retomada e hoje o país compõe o bloco econômico europeu.

b) Polônia, Hungria e República Tcheca apresentaram expressivos índices de crescimento econômico graças a uma base econômica mais sólida e a uma relativa homogeneidade cultural que os livraram de tensões étnicos-nacionalistas. Por isso, foram os primeiros do grupo a se candidatarem e a serem aceitos para integrar a União Europeia.

c) o maior conflito étnico-nacionalista ocorrido na região foi o que resultou da desintegração da antiga Iugoslávia. O fim do regime socialista levou à separação das seis repúblicas que formaram o Estado Federal lugoslavo. Contudo, o crescente desenvolvimento dos estados federados permitiu o ingresso dessas repúblicas na União Europeia.

d) Bulgária, Eslováquia e Romênia estão entre os vários países da Europa Centro-Oriental em que se verificam tensões ligadas a minorias étnico-nacionais. Na Bulgária, a maioria envolvida é de origem turca; na Eslováquia e na Romênia, é de origem húngara. Os conflitos étnico-nacionalistas e o desejo de autonomia excluíram esses países da União Europeia.

Resposta: B

Comentário:

No contexto geopolítico do intervalo entre 1947 e 1991 se desenrolou no mundo a chamada Guerra Fria, marcada pela disputa ideológica entre o capitalismo defendido e propagado pelos Estados Unidos e o socialismo, implantado e defendido pela União Soviética. Desse modo, o mundo foi dividido em dois grupos dominantes, sendo o chamado “mundo ocidental” formado por aquelas nações afeitas ao ideário estadunidense, e o “mundo oriental” composto pelas nações que se aproximavam da doutrina soviética. A divisão prática entre esses “mundos” se realizava por uma divisa imaginária, chamada de Cortina de Ferro, que em alguns locais se materializou concretamente, sendo chamada de Muro de Berlim.

Porém, havia um terceiro grupo de nações, que se convencionou a chamar de “países não alinhados”, formados por nações que embora adotassem ao ideal socialista, não abandonara de fato e completamente feições típicas do mundo capitalista. Esse conjunto de nações europeias se juntou e deu origem a uma única região geopolítica batizada de Iugoslávia. Como membros dessa região não alinhada tínhamos Sérvia, Montenegro, Eslovênia, Macedônia, Croácia e Bósnia-Herzegovina, as quais permaneceram agrupadas até 1991, quando iniciou-se o processo de desintegração, tal qual se observava também na União Soviética nesse período.

Após o processo de desintegração, as nações independentes (tanto da ex-URSS como da ex-Iugoslávia) iniciaram um processo de conversão aos preceitos da economia capitalistas, que tornaria hegemônica após o encerramento do período de bipolaridade, porém no caso das antigas repúblicas soviéticas a transição se deu de modo mais eficiente e proveitoso, enquanto nas antigas nações não alinhadas, como a dissolução se deu através de guerras e conflitos separatistas, os resultados econômicos alcançados foram bem inferiores se comparados com aqueles obtidos pela ex-URSS.

Desse modo, várias nações que compunham o bloco socialista durante a Guerra Fria, conseguiram atingir níveis econômicos e sociais que as colocassem em condições de ser aceitas pela União Europeia, tais como a Bulgária, Polônia, Hungria, Romênia, República Checa, Eslováquia, Letônia, Estônia e Lituânia. Porém, das nações que compunham a Iugoslávia, a única que alcançou a condição de ser aceita como membro da União Europeia após a adesão plena ao modelo capitalista foi a Croácia, enquanto Sérvia, Montenegro e Macedônia do Norte (chamada de Macedônia até 2018, quando mudou de nome) apresentaram suas candidaturas, mas ainda não foram aprovadas as suas adesões ao bloco regional, principalmente pelas tensões étnicas constantes observadas entre seus povos, nessa região, que no passado era conhecida como República Socialista Federativa da Iugoslávia, e que atualmente é conhecida como Península Balcânica, considerada o “barril de pólvora” da Europa.


Questão 27

Escala é um dos elementos fundamentais da cartografia, pois representa a relação entre o tamanho original da área e o tamanho representado no mapa cartografado.
Num mapa, cuja escala é de 1:500.000 e a distância entre duas cidades é representada por 15 cm, a distância real entre as duas cidades é de

a) 1.500 Km.

b) 225 Km.

c) 750 Km.

d) 75 Km.

Resposta: D

Comentário:

A questão versa a respeito dos conhecimentos cartográficos, mais precisamente o entendimento acerca de escala cartográfica, que representa a relação entre as distâncias representadas em um mapa ou carta e as distâncias que existem na realidade naquela área mapeada/cartografada. Portanto, a escala informa ao usuário quantas vezes a realidade foi reduzida para que ela coubesse no mapa e o mapa fosse desenhado.

Com base nos dados apresentados no enunciado (Escala [E] = 1 : 500.000 e Distância no mapa [d] = 15 centímetros), foi perguntado o valor da Distância real [D] cartografada. O cálculo é realizado através da equação da escala, representada por E = d / D. Desse modo tem-se que:

1 / 500.000 = 15 / D
D = 7.500.000 cm

Convertendo-se para quilômetros tem-se que:

D = 7.500.000 / 100.000
D = 75 Km


Questão 28

Segundo o IBGE, dentre os 5.564 municípios existentes no país, 4.625 não são considerados centros de gestão. Essas informações foram obtidas por meio de pesquisas realizadas pelo instituto que investigou as principais ligações de transporte em direção aos centros de gestão, bem como os principais destinos dos moradores até as metrópoles para obterem bens e serviços.


https:/ww2.ibge.gov.br/home/geociencias/ geografia/regic.shtm?c= 7. Acesso em 05. fev .2019.


Considerando-se a hierarquia urbana brasileira, é correto afirmar que

a) devido à distância do centro econômico e administrativo do país, as metrópoles regionais, a exemplo de Manaus, têm pouca importância na rede urbana brasileira.

b) a hierarquia entre as cidades deixou de ser relevante devido à homogeneização dos fluxos entre as cidades e ao atendimento às necessidades básicas da população.

c) as populações, que vivem em regiões com redes urbanas menos adensadas, têm o mesmo acesso aos bens devido ao desenvolvimento dos meios de comunicação e de transportes.

d) essa hierarquia apresenta grande concentração de serviços nas metrópoles e nas capitais regionais, o que dificulta o acesso aos serviços públicos essenciais aos moradores de cidades menores.

Resposta: D

Comentário:

O processo de urbanização do território brasileiro se deu de modo tardia, assim como se notou com a industrialização, o que o fez ocorrer de modo acelerado e sem planejamento efetivo, ocasionando graves problemas socioeconômicos, os quais refletem diretamente na eficiência da rede urbana nacional, criando condições que não favoreçam à plena integração dos espaços urbanizados nas regiões nacionais.

Sendo diretamente relacionado, e até mesmo definido, pelo processo de industrialização, o desenvolvimento urbano do Brasil se deu de modo concentrado na Região Sudeste, o que criou condições de uma rápida metropolização nas grandes capitais estaduais dessa região, levando as regiões mais afastadas desse centro econômico da nação a apresentar um processo urbano muito mais rarefeito e menos integrado ao contexto geral do país.

A distância física e o distanciamento econômico entre a região concentrada (Sul, Sudeste e Centro-Oeste) e as regiões Norte e Nordeste fazem com que essas duas últimas apresentem relativo isolamento estrutural das primeiras, tornando os centros regionais (como no caso de Manaus – AM e Belém - PA) de suma importância para a economia regional, servindo às populações locais naqueles serviços essenciais, que externamente seriam possíveis apenas no Centro-Sul.

Porém , embora esses centros regionais ofereçam bens e serviços às populações ali viventes, essa condição de isolamento tornou ainda mais evidente a hierarquia urbana do país, uma vez que os desníveis dos poderes políticos e econômicos entre as cidades se mostrem cada vez mais evidentes, quando se comparam centros da Amazônia e Nordeste com centros da chamada região concentrada, mesmo porque, embora tenham acesso a bens e serviços outrora indisponíveis nessas áreas até as últimas décadas isoladas, sua oferta ainda se encontra muito aquém dos centros urbanos tradicionais, e mesmo os meios de transportes e telecomunicações, que poderiam favorecer a redução desses desníveis, atingem anda de modo rarefeito e impreciso essas regiões recentemente inseridas no contexto geopolítico nacional.


Questão 29

“ l .. ] é um fenômeno natural e possibilita a vida humana na Terra. Parte da energia solar que chega ao planeta é refletida diretamente de volta ao espaço ao atingir o topo da atmosfera terrestre - e parte é absorvida pelos oceanos e pela superfície da Terra [...]. Uma parcela desse calor é irradiada de volta ao espaço, mas é bloqueada pela presença de gases [...] que, apesar de deixarem passar a energia vinda do Sol (emitida em comprimentos de onda menores), são opacos à radiação terrestre, emitida em maiores comprimentos de onda. Essa diferença nos comprimentos de onda se deve às diferenças nas temperaturas do Sol e da superfície terrestre.”


Ministério do Meio Ambiente. Disponível em http://www.mma.gov.br/informma/item/195. Acesso em 25.mar.2019.


O processo descrito acima refere-se

a) ao efeito estufa.

b) ao aquecimento global.

c) à camada de ozônio.

d) à ilha de calor.

Resposta: A

Comentário:

Vários são os aspectos e mecanismos que garantem as condições de existência e manutenção da vida na Terra, porém, a quase totalidade desses aspectos se relaciona diretamente à temperatura média apresentada pelo planeta, que se encontra no nível ideal para que animais e vegetais desenvolvam seus processos bioquímicos e se estabeleçam no ambiente. Essa temperatura média, em torno de 17ºC, cria os requisitos básicos para que haja um dos mais importantes ciclos biogeoquímicos do planeta, que é o Ciclo da Água, transitando esse recurso essencial pelos três estados físicos básicos.

Sabe-se que a Terra possui duas fontes básicas de energia/calor, que são representadas internamente pelo núcleo terrestre e externamente pela radiação proveniente do sol. Porém, dessas duas, aquela externa é mais impactante e mais decisiva para que se alcance essa média de 17ºC, vital para fauna e flora. A incidência da radiação solar acontece apenas na fase de claro (dia) e durante a fase de escuro (noite) a Terra realiza um processo de perda de calor para a atmosfera, o que poderia ocasionar um planeta aquecido durante o dia, pelos raios solares, mas gélido durante a noite, pela perda de calor pela superfície.

Esse resfriamento excessivo não ocorre em decorrência da presença dos chamados Gases do Efeito Estufa – GEEs na atmosfera, os quais tem a capacidade de reter e armazenar calor proveniente da radiação solar diurna, e mantê-lo próximo à superfície durante o período noturno. Esses gases, dos quais se destacam o CO2, o CH4 e o H2O(v) podem ser liberados de maneira natural ou antropogênica, e são essenciais para a vida na Terra, desde que estejam presentes nas concentrações ideais, pois seu excesso torna-se tão ou até mais nocivo do que sua ausência.

Estando nas concentrações ideais esses gases criam o Efeito Estufa, que mantém a temperatura média ideal no planeta, porém, quando ações antropogênicas, principalmente ligadas à queima de combustíveis fósseis ou o desmatamento, aumentam suas concentrações, origina-se um impacto negativo que é conhecido como Aquecimento Global, que na mais é do que a potencialização do Efeito Estufa. Esse aumento das concentrações desses GEEs na atmosfera e o aumento das temperaturas médias originam nos grandes centros urbanos outro fenômeno antropogênico conhecido como Ilha de Calor, que também prejudica as condições para a vida no ambiente.

Mas embora todos esses fenômenos sejam generalizados como “fenômenos atmosféricos”, na verdade eles se concentram apenas na camada mais baixa da atmosfera terrestre, chamada de Troposfera, que se estende da superfície até 12 quilômetros de altitude. Em uma camada superior, que vai desses 12 quilômetros até os 50 quilômetros, chamada de Estratosfera, encontra-se concentrado o gás ozônio, que forma a camada homônima, responsável pela filtragem das radiações ultravioletas, dos tipos UVA e UVB, nocivas à saúde humana, por serem cancerígenas. Porém, embora se relacione com a radiação solar, a Camada de Ozônio não exerce qualquer influência direta sobre as temperaturas da Terra.


Questão 30

Observe os gráficos e as informações abaixo.

Gráfico I



FERREIRA, G. M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3ª. Ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 113. (Adaptado)


No verão, a atuação da mEa provoca o aquecimento da temperatura com chuvas rápidas e torrenciais; no inverno, ocorre o domínio das mEc, com possibilidade de atuação da mPa, provocando queda brusca da temperatura.


Gráfico II



FERREIRA, G. M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3ª. Ed. São Paulo: Moderna, 2010. p. 113. (Adaptado)


O verão é caracterizado pela atuação da mTa e da mTc, com períodos quentes e chuvas regularmente distribuídas; no inverno, além da atuação da mTa, também ocorre a atuação da mPa, ocasionando quedas na temperatura.

A partir da análise dos gráficos e das características apresentadas, é correto afirmar que os Gráficos I e II representam, respectivamente, os climas

a) Litorâneo Úmido e Tropical de Altitude.

b) Equatorial Subúmido e Litorâneo Úmido.

c) Equatorial Úmido e Subtropical Úmido.

d) Litorâneo Úmido e Equatorial Úmido.

Resposta: SEM RESPOSTA

Comentário:

A questão trouxe dois gráficos representativos de dois tipos climáticos observados no território brasileiro, que apresenta ao todo seis climas diferentes em suas cinco regiões políticas, climas estes que se relacionam diretamente com as condições de latitude dessas regiões, altitudes de seus respectivos relevos e atuação as massas de ar que se formam, tanto nas porções interiores quanto nas porções litorâneas do Brasil.

Na porção norte do país, nas faixas de baixas latitudes equatoriais, onde se localiza o bioma da Floresta Amazônica, observa-se o clima Equatorial Úmido, caracterizado por apresentar apenas uma estação bem definida ao longo do ano, sendo quente e úmido durante todos os meses, com chuvas abundantes, regulares e bem distribuídas, apresentando baixa amplitude térmica. No que tange à atuação das massas de ar, tem-se a MEC atuando tanto no verão quanto no inverno.

Na porção central do país, nas faixas de latitudes intertropicais, onde se localiza o bioma do Cerrado e o ecótono do Pantanal, observa-se o clima Tropical Semiúmido ou Típico, caracterizado por apresentar duas estações bem definidas, sendo um verão quente e úmido e um inverno ameno e seco, com média amplitude térmica. No que tange à atuação das massas de ar, tem-se a MEC, a MTA e a MTC no verão; a MTA e a MPA no inverno.

Nessa mesma porção central do país, nas regiões serranas nos limites entre o Sudeste e o Sul, onde a vegetação mistura Mata Atlântica, Mata de Araucária e Cerrados, observa-se o clima Tropical de Altitude, caracterizado por apresentar duas estações bem definidas, sendo um verão ameno e úmido e um inverno frio e seco. No que tange à ação das massas de ar, tem-se a MTA no verão; a MTA e a MPA no inverno.

Na porção litorânea, que se estende do Sudeste até o Nordeste, nas latitudes intertropicais, onde se localiza o bioma da Mata Atlântica, observa-se o clima Tropical Úmido ou Litorâneo, caracterizado por apresentar duas estações bem definidas, sendo um verão quente e seco e um inverno ameno e úmido. No que tange à ação das massas de ar, tem-se a MEA e a MTA no verão; a MEA, a MTA e a MPA no inverno.

Na porção interior do nordeste, conhecida como Sertão Nordestino, nas baixas latitudes intertropicais, onde se localiza o bioma da Caatinga, observa-se o clima Tropical Semiárido, caracterizado por apresentar duas estações bem definidas, sendo um verão quente e seco e um inverno ameno/quente e muito seco, com chuvas escassas e irregulares ao longo do ano. No que tange à ação das massas de ar, tem-se a MEA e a MEC no verão; e a MEA no inverno, porém ambas chegam secas à região. No caso da MEA a umidade é perdida na barreira orográfica do Planalto da Borborema (barlavento) e da MEC a úmida é perdida ao longo do deslocamento desde a Floresta Amazônica.

Na porção sul do país, nas médias latitudes subtropicais (temperadas), onde se localizam os biomas da Mata Atlântica, dos Pampas e da Mata de Araucária, observa-se o clima Subtropical Úmido, caracterizado por apresentar quatro estações bem definidas, sendo verões quentes e úmidos e invernos frios e também úmidos. O clima apresenta a maior amplitude térmica do Brasil, e chuvas abundantes e regularmente distribuídas ao longo do ano. No que tange à ação das massas de ar, tem-se a MTA no verão; a MTA e MPA no inverno.

A partir disso, observando os climogramas apresentados na questão conclui-se que o “Gráfico I” e sua descrição trazida pelo enunciado relacionam-se com o clima Tropical Semiúmido ou Tropical Típico, característico da porção central do Brasil, principalmente estados do Sudeste e do Centro Oeste. Já o “Gráfico II” e sua subsequente descrição se relacionam com o clima Subtropical Úmido, característico da Região Sul do país.

Ao se analisar as assertivas propostas pela questão, não há nenhuma alternativa que possa responder de modo correto aquilo que foi pedido ao candidato, estando assim a questão furada.