segunda-feira, 10 de setembro de 2018

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA - MEDICINA UEG - 2018



Questão 33

Observe a charge a seguir.


A personagem Mafalda, criada no contexto da Guerra Fria, demonstra, na charge, preocupação com o destino da humanidade diante da proliferação das armas nucleares. Nesse período, as armas nucleares foram objeto de uma discussão internacional que resultou na assinatura do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, em 1968.

Esse tratado

a) desestimulou a criação de armas nucleares pelos países da América Latina, em sua corrida armamentista pela hegemonia regional.

b) impediu o desenvolvimento de armas nucleares em países com histórico de conflito com seus vizinhos, como o caso de Índia e Paquistão.

c) proibiu que os países derrotados na Segunda Guerra Mundial, como Alemanha, Itália e Japão, desenvolvessem armas nucleares.

d) perdeu a sua razão de existir com a saída da China e da Coreia do Norte em 1992, quando expandiram seus armamentos nucleares.

e) fracassou nas suas intenções de restringir a expansão de armas nucleares, uma vez que não foi assinado pelos Estados Unidos e pela União Soviética.

Resposta: A

Comentário:

O Tratado de Não-Proliferação Nuclear assinado no contexto da Guerra Fria representou a materialização do receio global a respeito do crescimento da corrida armamentista e principalmente nuclear entre as duas potências hegemônicas do período da bipolaridade ideológica. Nesse período havia uma busca por equilíbrio entre as nações, o qual seria alcançado mediante o poderio bélico e militar.

Porém, as alianças que se faziam necessárias em ambos os blocos ideológicos desse período histórico, criavam um cenário preocupante de transferência das tecnologias nucleares entre as nações, o que causaria a disseminação desse poderio bélico e armamentista, e consequentemente a perda do controle a respeito dos arsenais mundiais, o que traria ainda mais instabilidade para o mundo.

Os principais preceitos desse acordo assinado em 1968 diziam respeito à limitação dos arsenais nucleares globais através de duas ações, sendo a primeira vinculada à proibição de que nações que ainda não possuíam armas atômicas não continuariam com suas pesquisas para esse intuito, e a segunda associada ao compromisso das nações já possuidoras dessas armas em reduzir seus arsenais e desarmar parte dos seus armamentos.

Nesse contexto, países da América Latina, como o Brasil, se comprometeram a abandonar seus programas nucleares, que visavam aumentar seu poderio regional, no período em que essas nações eram governadas por regimes militares, que tinham na corrida beligerante uma de suas maiores expressões de poder continental.

Questão 34

Observe os climogramas a seguir.


Os climogramas retratam os tipos climáticos que predominam respectivamente nos seguintes ambientes:

a) Pantanal e Floresta Amazônica

b) Mangues e Cerrado

c) Mata de Araucária e Cerrado

d) Mata de Araucária e Mangues

e) Floresta Amazônica e Pantanal

Resposta: B

Comentário:

Os climogramas apresentados na questão se referem a duas regiões abrangidas pelo clima tropical no território brasileiro, estando uma localizada nas porções litorâneas e outra na porção interior do país. O território nacional é dividido em seis áreas climáticas, das quais uma é equatorial, uma subtropical e outras quatro tropicais.

Nos dois climogramas apresentados observam-se duas estações bem definidas ao longo do ano, sendo que as chuvas são concentradas em uma dessas estações. No primeiro climograma tem-se as chuvas concentradas no inverno e no segundo no verão. O primeiro climograma se refere ao Clima Tropical Litorâneo, também chamado de Tropical Úmido ou Tropical Atlântico, no qual se nota que os verões são quentes e secos, enquanto os invernos são amenos e úmidos; ao passo que o segundo climograma se refere ao Clima Tropical Típico, também chamado de Tropical Semiúmido, no qual se nota que os verões são quentes e úmidos, enquanto os invernos são amenos e secos.

No que tange às vegetações que se distribuem por essas regiões climáticas nota-se que no Clima Tropical Litorâneo localizam-se as vegetações da Mata Atlântica e os Mangues, ao passo que no Clima Tropical Típico localizam-se as vegetações dos Cerrados e do Pantanal.

Questão 35

Uma estaca de 2 metros de altura, colocada na posição vertical em uma determinada localidade do hemisfério sul sob a luz solar, projeta uma sombra de comprimento X. 

Considerando-se a inclinação dos raios solares durante o solstício de inverno, tem-se que

a) latitudes superiores a 66º projetarão sombra apenas na direção norte-sul.

b) quanto mais distante da linha do equador, maior será a sombra projetada.

c) o comprimento da sombra será maior quanto menor for a latitude.

d) a altitude determinará o comprimento e extensão da sombra.

e) sobre a linha do Equador, assombra projetada será maior.

Resposta: B

Comentário:

Conforme mencionado no enunciado da questão, a estaca está posicionada no hemisfério sul, durante o período de solstício de inverno, portanto nesse momento o sol está localizado no hemisfério norte, próximo ao Trópico de Câncer. Portanto, o sol incidirá sobre a estaca atravessando a linha do Equador e projetando a sombra na direção do Polo Sul. Desse modo, quanto mais afastado da linha do Equador (maiores latitudes) maior será a sombra projetada pela estaca ao longo do dia.

Questão 36

Atualmente o agronegócio é responsável por mais de 40% das exportações do Brasil. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Em 2017 alguns dos principais produtos exportados foram a soja (em grão), a carne de frango, o açúcar bruto, a celulose, o farelo de soja, a carne bovina e o café em grão. Como consequência da dependência do Brasil em relação à exportação desse tipo de produto e a variação do preço de venda das commodities no mercado internacional, tem-se

a) o aumento do financiamento público visando à variação dos tipos de culturas.

b) a mudança da estrutura agrária do Brasil e da política de financiamento do agronegócio.

c) o crescimento do déficit da balança comercial atrelado às crises agrícolas dos países centrais.

d) a manutenção do Brasil na condição de país subdesenvolvido ou periférico.

e) o incentivo ao desmatamento de áreas localizadas em regiões de antiga fronteira agrícola.

Resposta: D

Comentário:

Embora o Brasil tenha passado por um processo de industrialização a partir da década de 1930, a agricultura (atualmente conhecida como agronegócio) manteve um importante papel na produção econômica da nação, e a posição de nação agroexportadora ainda se manteve, embora em escala um pouco mais reduzida.

Mesmo com o processo de industrialização e expansão do setor terciário, o Brasil manteve de certo modo uma posição secundária em relação às grandes potências mundiais, conservando as relações comerciais de fornecedor de produtos primários de baixo valor agregado e comprador de produtos e bem tecnológicos mais avançados, trazendo com isso um desequilíbrio na balança comercial da nação, limitando com isso o processo de desenvolvimento do país.

Desse modo, mesmo com a nação se tornando emergente e em desenvolvimento a partir da década de 1990, a posição de economia marginal ou periférica foi de certo modo mantida para o Brasil, o que afeta negativamente sua balança comercial e limitando o processo de crescimento econômico e social do país e o fim da dependência externa histórica por ele enfrentada.

OBS: Embora o termo subdesenvolvido esteja em desuso desde o final da Guerra Fria, quando foi substituído pelo conceito de “em desenvolvimento” e atualmente, no caso do Brasil, por “economia emergente”, o item D é aquele que entre as alternativas apresentadas melhor responde à questão.

Questão 37

Embora os processos produtivos da agricultura moderna no Cerrado já se encontrem em um estágio avançado, alguns elementos naturais ainda influenciam diretamente a produção agrícola. Nas grandes lavouras de sequeiro de soja, milho e cana-de-açúcar, são exemplos de fatores limitantes da produção:

a) as condições climáticas e o relevo.

b) os elementos da fauna e flora.

c) os elementos geológicos e pedológicos.

d) a baixa densidade da rede de drenagem.

e) as características químicas e físicas do solo.

Resposta: A

Comentário:

Embora a Revolução Verde tenha tornado a agricultura mundial mais moderna e mais adaptável às condições adversas e a locais onde anteriormente não se tinham condições de cultivo até então, alguns fatores ambientais continuam atuando como limitantes para a produção do campo, principalmente para aqueles cultivos de menor aporte tecnológico ou financeiro.

No caso do Cerrado brasileiro a região central do país se tornou um grande celeiro de grãos mundial, passando a ser uma das zonas agrícolas mais produtivas do globo, porém algumas condições, como os aspectos climáticos, nesse caso com duas estações bem definidas e as chuvas concentradas apenas nos meses de verão, assim como o relevo de planaltos, onde apesar das chapadas sedimentares, há também porções muito acidentadas, tornam a mecanização mais complicada e onerosa, elevando os custos e as dificuldades produtivas.

Questão 38

Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) contínua, divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego do Brasil cresceu para 13,1% no primeiro trimestre de 2018. Esse dado, bem como os dados percentuais de desocupação no Brasil entre janeiro de 2012 e março de 2018 e os dados do percentual de pessoas (com 14 anos ou mais) contribuintes do instituto de previdência, entre os anos de 2012 e 2017, estão expressos nos gráficos a 
seguir.


A análise do gráfico permite inferir que

a) o menor índice de desocupação no Brasil ocorreu no ano de 2014, assim como foi no ano de 2015 que ocorreu o maior percentual de contribuições ao instituto da previdência.

b) a taxa de desocupados no Brasil dobrou no período de janeiro de 2014 a março de 2017, ao passo que a taxa de contribuição previdenciária se manteve estável no mesmo período.

c) o maior crescimento do percentual de desocupados ocorreu no ano de 2017, período em que a taxa de contribuição à previdência se manteve constante.

d) a contribuição ao instituto da previdência, considerando o período analisado, tem sido maior no último trimestre do ano porque nesses meses é menor o número de desocupados.

e) a correlação entre a taxa de desemprego e o percentual de contribuintes da previdência social é diretamente proporcional.

Resposta: A

Comentário:

Os gráficos apresentados na questão estão relacionados aos dados obtidos pelo IBGE nas suas pesquisas, referentes nesse caso à taxa de desocupação (desemprego) e de contribuição para o sistema nacional de Previdência Social. No caso dos dados apresentados nesses gráficos, nota-se que no que tange à desocupação, no período entre 2012 e 2018 houve um visível aumento, embora não linear, sendo que no primeiro trimestre de 2014 a taxa de desocupados foi a mais baixa de todo o período, ao passo que a maior taxa foi observada na primeira metade de 2017.

Já com relação às contribuições para o sistema previdenciário, nota-se que o período de maior contribuição foi na transição do ano de 2015 para 2016, enquanto o período de menor contribuição foi no primeiro trimestre de 2012.

Questão 48

A atividade humana sobre os ecossistemas tem levado a uma diminuição da complexidade de inter-relações característica das comunidades naturais. Em locais nos quais estão instaladas usinas elétricas e atômicas, uma das principais preocupações é a diluição do teor de O2 dissolvido na água de áreas adjacentes, com consequente morte dos organismos vivos.

A principal poluição causadora desse evento de desequilíbrio ambiental é

a) eólica

b) sonora

c) radioativa

d) metálica

e) térmica

Resposta: E

Comentário:

Um dos grandes problemas da produção de energia pelas usinas termelétricas nucleares é a necessidade de utilização de água para o resfriamento do vapor necessário para a movimentação das turbinas que produzem a eletricidade. O sistema de funcionamento é simples, no qual o calor produzido a partir da fissão nuclear do elemento radioativo (urânio ou plutônio) aquece a água, que se converte em vapor, o qual se desloca sob condições de pressão, fazendo girar as turbinas e produzindo eletricidade. Após esse processo, o vapor é resfriado/condensado através de trocadores de calor, que usam água externa, voltando a ser líquido e reiniciando o ciclo.

Para que haja esse resfriamento, usa-se água coletada externamente, em lagos, mares, oceanos (...), e após a troca de calor, essa água externa é devolvida a sua origem, porém em uma temperatura muito mais elevada do que o natural, o que se configura na chamada poluição termal ou térmica, que afeta grandemente a via animal e vegetal que entra em contato com essas águas superaquecidas.

Questão 49

No estado de Goiás, em 2018, foi planejado um percurso totalizando aproximadamente 303 quilômetros de extensão, denominado Caminho de Cora Coralina, conforme ilustração a seguir.


Essa rota tem como objetivo proporcionar a divulgação das belezas do Cerrado brasileiro, em especial o goiano, e também difundir a história e a cultura do estado. A elaboração foi feita após levantamento de diários dos bandeirantes nos séculos XVIII, XIX e XX. A rota passará por locais como a Área de Proteção Ambiental da Serra Dourada, Parque Estadual da Serra de Jaraguá e Parque Estadual dos Pireneus e foi utilizada no passado pelos Bandeirantes. Adotando que você é um dos turistas que irá percorrer este caminho, é perceptível que visualizará cenários e paisagens diretamente ligadas à constituição vegetacional do Bioma Cerrado.

Ao se fazer esse percurso, verifica-se que

a) a conservação da biodiversidade dessas unidades de conservação é responsabilidade da comunidade local.

b) o Cerrado goiano é constituído exclusivamente de uma única formação vegetacional denominada matas ripárias.

c) a biodiversidade de fauna e flora endêmicas observadas sustenta a consideração de que o Cerrado representa um dos maiores biomas brasileiros.

d) há a necessidade parcial da preservação das nascentes e fitofisionomias locais e de sítios arqueológicos mesmo com o uso de biocidas controlados.

e) a implantação e o exercício de atividades capazes de provocar assoreamento e eutrofização de cursos de água nas unidades de conservação são permitidos.

Resposta: C

Comentário:

O projeto intitulado de “Caminho de Cora Coralina” visa à utilização econômica sustentável do bioma do Cerrado brasileiro, segundo maior bioma do país em extensão territorial, menor apenas que o bioma da Amazônia. Um turista ao percorrer essa rota, atravessando diferentes cotas altimétricas e feições botânicas, poderá vivenciar a riqueza da biodiversidade endêmica do Cerrado, uma das maiores do país, além de observar como as ações antrópicas de ocupação dessa porção central do território brasileiro, principalmente a partir da Revolução Verde a consequente expansão da fronteira agrícola, causou devastação dessa riqueza biológica.

A combinação de tão grande riqueza de espécies endêmicas, ocupação acelerada e predatória a partir da modernização da agricultura e da expansão da fronteira agrícola, trouxe um risco iminente de perda de biodiversidade e de endemismo desse bioma, o que o coloca na condição de hotspot no Brasil, ao lado da Mata Atlântica, como bioma com sério risco de pleno desaparecimento.



domingo, 24 de junho de 2018

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA - SEGUNDA FASE UFU - 2018


Questão 01

“Para a União Europeia, nada muda. A Espanha continua sendo nosso único interlocutor.” A mensagem nas redes sociais do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, é a primeira reação de peso à declaração da Catalunha: a UE não reconhece a independência. A equipe de Tusk advertiu que é preciso evitar uma “escalada”, o que seria uma péssima notícia “para os catalães, para a Espanha e para a Europa”.

Disponível em: < https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/27/internacional/1509120610_062639.html >. Acesso em: 27 de mar, 2017.

Considerando-se o contexto geopolítico do movimento separatista da Catalunha, responda.

a) Por que esse movimento separatista representou e ainda representa uma ameaça para os outros países integrantes da União Europeia?

O movimento separatista da Catalunha representa uma ameaça para a estabilidade da União Europeia pelo fato de que caso os catalães obtenham sucesso no processo de independência , podem se tornar um exemplo a ser seguido por outros povos ou territórios que buscam alcançar a plena autonomia dentro de outros Estados nacionais, tal como se observa no separatismo na Itália (onde a chamada Liga-Norte busca a independência da região da Padânia); na França (onde a ilha de Córsega tenta se tornar plenamente autônoma); na Dinamarca (onde as Ilhas Faroé buscam alcançar a autonomia plena); na Espanha (onde a população do País Basco busca a independência em relação ao Estado espanhol); no Reino Unido (onde na Irlanda do Norte, na Escócia e no País de Gales grupos buscam pela independência política em relação à Inglaterra); e na Bélgica (onde as regiões da Valônia e de Flandres reivindicam suas respectivas independências).

b) Apresente dois argumentos utilizados pelos separatistas da Catalunha para justificar sua independência da Espanha.

Dentre os principais argumentos utilizados pelos catalães para a defesa do processo de independência em relação ao Estado espanhol, pode-se destacar aqueles de ordem histórica, uma vez que esse território passou a fazer parte de fato do Estado espanhol apenas a partir da Guerra da Sucessão Espanhola (1702 – 1714), embora já fosse habitado pelo povo catalão desde o século XII.

Há ainda aspectos étnicos, posto que a Catalunha tem idioma próprio, bastante diferente do castelhano falado de modo geral na Espanha, e traços culturais bastante distintos do restante  daqueles apresentados pelo restante da população espanhola. Porém, o principal argumento utilizado pelos catalães é relativo a aspectos de ordem econômica.

A economia catalã atualmente possui o mesmo porte que a economia de Portugal, portanto, para a composição do PIB espanhol é vital a permanência desse território como parte integrante do país, ao passo que para a população da Catalunha, o retorno deste aporte econômico à Espanha tem sido desproporcional e desvantajoso para a região, pois alegam que contribuem com quase 1/4 do Produto Interno Bruto do país, mas recebem investimentos muito menores do que outras regiões, como a capital Madrid.

Portanto, uma das principais bandeiras de defesa da independência catalã seria o fato de que a Catalunha pudesse usar seus recursos em prol de seu próprio desenvolvimento econômico, e não mais em prol do Estado espanhol como um todo. O que permite classificar o movimento dessa região como sendo um separatismo nacionalista, embora o território catalão ainda não possa ser considerado tecnicamente uma nação.

Questão 02

Vale e Petrobrás limitam queda da Bolsa brasileira; dólar recua

A Bolsa brasileira fechou em baixa pelo segundo dia seguido, mas a valorização das ações da Vale e da Petrobras ajudou a amenizar a queda, em meio a preocupações com uma guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/03/vale-e-petrobras-limitam-queda-da-bolsa-brasileira-dolar-recua.shtml >. Acesso em: 28 de mar, 2017.

Criadas há mais de 60 anos, essas empresas são consideradas símbolo da industrialização brasileira. Levando-se em consideração as informações acima,

a) descreva o contexto político e econômico que motivou a fundação dessas empresas pelo governo brasileiro.

Ambas as empresas foram criadas pelo Estado brasileiro no contexto histórico da recuperação econômica da crise de 1929, durante a primeira metade do século XX, quando Getúlio Vargas passava a implementar no país um movimento político de cunho nacionalista, trazendo para as mãos do Estado o pleno controle da situação econômica brasileira.

Nesse contexto, o Brasil iniciava seu processo de industrialização, superando o modelo econômico agroexportador baseado na produção de café. Vargas buscava a criação de uma cadeia produtiva controlada pelo seu governo intervencionista, cuja estratégia primordial era o investimento em indústrias extrativistas e de base, que confeririam a seu governo o controle direto e indireto de toda a vida econômica da nação.

b) por que, atualmente, a Vale e a Petrobras ainda são consideradas empresas estratégicas para a economia do Brasil?

Estas duas empresas, embora hoje não sejam mais plenamente estatais, uma vez que na década de 1990 as políticas neoliberais implementadas no Brasil levaram à privatização completa da Companhia Vale do Rio Doce e parcial da Petrobrás. Porém, embora não mais sejam empresas essencialmente nacionais, seus rendimentos se refletem diretamente na economia brasileira de vários modos diferentes.

Sendo indústrias estratégicas, atuam em setores vitais para todo o processo produtivo industrial, exercendo influência direta sobre toda a vida econômica, uma vez que produzem minérios e petróleo em larga escala, muitas vezes destinados à exportação. Como essas duas empresas produzem no Brasil, elas pagam royalties ao Estado brasileiro, o que traz grandes rendimentos financeiros ao PIB nacional.

Além disso, essas empresas atraem grandes aportes de capitais indiretos (especulativos) para o país, através da venda de suas ações na bolsa de valores (BOVESPA) quando estão alcançando resultados positivos nas suas respectivas produções. Como essas empresas atuam em setores de grande interesse do capital financeiro, são responsáveis também pelo desenvolvimento tecnológico nacional, trazendo tecnologias externas ou mesmo desenvolvendo-as no próprio território brasileiro.

Pode-se ainda mencionar que estas empresas geram muitos postos de trabalho no país, tanto de modo direto quanto indireto, o que reflete na renda da população e por sua vez no dinamismo do mercado consumidor nacional, fazendo com que todos os setores econômicos sejam levados a funcionar com mais eficiência e potencial. Portanto, de modo geral, pode-se inferir que a presença dessas empresas no território nacional impacta positivamente sobre a economia brasileira, mesmo em um período de crise financeira.

Questão 03

Projeção do crescimento demográfico para grupos de países mais desenvolvidos e menos desenvolvidos por década


Fonte: UN/ESA. Wold Population Prospects: The 2012 Revision, http:esa.un.org/unpd/wpp/index.html

a) Explique os motivos que levam os grupos de países representados no gráfico a exibirem tendências de crescimento diferenciadas.

No gráfico apresentado os países são divididos em dois grupos distintos, tendo como critério de separação os seus níveis de desenvolvimento econômico, que acabam por refletir diretamente nos seus níveis de desenvolvimento social e qualidade de vida da população. Esses desenvolvimentos distintos acabam por estabelecer padrões igualmente distintos de crescimento populacional e consequentemente, a possibilidade de problemas e situações demográficas distintas no futuro.

Nos países mais desenvolvidos nota-se um ritmo menos acelerado de crescimento demográfico ao longo do período histórico abordado pelo gráfico, sendo que esse ritmo é decorrente das características socioeconômicas dessas nações, tais como o acesso democratizado à educação, informação e métodos contraceptivos, o que condiciona à realização do planejamento familiar. Além disso pode-se destacar o elevado custo de vida para se manter uma família mais numerosa, assim como a inserção mais maciça da mulher no mercado de trabalho e os casamentos cada vez mais tardios, o que acaba por reduzir de maneira sensível as taxas de fecundidade.

Já nas nações menos desenvolvidas, nota-se um ritmo muito acentuado de crescimento populacional ao longo do período destacado pelo gráfico. Esse crescimento populacional mais intenso é decorrente das condições sociais e econômicas observadas nessas nações, dentro das quais pode-se destacar o fato de muitas economias ainda serem basicamente agrárias, e as populações predominantemente rurais, onde as taxas de natalidade são mais elevadas. Mesmo nas nações em que as populações são predominantemente urbanas, a falta de acesso à educação e à informação torna menos eficiente o planejamento familiar, e mantém as taxas de fecundidade bem mais altas que aquelas observadas nas nações de maior desenvolvimento econômico.

b) Exponha duas consequências futuras que podem ocorrer nos grupos de países mais desenvolvidos e duas nos menos desenvolvidos com a manutenção dessas tendências.

Estes crescimentos populacionais distintos serão responsáveis pelo estabelecimento de consequências e condições sociais e demográficas igualmente distintas nesses países, uma vez que assim como o baixo crescimento populacional nas nações mais desenvolvidas pode ocasionar problemas econômicos nas próximas gerações, um elevado crescimento populacional nas nações menos desenvolvidas pode também trazer severas dificuldades para as próximas décadas nesses países.

Futuramente as nações mais desenvolvidas passarão por problemas demográficos relativos à redução da proporção de adultos na composição total da sua população. Essa queda na parcela de adultos afeta negativamente na composição da População Economicamente Ativa (PEA) assim como na arrecadação tributária por parte de Estado. Soma-se a isso a elevação natural da população idosa, o que causa uma sobrecarga sobre os sistemas de previdência social e de saúde pública para atender a esse nível etário da população.

Já nas nações de menor desenvolvimento, o crescimento populacional mais intenso será capaz de aumentar de modo substancial a proporção de jovens na composição total da população, o que afeta também de modo negativo, uma vez que aumenta a População Economicamente Inativa (PEI), elevando a taxa de dependência social, porém não em relação aos idosos, mas sim em relação às crianças e jovens. Nesse caso, haverá a redução na arrecadação tributária por parte do Estado, que verá elevar a necessidade de aumentar os investimentos destinados para a educação e saúde para a população que se tornará predominantemente jovem.

Questão 04

Desmatamento agravou crise da água em SP

Depois de atingir o menor nível de água já registrado, a população vai em busca das últimas gotas. Especialistas defendem que o desmatamento nas bacias hidrográficas e as ocupações irregulares contribuem para diminuir a quantidade e a qualidade das águas tanto superficiais quanto subterrâneas, tendendo a aumentar as enchentes e os alagamentos nas cidades. Além disso, é sabido que a crise no abastecimento de água não se deve apenas ao calor e ao baixo índice de chuvas.

Disponível em: <http://www.dw.com/pt-br/desmatamento-agravou-crise-da-%C3%A1gua-em-sp/a-17637584>. Acesso em: 28 de mar, 2017. (Adaptado)

a) Explique a relação existente entre o desmatamento e a diminuição da quantidade e da qualidade das águas.

As vegetações nativas apresentam um papel determinante na circulação natural das águas pela superfície terrestre, assim como na sua renovação constante, no que se conhece como ciclo hidrológico. Essa vegetação atua como agente importante na quantidade de água potável disponível nos lençóis freáticos e aquíferos subterrâneos, uma vez que favorece ao processo de infiltração das águas provenientes das precipitações , assim como na qualidade dessa água, uma vez que durante esse processo de infiltração ocorre a filtragem natural das impurezas presentes nessas águas.

A retirada da vegetação atua duplamente contra o ciclo hidrológico, uma vez que reduz o processo de infiltração/filtração das águas, assim como reduz a evapotranspiração, responsável pela “devolução” da água  para a atmosfera na forma de vapor, o que altera sensivelmente as precipitações atmosféricas. Em termos quantitativos, tem-se a redução das chuvas e das reservas subterrâneas de água, ao passo que em termos qualitativos a menor infiltração reduz a “limpeza” das águas, comprometendo assim negativamente a sua potabilidade.

b) Como a ocupação irregular do espaço geográfico para a construção de moradias contribui para a ocorrência de enchentes e de alagamentos no meio urbano?

Nos processos de uso e ocupação irregulares dos solos nas áreas urbanas uma série de ações antrópicas podem desencadear vários problemas de ordem ambiental e principalmente social. Estre estes problemas de ordem socioambientais destacam-se os processos de movimentos de massa (deslizamentos de terras) em regiões de relevo íngreme e também os processos de enchentes e alagamentos das áreas de relevos mais baixos, nas várzeas dos cursos hídricos.

Essas enchentes e inundações decorrem principalmente das ocupações irregulares em áreas de encostas de relevos nas vertentes, onde o desmatamento para que haja essa ocupação torna o solo exposto aos processos erosivos, que desencadearão o processo de erosão dos solos, transportando sedimentos para os cursos hídricos, os quais vão se tornar assoreados e consequentemente mais rasos, mais propícios para os transbordamentos nos períodos de chuvas mais intensas. Além do assoreamento, o desmatamento das encostas aumenta o processo de escoamento superficial (enxurrada) e reduz o processo de infiltração das águas nos solos, aumentando o volume de água que é lançada diretamente nos rios, que transbordarão mais facilmente.

Soma-se a esse desmatamento das vertentes, a ocupação das regiões de várzeas (margens dos cursos hídricos) onde se localiza o chamado “leito maior” dos rios, que corresponde a uma área marginal ao curso normal desses canais, ocupadas naturalmente pelas águas durante as enchentes. Nesses locais ocorre a impermeabilização dos solos, com asfalto e concreto, o que limita a infiltração e força essa água a permanecer na superfície, podendo ainda ocorrer nessas regiões a canalização ou retificação dos canais dos rios, tonando as águas mais rápidas e mais passíveis de transbordamento nos períodos chuvosos.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

TRUMP x G7...


Reunião da cúpula econômica do mundo

- Por Éder Israel


Disponível em: < https://cdn-images-1.medium.com/max/1219/1*MaCBxo2bi_72zav72QbQsw.jpeg > Acesso em 10 jun. 2018

Nesse início de junho de 2018 as maiores potências econômicas mundiais se reuniram em Quebec, no Canadá, para discutir os rumos da economia do planeta, porém a reunião acontece em meio a dois grandes furacões: o primeiro se refere à postura dos Estados Unidos em relação aos seus parceiros comerciais, tendo elevado as tarifas alfandegárias para produtos importantes como o aço e o alumínio; enquanto o segundo se refere à intransigência do presidente estadunidense, Donald Trump, em relação aos tratados e acordos internacionais assinados ou em discussão.

Como era de se esperar, a postura do presidente dos Estados Unidos se manteve dentro de sua normalidade anormal, tal qual fora visto anteriormente na cúpula mundial sobre o meio ambiente, realizada em Paris, quando o fato de o governante ter tirado seu país do acordo internacional anteriormente firmado, a respeito da redução das emissões de gases poluentes para a atmosfera, dessa vez quando as discussões tomavam o viés comercial, a respeito da liberalização comercial, defendida pelos demais membros e condenada por Trump, o debate emperrava; principalmente depois da recente elevação dos tributos sobre commodities importadas pela potência americana...

Os participantes da reunião, ocorrida nos dias 08 e 09 do referido mês, (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália, França, e Canadá) tinham como intuito debater as questões relativas às regras comerciais, porém o pano de fundo de toda a questão é a crise econômica global, iniciada em 2008 e alastrada pelo mundo, que contra as previsões de economistas não tem se resolvido tão rapidamente. Em um momento de crise e recessão, tudo que as principais potências econômicas buscam são meios para que suas mercadorias circulem por todo o mundo e seus lucros sejam cada vez mais exponenciais. Porém, a maior de todas essas potências tem tomado o caminho diametralmente oposto, se isolando e dispensando acordos internacionais de todas as espécies.


Disponível em: < http://usnnetwork.com/wp-content/uploads/2017/04/Donald-Trump-Smiling-660x330.jpg> Acesso em 10 jun. 2018

Como anfitrião, o Premiê canadense, Justin Trudeau, tomou a frente das discussões e das propostas da conferência e atacou duramente a decisão unilateral dos Estados Unidos em relação às tarifas do aço e do alumínio, e angariou apoio para que ao final do encontro fosse firmado um acordo multilateral no sentido de reduzir as barreiras protecionistas no mercado global, afinal, a globalização depende principalmente do aumento das trocas comerciais e do estabelecimento de acordos e parcerias interdependentes entre as nações.

Como os rumos da cúpula apontavam para um sentido totalmente oposto aos interesses estadunidenses, o presidente americano (de modo unilateral, como tem sido rotina...) resolveu abandonar o encontro antes do seu término, e mais do que isso, saiu pela porta dos fundos e “atirando para todos os lados”, principalmente para o lado do Premiê canadense, ao qual ele chamou de fraco e desonesto, por conta deste ter afirmado que a postura de Trump a respeito das questões protecionistas, intitulando-a como um acinte aos princípios do livre mercado.

Após a saída pela tangente de Donald Trump, formou-se um consenso entre as outras potências do encontro, de que a postura do governante estadunidense não contribui em absolutamente nada para a busca da solução para a crise econômica global, e mais do que isso, pode gerar uma reação em cadeia negativa de todas as outras nações do mundo que poderiam, em retaliação a esse aumento tarifário dos Estados Unidos, aumentar também as suas tarifas alfandegárias, o que atravancaria ainda mais o comércio no mundo, trazendo ainda mais dificuldades para as economias ainda abaladas pela crise de 2008.

Mas do que não aceitar as posturas econômicas das outras nações a respeito das questões tarifárias mundiais, a saída antecipada (porém muito bem planejada) de Trump se deu ante da parte final da cúpula do G7, quando as nações iniciariam os debates a respeito das questões ambientais, e o mundo já havia percebido no Acordo Climático de Paris que a postura dos Estados Unidos é de rompimento com as questões relativas à busca de um modelo econômico pautado pela sustentabilidade ambiental e a redução das emissões de gases nocivos ao efeito estufa e ao aquecimento global. Embora tenha abandonado as discussões, Donald Trump orientou aos representantes estadunidenses que não assinassem qualquer acordo proposto ao fim do encontro.


Disponível em:< https://f.i.uol.com.br/fotografia/2018/06/09/15285873285b1c64401b7e8_1528587328_3x2_lg.jpg> Acesso em 11 jun. 2018

Além disso, Trump sinalizou que poderá ampliar as barreiras protecionistas, dessa vez em direção às indústrias automobilísticas alemãs, as quais ele acusa de concorrência desleal no mercado estadunidense. Em suma, a postura do presidente americano apenas reforça um direcionamento que o mesmo vem tomando nos últimos meses, seja em relação à cúpula climática de Paris, ou ao acordo nuclear do Irã, tratados dos quais ele retirou seu país e desfez os compromissos outrora firmados.

Até mesmo nações que não participavam da conferência econômica se manifestaram a respeito dos impasses geopolíticos ali observados. O Primeiro Ministro da China, Xi Jinping afirmou que a postura do presidente estadunidense em relação ao comércio internacional é inaceitável e que as tarifas implementadas sobre o aço e o alumínio pelo presidente Donald Trump não contribuem em nada para o livre comércio e para a integração global entre as nações. Xi Jinping ameaçou ainda retaliações econômicas e tributárias bilionárias, caso os Estados Unidos mantenham sua postura unilateral e intransigente a respeito das trocas comerciais no mundo. Cabe lembrar que China e Estados Unidos travam batalhas relativas a disputas por mercados nos últimos anos, e que as vitórias nessas batalhas tem sido predominantemente favoráveis ao país asiático...

Por outro lado a Rússia, que desde 2014 tem sido excluída das reuniões do G7 por conta da anexação dos territórios da Criméia na Ucrânia, se manifestou através do presidente Vladimir Putin que afirmou que embora os membros do grupo ali reunidos tenham feito grandes propostas acerca de liberalização comercial e acordos multilaterais, pouco ofereceram de concreto a respeito da formação de um mercado verdadeiramente global. A (re)inclusão da Rússia na verdade foi uma das poucas propostas concretas realizadas por Donald Trump, a qual foi rejeitada pelos demais membros. Até 2014 a nação do Leste Europeu participava das reuniões do G7, quando o grupo passava a ser chamado de G8, porém o recrudescimento da política externa intervencionista de Moscou acabou por afastar o país de grupo.

Saindo mais cedo da conferência que se realizava no Canadá, a justificativa do presidente dos Estados Unidos foi de que o foco político do país no momento é a reunião planejada para o dia 12 de junho em Cingapura, quando haverá um encontro histórico entre Donald Trump e Kim Jong-Un, presidente ditador da Coreia do Norte, que travou nos últimos meses uma guerra de ameaças veladas sobre um suposto programa nuclear do país socialista do sudeste asiático. Muito se espera sobre essa reunião, porém a postura intransigente dos dois chefes de Estado nos leva a crer que pouco se deve avançar de modo produtivo em termos geopolíticos mundiais. Resta esperar...