sábado, 30 de janeiro de 2016
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
domingo, 24 de janeiro de 2016
CONFERÊNCIA MUNDIAL DO CLIMA 2015 - COP-21
Parte 1: O que há por trás da aparente
preocupação global em relação às mudanças climáticas?
Por Éder Israel
Disponível
em: <http://menos1lixo.virgula.uol.com.br/wp-content/uploads/2015/12/cop-paris-perspective-cropped.png>
Acesso em 23 jan. 2016
Ainda
sob a comoção criada após os ataques terroristas ocorridos em Paris no final de
2015, foi realizada na capital francesa uma das mais importantes conferências
relativas ao meio ambiente, a qual foi chamada de COP-21. Dentre os principais
pontos debatidos nessa conferência e que passaram "despercebidos", podemos destacar alguns que se configuram como os mais ressonantes para os
próximos anos, tais como o conjunto de propostas realizado pelos países menos
desenvolvidos, assim como a "benevolência" relativa das potências
mundiais em relação a ações ligadas à conservação ambiental. Parece bom demais
para ser verdade...
A
COP-21 pode ser compreendida como uma proposta de revisão dos pontos e
propostas realizados em 1998 no Protocolo de Kyoto, quando se buscava uma
redução de 5,2% das emissões de CO2 para a atmosfera a ser alcançada
pelos países desenvolvidos (chamados na ocasião de Nações do Anexo 1) no
período entre 2008 e 2012. Nesse final de 2015, a meta principal era a
ampliação desta taxa de redução para
além dos 5,2%, bem como a proposta de comprometimento de países fora do grupo
do Anexo 1, para que se chegasse a um consenso global para a retração mundial
dos níveis de poluição atmosférica e consequentemente do aquecimento global.
Disponível
em: <http://gdb.voanews.com/41879063-5408-492D-A460-D04CCB976391_mw1024_s_n.jpg>
Acesso em 23 jan. 2016
Voltando
aos pontos mais importantes e dignos de menção, destacamos a "boa
vontade", principalmente por parte dos Estados Unidos e seu discurso/proposta
de reduzir em 1/3 as suas emissões de CO2 para a atmosfera. Poxa, os
Estados Unidos, que recusavam a reduzir em 5,2% as emissões em 1998 quando não
ratificaram o Protocolo de Kyoto? Muito
estranho isso...
Ora,
qual a razão deste pleno e repentino interesse em ajudar o mundo com o meio
ambiente? Estariam os Estados Unidos se tornando um país altruísta e preocupado
com o bem estar mundial? O que a maior
potência mundial poderia ganhar com essa mudança de atitude ambiental?
Precisamos responder a estas questões, para conseguir compreender minimamente o
contexto global da questão ambiental para este início de século XXI. Vamos a
isso.
Sabemos
que no final do século XX, os Estados Unidos passaram a enfrentar um problema
que não havia enfrentado desde o término da Segunda Guerra Mundial, que é a
concorrência com outra nação que busque tomar sua posição de maior potência capitalista
do mundo, fato que se observa atualmente
com o crescimento econômico e a conversão capitalista cada vez mais
sólida da China. Embora a economia chinesa tenha atravessado recentemente
algumas turbulências, o fato é que o país asiático assume cada vez mais a
posição de destaque entre as nações emergentes do mundo e caminha a passos
largos na direção de competir brevemente com os Estados Unidos de modo mais
efetivo pela posição de Hegemonia capitalista. A China pretende desbancar o
mais rápido possível o controle primaz que os estadunidenses detém desde o
término da Guerra Fria em 1991, e busca isso às custas de uma ampliação da
produção industrial, sem se preocupar com os custos ambientais disso.
A
situação econômica da China atual se sustenta, dentre outras coisas, no fato de
que a nação asiática não faça parte dos países do Anexo 1 do Protocolo de
Kyoto, logo não possuía a obrigatoriedade de reduzir em 5,2% as emissões de CO2
para a atmosfera, o que permitiu ao governo e às indústrias do/no país a livre
queima do carvão mineral existente na Manchúria, produzindo energia fóssil em
nível elevado. Porém os poluentes atmosféricos eram liberados na mesma
proporção do crescimento do PIB chinês. Em 2008, a China ultrapassou os Estados
Unidos como maior emissor global de CO2, e desde então a situação
tornou-se ainda mais severa, pois enquanto o mundo buscava por fontes alternativas
de energia em substituição ao petróleo poluente, os chineses ampliavam a cada
dia a queima do carvão mineral, mais poluente que o próprio petróleo.
Disponível
em: <https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjQpLn9nKBan7g2X9jfjSukvcVWrgGIg1KImI4UMONp1_UtgV_payz5tCnx0qOzJg4v90yekFp4igP-9I6rgXUXTdYIL1uAg849byn-muvU0mdeztpshFMjfxfBNEKBJGV3foTaZtqClOw/s1600/polui%25C3%25A7%25C3%25A3o+china+2.jpg>
Acesso em 24 jan. 2016
A
primeira pergunta anteriormente feita, sobre quais os interesses dos Estados
Unidos em "ajudar" ao mundo, é respondida com base nesse aspecto,
pois com a economia chinesa crescendo quase ininterruptamente desde a década de
1980, a continuação da produção industrial do país asiático o levaria a
concorrer, em poucos anos, em pé de igualdade com a economia dos Estados
Unidos, em crise desde 2008. Propor um acordo global de redução das emissões de
CO2 na COP-21, seria ótimo para o governo estadunidense, pois isso
levaria a China a ser obrigada a reduzir a queima do carvão mineral que possui
a custos baixos e a sua substituição por outras fontes (fósseis ou não) que o
país não possui. Aumentar-se-iam os custos produtivos da nação asiática, reduzir-se-ia
seu crescimento econômico, e os Estados Unidos teriam um "suspiro"
maior na tentativa de se manter a posição de maior potência do século XXI.
O
segundo questionamento, seria se os Estados Unidos estariam se revestindo de
altruísmo para com as preocupações globais no que tange ao aquecimento global.
Bobagem... A Primavera Árabe de 2011, trouxe uma profunda instabilidade para o
mundo árabe e consequentemente para a oferta internacional de petróleo (embora
devemos considerar que nesse início de 2016 os preços deste recurso energético
anteriormente tão valorizado nos anos anteriores tenha atingido níveis abaixo
das últimas décadas, mas trata-se de outra discussão a ser feita em outro
momento). Pois bem, a economia estadunidense ainda não se reestabeleceu
plenamente da crise imobiliária de 2008 e vê dificuldades em equilibrar seus
gastos já planejados e o sobregasto com o petróleo, até recentemente caro.
Altruísmo que nada, a questão no caso seria "pindaíba" mesmo, pois a
busca tem sido por outras fontes energéticas em alternativa ao petróleo, não
por considerar este muito poluente, mas sim por considerá-lo muito caro. Está
respondido o segundo questionamento.
E
em terceiro lugar, questionei o que os Estados Unidos estariam ganhando com
essa proposta de redução de 30% de suas emissões de CO2 para a
atmosfera. Em se tratando do maior expoente do capitalismo mundial, é óbvio que
o termo "ganhar" deve ser entendido como ganho econômico, como
acúmulo de riqueza e capital. Ora, um dos grandes debates atuais acerca das
questões energéticas nos Estados Unidos, é a extração e a utilização do gás do
xisto, apresentado como "salvador da pátria" ou "fonte
energética do futuro". Porém, enfrenta severas críticas principalmente por
conta de seu método de extração, chamado de crackin',
que é acusado de causar a contaminação e o comprometimento das águas
subterrâneas, além da emissão de gases mais nocivos ao clima que o CO2.
Disponível
em: <http://fundacaoverde.org.br/wp-content/uploads/2014/01/gas_xisto4.jpg>
Acesso em 24 jan. 2016
Portanto,
o discurso de que estaria disposto a reduzir a dependência histórica em relação
ao petróleo soa, para a opinião pública estadunidense, como uma boa vontade
aparente do Estado em busca da sustentabilidade ambiental e isso poderia
diminuir as críticas e cobranças hoje realizadas à extração do gás do xisto,
que no final das contas é exatamente o que as grandes corporações energéticas do
país, que sustentam as campanhas políticas, querem. Como disse, é bom demais
para ser verdade...
Na
prática, as discussões realizadas na COP-21 serviram muito mais para pavimentar
os caminhos das grandes potências na recuperação econômica da crise global de
2008, do que para solucionar ou mitigar problemas de ordem ambiental do mundo.
Embora houveram pontos e propostas ambientalmente interessantes que debateremos
em outro momento.
Continua...
sábado, 23 de janeiro de 2016
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
sábado, 9 de janeiro de 2016
SOBRE OS MUROS QUE EMERGEM HOJE NO MUNDO, CONCRETOS OU ABSTRATOS
Parte 2: Há muito mais do que defesa de soberania e das populações nacionais na construção destes muros...
Por Éder Israel
Disponível em: <http://imguol.com/c/noticias/e6/2015/09/03/3set2015/600x424.jpg> Acesso em 06 jan. 2016
No caso das coreias, a divisão é fruto do armistício
assinado em 1951 pelas duas partes da península envolvidos em um conflito
militar e ideológico que remonta ao contexto da Guerra Fria, quando o norte sob
influência do socialismo soviético (e principalmente chinês) entrou em conflito
com o sul, que aproximava-se politicamente dos Estados Unidos e posteriormente
do Japão. O armistício assinado pelas lideranças do norte e do sul não pôs fim
á guerra, mas simplesmente colocou uma pausa nos conflitos. As ações militares
cessaram, porém as disputas no contexto político e ideológico seguem seu curso
normal, embora o período da Guerra Fria e da bipolaridade mundial tenham se
“extinguido” há tempos.
Hoje, o paralelo 30ºN continua sendo uma das regiões
mais militarizadas e vigiadas do mundo, impedindo a passagem dos habitantes de
ambos os países em qualquer direção. Recentemente haviam sinais de um
enfraquecimento da divisão física das duas nações, com diálogos a respeito da
possibilidade de liberar o fluxo de pessoas entre as duas regiões, porém as
recentes ações e inclinações belicosas do governo do norte da península coreana
tem dificultado a continuidade dos diálogos e o estabelecimento de novos
acordos entre os dois Estados, acenando para uma possibilidade cada vez mais
real de manutenção da divisão entre norte e sul. Cabe mencionar que no caso da
barreira erguida no paralelo 30ºN, trata-se de uma divisão ideológica e política, entre o socialismo que tenta sobreviver
acima do paralelo e o capitalismo que se estabeleceu e enraizou abaixo dos 30º.
Disponível em: < http://www.luizberto.com/wp-content/cicero56.jpg>
Acesso em 07 jan. 2016
Já os limites territoriais dos Estados Unidos e do
México que sempre foram economicamente bem divididos de acordo com o nível de
desenvolvimento das duas nações e pelo rio Grande em vários quilômetros, tem
sua paisagem histórica modificada recentemente pela construção e constante
ampliação de uma cerca que limita fisicamente as duas nações norte americanas,
com o claro intuito de fechar de vez o acesso de latinos à América
Anglo-Saxônica.
A década de 1980 deu origem a uma série de recessões
econômicas na América Latina, que aqui no Brasil ficou conhecida como a “década
perdida” enquanto no México começou um pouco mais tarde, no início da década de
1990, tendo sido chamado de “efeito tequila”, o que motivou um aumento
substancial dos fluxos de imigrantes ilegais para os Estados Unidos, e para
conter este fluxo maciço de pessoas do “sul” para o “norte” foi lançada em 1994
a Operation Gatekeeper, que iniciou a
construção de um muro físico na fronteira seca entre as duas nações, muro este
que tem se ampliado recentemente, e sido usado nos discursos políticos de
conservadores ferrenhos como Donald Trump, candidato a candidato à presidência
da potência hegemônica americana. Cabe mencionar, portanto eu a fronteira
concreta entre Estados Unidos e México corresponde a uma divisão econômica entre duas nações
capitalistas americanas.
Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_7Iu6s1xPt7c/TOFOcqPsdyI/muro+EUAM%25C3%25A9xico.jpg>
Acesso em 07 jan. 2016
A análise da fronteira atual entre os territórios dos
judeus de Israel de dos árabes da Cisjordânia necessita do entendimento dos
processos que motivaram os conflitos nesta região, até porque este entendimento
possibilita a compreensão e mesmo a aceitação de que estes conflitos
dificilmente se cessarão um dia, pois envolvem um conjunto enorme de variáveis
históricas, culturais, territoriais e étnicas, e essas coisas demandam tempo e
um “algo mais” que possivelmente árabes e judeus não estão dispostos a cederem
em prol da paz e da vivência pacífica (ou pelo menos harmônica) entre
israelenses e palestinos.
O calcanhar de Aquiles desta questão no Oriente médio
reside na premissa de que judeus e árabes alegam ser “donos” dos territórios da
Palestina/Israel, e o agravante é que de acordo com o ponto de vista usado na
análise, ambos têm razão em essa alegação, daí a dificuldade de um dos lados
ceder à partilha do território e ao mesmo tempo, caso esta partilha fosse
realizada, cada um dos envolvidos se contentar com sua parcela desse
território, por se considerar dono de toda a região. E é nesse momento que a
situação se complica e os tratados de paz intermediados pelo ocidente (que não
entende, ou antes finge não entender) todas as variáveis que compõem essa
miscelânea de interesses e pretensões dos povos do oriente.
Analisando a situação sob o ponto de vista dos judeus,
há de se admitir que eles estão corretos em sua alegação de que estariam apenas
voltando para a Terra Prometida a partir da criação do Estado de Israel após a
Segunda Guerra Mundial pela ONU (leia-se Estados Unidos), uma vez que os judeus
ali estavam até sua expulsão (Segunda Diáspora) em 70 d.C. pela expansão do
Império Romano e a conseqüente destruição de Jerusalém. A partir deste momento
os judeus se “espalharam” pelo mundo, principalmente norte da África, Europa e
Ásia Menor (basicamente a parte asiática da Turquia atualmente).
Pois bem, dando um salto temporal em busca do fio da
meada que orienta o presente texto, chegamos ao contexto pós Primeira Guerra
Mundial, e de expansão do “nacionalismo” alemão pós Tratado de Versalhes, que
encontrou em Adolf Hitler a figura ideal para mover massas em nome do revanchismo
dos alemães, assim como no nazismo um ideologia que se encaixava perfeitamente
na concepção de que a Alemanha era maior que o resto do mundo e deveria dominar
este. Faltava, portanto alguém para ser o “bode expiatório” da questão,
sobrando para os judeus que ali (na Europa) estavam desde a Segunda Diáspora
judaica. Pronto, estavam prontas as bases para o Holocausto e a Segunda Guerra
Mundial. Mas e a questão entre judeus e palestinos, onde entra nosso tudo?
Então, José, quase no final da segunda guerra e com a
iminente derrota dos países do Eixo, os Estados Unidos e alguns dos membros da
Aliança se reuniram na cidade de Bretton Woods (mais precisamente em 1944) para
a realização de uma conferência homônima que traçaria os planos que marcaria os
rumos que o mundo seguiria, e conseqüentemente lançaria as bases para a Guerra
Fria que viria em 1947. Na Conferência de Bretton Woods foram criados o Fundo
Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BIRD) e o estabelecimento do
Padrão Dólar-Ouro, e este último é o que de fato nos interessa, pois os Estados
Unidos precisariam de dinheiro para ampliar os seus investimentos nos planos
Marshall e Colombo após a Segunda Guerra Mundial, e os judeus teriam bastante
dinheiro para investir depois das indenizações pagas pelo Estado Alemão após a
derrota que se aproximava. Bom, José pensa! Estados Unidos mandarão na ONU, a
ONU tem poder de dividir territórios e criar novos Estados, os judeus receberão
indenizações pelo holocausto, o governo estadunidense precisa de muito
dinheiro, os judeus de um território... Ligue os pontos aí, é fácil...
Portanto, segundo os judeus a criação do Estado de
Israel seria a volta para a terra prometida, da qual foram expulsos pelos
romanos em 70 d.C.. Porém, nesse meio tempo, entre a diáspora e a criação de
Israel, os muçulmanos (que chamaremos de palestinos, por uma questão de
facilidade de entendimento) “dominaram” a região a partir do ano de 638
(aproximadamente) e dali fizeram seu território. Advém daí grande parte da
“treta”, pois segundo os palestinos, eles ali estão desde os anos 600 d.C. e
não aceitam o retorno dos judeus, sendo que vale em seu ponto de vista a idéia
de nossa infância de que “saiu ao vento, perdeu o assento”. Portanto segundo os
judeus, os muçulmanos precisam sair para que estes retornem aos seus antigos
domínios, ao passo que os palestinos dizem que “daqui não saio e ninguém me
tira”...
Com a criação de Israel os territórios que antes eram
chamados simplesmente de Palestina foram divididos, dando origem posteriormente
a três regiões distintas, das quais duas são árabes (Faixa de Gaza e
Cisjordânia) e uma judaica (Israel), e aí a situação "desandou" pois
os judeus alegam que devem ter a posse de toda a Terra Prometida, tendo
portanto os palestinos que saírem, e por outro lado os palestinos afirmam que
os judeus não têm direito de voltar e dominar a região. Soma-se a isso o
expansionismo dos territórios israelenses para além dos limites da partilha de
1948 e principalmente o apoio quase que incondicional dos Estados Unidos (leia
ONU e lembre-se da Conferência de Bretton Woods...) às políticas de Israel nas
questões territoriais e pronto, começou a fazer sentido aquilo que seu
professor chama de "barril de pólvora" no Oriente Médio.
Em 2001 o governo de Israel deu início à construção de
um muro que dividia territórios judaicos daqueles ocupados por palestinos na
Cisjordânia. Segundo as alegações israelenses a barreira foi idealizada para
garantir a segurança de sua população contra os constantes ataques de grupos
árabes, assim como garantir a manutenção dos territórios além dos limites de
1948, naquilo que se convencionou a chamar de assentamentos judeus. Segundo os
palestinos e a própria ONU a construção do muro fere os acordos da criação de
Israel, assim como vai contra os direitos humanos essenciais dos povos da
Cisjordânia, mas de nada adiantou o posicionamento da organização supranacional
em 2004, pois o muro além de continuar existindo teve seu traçado ampliado.
A intransigência de Israel ao erguer um muro separando
a Cisjordânia do restante da antiga Palestina, e a inoperância da ONU em fazer
cumprir as determinações de um organismo próprio que julgou ilegal a construção
desta barreia, e principalmente a postura de total e irrestrito apoio ao
governo israelense por parte dos Estados Unidos criam condições para que os
conflitos entre judeus e árabes se arrastem indefinidamente pelos próximos anos
e os noticiários continuarão destacando um ataque de algum palestino extremista,
que será prontamente respondido pelas forças armadas de Israel, e como sempre
as populações civis estarão entre as vítimas desses ataques (de ambos os
lados). A partir da análise destes fatos, é plausível inferir que o muro que se
ergue entre os territórios judeus e árabes representa claramente uma divisão étnica e religiosa o Oriente Médio.
Disponível em: <http://i55.tinypic.com/14m3o6f.jpg>
Acesso em 09 jan. 2016
Recentemente grandes levas de imigrantes do norte da
África se direcionaram ao sul da Europa, abrindo um importante debate global a
respeito da questão dos refugiados e das fronteiras no mundo contemporâneo,
principalmente pelo elevado número de pessoas que morreram na tentativa de
realizar a travessia do mar Mediterrâneo. Os destinos principais eram a Itália
e a Grécia, por conta da proximidade geográfica com o continente africano.
A pobreza endêmica e o passado colonial da África cria
condições para que esses contingentes imigratórios se mantenham ao longo do
tempo e se ampliem recentemente, assim como a discussão sobre o direito dos
países europeus fecharem ou não suas fronteiras para estes africanos. Porém, o
foco de nossa análise nesse texto reside nas localidade de Ceuta e Melilla pertencentes
à Espanha, mas localizadas geograficamente no Marrocos, pois a proximidade
dessas localidades com o sul da Europa faz com que sejam (ou tenham sido) um
caminho preferencial para os africanos que buscavam refúgio no velho
continente. Para evitar que ocorram estes fluxos migratórios o governo espanhol
investiu na construção de muros (chamados de vallas) ainda no início da década
de 1990, com o claro intuito de impedir que populações africanas tivessem
acesso ao Mediterrâneo e dali à União Europeia.
As vallas de Ceuta e Melilla acabaram por levar os
africanos a buscarem novas rotas para terem acesso ao bloco europeu, o que tem
tornado a travessia mediterrânica cada vez mais longa e arriscada, ceifando milhares
de vidas nos últimos anos. Principalmente nos últimos meses, quando a chegada
de movimentos islâmicos extremistas, como o Boko Haram na Nigéria, tem levada
um número cada vez maior de pessoas a buscarem um modo de abandonar a África em
prol da garantia de suas vidas. A Espanha resolve (em partes) o seu problema nos
domínios africanos frente à União Europeia, que cobra constantemente um
controle maior das fronteiras externas dos países membros do bloco, mas cria
para as populações africanas condições que em muitos casos as condenam à morte
por diferentes meios, em relação à incapacidade de sair do continente ou de
chegar às terras europeias.
Observando-se as características e fatores componentes
da questão fronteiriça em Ceuta e Melilla, pode-se afirmar que esta barreira
configura-se em uma fronteira econômica,
uma vez que separa claramente os "pobres" da África da
"riqueza" europeia, representando uma nova limitação ao direito
essencial de ir e vir das populações, confinando-as a condições precárias de
vida (na verdade sobrevivência...), limitando a possibilidade de criação de uma
sociedade plenamente integrada e interdependente, que se convencionou a chamar
(antes mesmo de sua existência) de sociedade global.
Disponível em: <http://admin.beta.news.linktv.org/wp-content/uploads/2014/04/Spain-African-migration.jpg>
Acesso em 09 jan. 2016
Em resumo, podemos concluir que a capacidade do mundo
contemporâneo em resolver esse tipo de problema se deve à sua igual capacidade
de criar esses mesmos problemas, haja visto que o antagonismos entre um mundo
cada vez mais rico e sociedades cada vez mais pobres, dos lugares cada vez mais
conectados e as pessoas cada vez mais distantes umas das outras, da plena
evolução dos meios de transportes e as limitações ao livre fluxo de
pessoas(...) fazem parte de uma sociedade (que as pessoas insistem em chamar de
"sistema", mas eu considero o termo reducionista) que se sustenta
exatamente pela desigualdade, pelas discrepâncias e pela dicotomia entre s
extremos.
Passada a "festa" pela queda do Muro de
Berlim em 1989, o mundo viu de fato o nascimento de várias outras barreiras e
certamente verá isso por longos anos. Seria meio que admitir que não há ingresso
para todo mundo na festa da globalização...
■
Assinar:
Postagens (Atom)
















