quarta-feira, 23 de outubro de 2019

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA - UEL - 2020




Questão 02

Observe a figura a seguir.



 LOPES, J. Troca-troca, 2002, fuscas com aparelhagem de som, dimensões variáveis inhotim.org.br


Os três fuscas da imagem fazem parte do acervo do Museu de Inhotim. O Fusca, antes de se tornar objeto de arte, foi símbolo da indústria automobilística mundial, hoje marcada pelos métodos toyotistas de fabricação. 

Com base nos conhecimentos sobre sistemas produtivos no transcurso do século XX, considere as afirmativas a seguir.

I. As práticas toyotistas na indústria automobilística buscaram superar os parâmetros básicos do fordismo ao operarem com o just in time e a produção diversificada em uma mesma base de fabricação.

II. O espírito da ideologia nazista de Estado forte se entrelaçou com a fabricação, na Alemanha, dos carros Volkswagen.

III. Automóveis expostos em museus permitem observar transformações nos campos social e cultural do século XX, tais como a preocupação com a questão ecológica.

IV. A produção em larga escala de automóveis pelas indústrias Ford marcou o nascimento da “linha de produção flexível”.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.

b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.

c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.

d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.

e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Resposta: D

Comentário:

Após a crise de superprodução de 1929 o sistema de produção capitalista passou a buscar a superação do modelo de produção fordista, em vigor até então. Um dos principais aspectos fordistas, diretamente relacionado com a crise era a produção rígida, sem se atentar às dinâmicas do mercado consumidor e a padronização das mercadorias, o que gerou o excedente de mercadorias (estoques) responsável pela falência global no período.

Para tentar superar a crise eclodida foi estabelecido o modelo de produção toyotista, oriundo das indústrias automobilísticas japonesas. Um dos principais aspectos desse modelo se refere à flexibilização das mercadorias e à aproximação entre a indústria e o mercado consumidor, marcados pelo just in time (fim dos estoques), visando suprir as demandas do mercado sem originar a superprodução, característica do modelo fordista.

Assim como a diversificação visual das mercadorias, as evoluções produtivas trouxeram consigo a modernização das tecnologias industriais e as melhorias nos produtos, agregando-lhes avanços técnicos e tornando-os um reflexo direto dos avanços sociais e econômicos das nações. No caso da imagem apresentada pela questão, tem-se veículos do modelo fusca, da empresa alemã Volkswagen, os quais retratavam além dos avanços técnicos e sociais dessa nação, as aspirações produtivas do nazismo, que aproximavam a produção industrial aos interesses do Estado autoritário de Hitler.


Questão 03

No dia 25 de janeiro de 2019, ocorreu o rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, localizado geograficamente na região metropolitana de Belo Horizonte, resultando no maior desastre com rejeitos de mineração e vítimas fatais, até então, registrado no Brasil.

Sobre os impactos socioambientais desse desastre, assinale a alternativa correta.

a) A lama que cobriu a bacia hidrográfica do rio Paraopeba, rica em matéria orgânica, ajuda no crescimento de espécies vegetais aquáticas, o que contribui para a recuperação do ecossistema da área atingida.

b) O rompimento da barragem poderia ter sido evitado se o sistema de alerta utilizado pela empresa responsável tivesse funcionado, avisando a população da área a montante.

c) Os rejeitos de mineração provocaram a mutação em diversas espécies da fauna que habitam a bacia do rio Paraopeba, tornando-as resistentes a esse tipo de material.

d) O rio Paraopeba pode ser recuperado utilizando-se medidas como o desassoreamento do leito e a biorremediação, mesmo sabendo que a recomposição da fauna e da flora será lenta.

e) O ciclo de vetores, responsável pela disseminação de doenças foi pouco alterado, o que, para a população, é benéfico, pois impossibilita o surto de doenças como a dengue e a febre amarela.

Resposta: D

Comentário:

O desastre ambiental ocorrido em 2019 na mina do córrego do Feijão, no município de Brumadinho, repetiu a mesma tragédia ocorrida no município de Mariana em 2015, quando outra barragem de rejeitos de mineração ligada à Vale se rompeu causando grandes danos ambientais, econômicos e sociais à população circundante.

Um dos maiores danos causados se relaciona à fauna e flora do rio Paraopeba, diretamente atingido pelo fluxo de lama e efluentes da mineração de ferro, o que trouxe a contaminação das águas e o assoreamento do leito do curso hídrico. Embora os danos sejam de grande dimensão, o fato de não ter havido uma contaminação por produtos químicos (uma vez que a lama liberada pelo rompimento continha em sua quase totalidade minério de ferro) torna o processo de recuperação ambiental menos complexo, embora demorado.

Dentre as principais ações corretivas necessárias para o local encontra-se a retirada dos resíduos que preencheram o leito do rio, através do desassoreamento, tornando o leito do mesmo novamente profundo, a biorremediação (utilização de organismos vivos para o tratamento dos efluentes não químicos e a busca pelo reestabelecimento do equilíbrio ambiental do ecossistema), além da recomposição da fauna e da flora local, embora a recuperação da biota demande um longo período de tempo para se estabelecer.

Questão 09

Leia a tirinha a seguir.



herdeirodeaecio.blogspot.com


Nos parques, busca-se conservar áreas com atributos naturais e paisagísticos de reconhecido interesse científico, educacional, recreativo e turístico, enquanto nos museus procura-se preservar amostras do patrimônio cultural e natural.

Com base na tirinha e nos conhecimentos sobre os problemas ambientais no mundo moderno e contemporâneo, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.

(           ) A poluição do ar provocada por atividades industriais atingiu os locais mais distantes dos grandes centros urbanos, como os polos, florestas tropicais e ilhas na Oceania.

(           ) O processo histórico de substituição das florestas por um sistema produtivo de plantation no Brasil colonial e imperial tornou mais complexo o ciclo energético da biodiversidade.

(           ) Os parques nacionais, por serem criados por meio de decisões de política governamental, podem sofrer transformações provocadas por interesses políticos de seus governantes.

(           ) Os Estados Unidos da América tornaram-se um dos países menos poluidores do mundo por terem assinado e cumprido as ações determinadas por tratados internacionais de preservação, como o Acordo de Paris.

(           ) A Arábia Saudita possui a maior reserva petrolífera do mundo e é governada pelo sistema político parlamentar, tornando acessíveis os benefícios democráticos à maior parte de sua população.

Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.

a) V, V, V, F, F.

b) V, F, V, F, F.

c) V, F, F, V, V.

d) F, V, F, V, F.

e) F, F, V, F, V

Resposta: B

Comentário:

O processo de desenvolvimento econômico da sociedade capitalista moderna trouxe consigo a elevação do grau de deterioração e degradação ambiental, principalmente por conta do avanço das atividades produtivas em detrimento da preservação de ambientes naturais. Embora o processo de degradação ambiental seja tão antigo quanto a própria sociedade humana, foi a partir do século XX que esse processo se tornou mais latente e impactante sobre o meio e sobre o modo de vida das sociedades em geral.

Atualmente os impactos ambientais não se restringem mais às áreas onde as atividades antrópicas se estabelecem, mas se espalham por toda a superfície da Terra, atingindo áreas nos oceanos, calotas polares ou mesmo ilhas ou montanhas desabitadas, uma vez que a origem dos impactos continua sendo local, mas sua abrangência se tornou global. Na tentativa de minimização desses impactos os Estados tem criado legislações ambientais, porém a preservação dos ambientes naturais acaba sempre sujeita aos interesses políticos e econômicos do próprio governo ou de investidores privados, o que limita sua eficiência.

Soma-se aos interesses econômicos as ações políticas de nações poluidoras, como os Estados Unidos, que se recusa sistematicamente a assumir compromissos ambientais como a substituição de matrizes energéticas por fontes menos poluidoras, ou mesmo o abandono de acordos internacionais, como se observou na ação do presidente Donald Trump ao abandonar o Acordo Climático de Paris e consequentemente os compromissos firmados anteriormente pelo Protocolo de Kyoto.

Questão 10

O climograma é uma forma gráfica de representação do clima que indica a média térmica e a pluviosidade de uma determinada localidade. Sua coluna indica a precipitação e a linha a temperatura (em ºC). Com base nos conhecimentos sobre os tipos climáticos, relacione os climogramas a seguir aos tipos de clima do Brasil.




(A) O Clima Equatorial caracteriza-se pelo domínio da massa de ar Equatorial Continental, com temperatura média anual em torno de 24 °C, e pluviosidade anual em torno de 2500 mm.

(B) O Clima Subtropical caracteriza-se pelo domínio das massas de ar Tropical Atlântica, Tropical Continental e Polar Atlântica, com temperatura média anual em torno de 18 °C e pluviosidade em torno de 1500 mm anual bem distribuída durante o ano.

(C) O Clima Tropical caracteriza-se pelo domínio das massas de ar Tropical Atlântica, Tropical Continental e Equatorial Continental, com média anual de 24 °C, duas estações do ano bem definidas e pluviosidade em torno de 1500 mm anual.

(D) O Clima Semiárido caracteriza-se pelo domínio das massas de ar Equatorial Atlântica e Tropical Atlântica com temperatura média anual de 27 °C e com pluviosidade em torno de 750 mm, distribuída irregularmente durante o ano.

Assinale a alternativa que contém a associação correta.

a) I-A, II-B, III-C, IV-D

b) I-B, II-C, III-D, IV-A

c) I-C, II-B, III-D, IV-A

d) I-C, II-D, III-A, IV-B

e) I-C, II-A, III-B, IV-D

Resposta: C

Comentário:

Os climogramas são gráficos representativos dos climas, nos quais são referendados os valores relativos à umidade (em mm), temperaturas (em ºC) ao longo dos meses do ano. Sendo assim, cada tipo climático possui seu respectivo climograma referente. Na questão apresentada são listados 4 climogramas distintos, relativos a tipos climáticos brasileiros.

O primeiro representa o clima tropical típico (ou tropical continental ou ainda tropical semiúmido), caracterizado por duas estações bem definidas ao longo do ano, com verões quentes e chuvosos, e invernos amenos e secos, apresentando baixa amplitude térmica anual. Esse clima é típico da porção central do país, relacionado com as massas Equatorial Continental. Tropical Atlântica e Tropical Continental, associado ao bioma do Cerrado e ao ecótono do Pantanal.

O segundo climograma representa o clima subtropical úmido, que abrange a região sul do país, apresentando quatro estações bem definidas, com verões quentes e invernos frios, sendo as chuvas regularmente distribuídas ao longo do ano. A amplitude térmica é a maior entre todos os climas do Brasil. Esse tipo climático é influenciado pelas massas Tropical Atlântica, Tropical Continental e Polar Atlântica. Sua área de ocorrência relaciona-se aos biomas dos Pampas e das Matas de Araucárias.

O terceiro climograma refere-se ao clima tropical semiárido, característico da região do sertão nordestino, marcado por duas estações bem definidas, das quais o verão é muito quente e seco enquanto o inverno é quente e muito seco. As precipitações são escassas e irregulares, sendo influenciado pelas massas Tropical Atlântica e Equatorial Atlântica. Em termos botânicos se associa ao bioma da Caatinga.

O quarto climograma representa o clima Equatorial Úmido, típico da região norte do Brasil, marcado por apenas uma estação bem definida, quente e chuvosa ao longo de todo o ano, apresentado amplitude térmica muito baixa. Esse clima recobre a região da floresta latifoliada equatorial (Amazônia), sendo influenciado pela massa Equatorial Continental.

Questão 11

Um grupo de turistas, saindo de São Paulo, inicia uma viagem para conhecer três grandes museus: Museu do Vaticano (Roma), Museu de História Natural (Nova Iorque) e Museu do Amanhã (Rio de Janeiro). Sabe-se que a saída ocorreu em São Paulo, na sexta-feira, às 11h da manhã, em direção a Roma, sendo que o tempo de viagem foi de 12 horas. O grupo permaneceu em Roma e, no terceiro dia, embarcou para Nova Iorque, às 11h da manhã, com tempo de viagem de 10 horas. Os turistas permaneceram em Nova Iorque e, no quarto dia, embarcaram em direção ao Rio de Janeiro às 11 horas da manhã, com tempo de viagem de 9 horas.




Com base nessas informações, no mapa de fusos horários, considerando os horários locais e que a contagem do período de permanência se inicia no dia de chegada ao local, é correto afirmar que os desembarques em Roma, em Nova Iorque e no Rio de Janeiro, ocorreram, respectivamente, às

a) 23h de sexta-feira; 21h de segunda-feira; 20h de quinta-feira.

b) 23h de sexta-feira; 21h de domingo; 23h de quarta-feira.

c) 3h de sábado; 15h de segunda-feira; 22h de quinta-feira.

d) 3h de sábado; 18h de segunda-feira; 20h de quarta-feira.

e) 3h de sábado; 19h de segunda-feira; 1h de sexta-feira.

Resposta: C

Comentário:

Sabendo-se que as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro se localizam no fuso horário de Brasília (45º O), Roma se localiza no fuso 15º L, tem-se que:

1.   Quando a saída se deu em São Paulo às 11:00 de uma sexta-feira, em Roma os relógios marcavam 15:00. Assim, como o horário de saída em Roma foi às 15:00 e a viagem durou 12 horas, a chegada na capital italiana se de às 03:00 do sábado.

2.   Como os turistas permaneceram por 3 dias em Roma (sábado, domingo e segunda-feira), tendo partido no terceiro dia (segunda-feira) às 11:00 em direção a Nova Iorque. Quando da saída de Roma os relógios marcavam 11:00 de segunda-feira, em Nova Iorque os relógios marcavam 05:00 do mesmo dia. Assim, como a viagem durou 10 horas, a chegada à cidade estadunidense se deu às 15:00 da segunda–feira.


3.   Como os turistas permaneceram em Nova Iorque por 4 dias (segunda, terça, quarta e quinta-feira), tendo saído na quinta-feira às 11:00 com direção ao Rio de Janeiro, no momento da partida dos Estados Unidos os relógios na capital carioca marcavam 13:00, tendo a viagem durado 9 horas. Assim, a chegada ao Rio de Janeiro se deu às 22:00 da quinta feira.

Questão 18

O Brasil é líder mundial no consumo de agrotóxicos, com 7,3 litros por ano para cada habitante, e o número de veneno no prato do brasileiro aumentou consideravelmente nos últimos três anos (de 2016 a 2018). O Brasil caminha para a liberação do aumento do número de novos registros de agrotóxicos e afins, ficando na contramão de países europeus e dos EUA.



www1.folha.uol.com.br


Com base no gráfico e nos conhecimentos sobre a utilização dos agrotóxicos, considere as afirmativas a seguir.

I. O aumento do número de novos registros de agrotóxicos e afins entre os anos de 2015 e 2018 foi de 363%, contribuindo qualitativamente com a segurança alimentar e a biodiversidade.

II. Em função da aplicação dos agrotóxicos, há a contaminação das águas e dos horizontes do solo, afetando a biota, podendo até tornar o solo estéril.

III. Algumas classes de pesticidas promovem a desorientação espacial e a morte das abelhas, prejudicando a polinização de determinadas lavouras e causando a queda na produção.

IV. A opção por um modelo de desenvolvimento baseado em latifúndios monocultores voltados para a exportação, aliada a políticas de redução e isenção de impostos, incentiva o uso desses produtos.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.

b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.

c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.

d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.

e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Resposta: E

Comentário:

Após a Revolução Verde (1950) a agricultura passou por um intenso processo de mecanização e modernização das técnicas que culminou com a associação próxima entre a produção de insumos pelas indústrias e pela aplicação desses insumos pelas atividades até então restritas ao campo. No Brasil esse processo se deu conjuntamente à expansão da fronteira agrícola em direção ao bioma do cerrado, principalmente através da utilização do calcário no processo de correção do solo e neutralização da acidez proveniente do excesso de alumínio no mesmo.

Juntamente ao uso do calcário tem-se a intensificação do emprego dos fertilizantes químicos e principalmente dos agrotóxicos/pesticidas, no combate às pragas cada vez mais resistentes. Porém, o uso crescente e contumaz desses produtos químicos coloca em risco tanto a saúde dos consumidores, quanto o meio ambiente e também a comercialização dos produtos nacionais, uma vez que muitos dos pesticidas usados no Brasil são proibidos em países europeus e nos Estados Unidos, que são grandes compradores da produção agrícola brasileira.

No que tange às questões ambientais, o uso desses compostos compromete a biodiversidade e o equilíbrio ecológico das espécies, prejudicando processos vitais como a polinização realizada por insetos, assim como os fluxos de energia nas cadeias alimentares. Assim como contaminando as reservas subterrâneas de águas (tanto os aquíferos quanto os lençóis freáticos), bem como os solos em que são realizados os cultivos.

No caso brasileiro, o fato de nossa economia ser baseada historicamente no modelo dos plantations (grandes latifúndios, monocultores e voltados à exportação) demanda o uso desses produtos químicos para a manutenção dos níveis de produtividade capazes de atender às demandas dos mercados externos, o que aliado às políticas de subsídios e incentivos fiscais ofertados pelo Estado, contribuem para que seu uso seja observado em graus cada vez mais intensos e amplos na atualidade.

Questão 21

Em novembro de 2007, foi anunciada a existência de extensos campos de petróleo na camada pré-sal brasileira, como o de Tupi. Atualmente, estima-se que, em toda a sua extensão, a camada pré-sal abrigue um total de 100 bilhões de barris de petróleo em reservas, o que coloca o país no grupo dos maiores produtores mundiais.

Sobre o pré-sal, assinale a alternativa correta.

a) A produção petrolífera no Brasil é insuficiente para o consumo interno e, mesmo com a descoberta do pré-sal, o país depende da importação de petróleo pesado.

b) O petróleo encontrado no pré-sal localiza-se em bacias sedimentares, sendo as três principais a do Espírito Santo (ES), a de Campos (RJ) e a de Santos (SP).

c) As formações do pré-sal no Brasil datam do período Quaternário da Era Mesozoica, mesmo período em que surgem os peixes e a vegetação nos continentes.

d) A extração de petróleo do pré-sal tem se mostrado ineficiente, sendo pequeno o volume extraído, em função das limitações técnicas e do elevado custo de exploração.

e) A profundidade em que se encontram as reservas do pré-sal impossibilita o risco de vazamentos e desastres ambientais, evitando prejuízos à biodiversidade.

Resposta: B

Comentário:

As jazidas de petróleo descobertas no início do século XX no litoral brasileiros, na camada profunda denominada de pré-sal trouxe inicialmente a esperança de ganhos e ampliação da oferta energética nacional em curto prazo. Porém, posteriormente a realidade não se mostrou tão positiva e muito menos imediatista como se observou nas análises otimistas iniciais.

Embora as reservas de petróleo dessa camada sejam inegavelmente grandes, se estendendo pelos litorais de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, há dois grandes problemas: o primeiro é o fato de que a camada sedimentar onde se localiza esse recurso se encontra extremamente profunda (abaixo de uma espessa camada de sal marinho) e o segundo é o fato de a qualidade do petróleo ali descoberto não diferir muito da qualidade da camada superior, chamada de pós-sal, sendo, portanto um petróleo pesado e de baixa qualidade, o que por um lado aumentaria grandemente a produção nacional, por outro não cessaria a necessidade de importação de petróleo leve que temos hoje.

Assim, mesmo que as reservas possuam uma quantidade elevada de petróleo, e que o Brasil consiga satisfatória e plenamente explorá-las, isso não indica necessariamente que o país se tornaria completamente autossuficiente desse recurso, uma vez que já na atualidade o problema petrolífero brasileiro não se relaciona com a quantidade, mas sim com a qualidade do petróleo que é explorado em nosso litoral, o qual é pesado e de difícil refino, levando-nos à necessidade de importar grandes somas desse recurso da Venezuela, país que possui a maior e melhor reserva petrolífera do mundo.

Questão 24

Leia o texto e analise os gráficos a seguir.

Estamos vivendo uma nova fase na história, uma mudança no patamar da presença humana na Terra. O crescimento explosivo da população, que nos levou ao presente marco de 7 bilhões de pessoas, com a atual projeção de 10 bilhões em meados do século XXI, é uma realidade histórico-social de pouco mais de 200 anos.

museudoamanha.org.br


IBGE. Anuário Estatístico do Brasil. 1998 e 2014 biblioteca.ibge.gov.br


Com base nos gráficos e nos conhecimentos sobre a evolução da estrutura etária brasileira, assinale a alternativa correta.

a) A saúde pública é uma discussão iminente, pois a tendência de aumento do número de idosos nos próximos anos pressionará a demanda por cuidados, qualidade de vida, tratamentos e hospitais.

b) O aspecto triangular da pirâmide etária na projeção para 2020 mostra um decréscimo percentual do bônus demográfico de homens e mulheres.

c) As mudanças ocorridas no Brasil em relação à transição demográfica demonstram que à população idosa na década de 1980 era superior à população jovem em 2020.

d) As mulheres de 70 anos ou mais, em 1980, representavam em média 6 milhões de habitantes, enquanto que em 2020 representará, em média, 2 milhões.

e) O crescimento vegetativo brasileiro apresentou aumento, já que parcela significativa de mão de obra feminina foi dispensada influenciando no aumento do número de crianças de 0 a 4 anos.

Resposta: A

Comentário:

A evolução demográfica brasileira segue os mesmos preceitos da evolução da população mundial, com tendência de redução gradativa das taxas de natalidade e fecundidade, acompanhada pela elevação da longevidade e da idade média da população. Esse processo, comum a todas as nações, embora em contextos históricos diferentes, é relacionado ao processo conhecido como envelhecimento populacional, observado nas grandes potências durante o século XX e nas nações em desenvolvimento a partir da transição para o século XXI.

A partir da análise das duas pirâmides etárias apresentadas na questão pode-se observar que há um estreitamento da base da no período de 1980 a 2020, demonstrando a queda da taxa de natalidade e a consequente redução da proporção de crianças e jovens na composição etária do país. Ao mesmo tempo nota-se que nesse intervalo ocorreu um alargamento do topo, caracterizando uma elevação da expectativa de vida e consequentemente o aumento proporcional do número de idosos no grupo populacional.

Dentre os impactos que essa mudança demográfica pode gerar na sociedade se destacam a redução em médio prazo da População Economicamente Ativa, uma vez que a atual queda no número de crianças irá comprometer a reposição dos adultos envelhecidos na próxima geração, assim como a elevação dos gastos com saúde pública e principalmente com previdência social com os idosos, os quais além de serem mais suscetíveis a doenças, dependem do pagamento de aposentadorias por parte do Estado.

Questão 49

Da segunda metade do século XIX até a década de 1930, o café foi o principal produto econômico brasileiro sendo sua produção voltada, principalmente, à exportação. No Norte do Paraná, a cafeicultura permaneceu vigorosa até meados dos anos 1970. Em relação à expansão cafeeira, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.


(           ) A ocupação do norte do estado do Paraná, considerando o vazio demográfico de populações nativas na região, ocorreu de forma pacífica e esteve associada à expansão econômica dos Campos Gerais.

(           ) A Estrada de Ferro São Paulo-Paraná, nos anos 1930, permitiu o escoamento da produção econômica regional para o Porto de Santos, proveniente do trabalho agrícola realizado por mão de obra migrante.

(           ) A Companhia de Terras Norte do Paraná enfrentou dificuldades para a aquisição das terras no processo de expansão da cafeicultura no norte paranaense, em função do seu alto custo.

(           ) A região cafeeira norte-paranaense apresenta solos férteis, do tipo latossolos, e estações climáticas bem definidas, com verões quentes e invernos frios, com risco de geadas severas.

(          ) A implantação da cultura cafeeira no norte paranaense gerou problemas ambientais, como o desflorestamento da vegetação nativa, o assoreamento dos cursos d’água e a contaminação do solo por agrotóxicos.

Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.

a) V, V, V, F, F.

b) V, F, F, V, F.

c) V, F, F, F, V.

d) F, V, V, F, V.

e) F, V, F, V, V.

Resposta: E

Comentário:

A ocupação da porção norte do estado do Paraná está diretamente relacionada com a expansão das lavouras de café de São Paulo e Minas Gerais em direção à terra roxa da região das Matas de Araucárias na zona subtropical do país. Esse processo de ocupação acaba por causar a eclosão de disputas fundiárias entre os pequenos produtores alocados nas regiões interiores do Paraná e os grandes latifundiários atraídos pelos latossolos extremamente férteis e pelos incentivos oferecidos à expansão agrícola para essa região.

Muito embora a produção cafeeira passe a ser realizada a partir de então também na região sul do país, o escoamento da produção continua a ser realizado pelo Porto de Santos, o que torna a presença de estradas de ferro cortando a região uma condição de vital importância para o processo e expansão agrícola. As estradas de ferro, aliás, se configuram como um aspecto marcante para o processo de colonização, uma vez que estavam diretamente atreladas à atuação da Companhia de Terras Norte do Paraná, uma empresa de capital britânico que detinha grandes parcelas de terras podendo parcelá-las e vende-las em trocada construção de trechos de ferrovias ligando a região ao Porto de Santos.

A combinação de solos muito férteis (latossolos – terra roxa), clima subtropical de estações bem definidas e chuvas regulares, baixos custos fundiários, uma vez que a Companhia de Terras Norte do Paraná dispunha de grandes extensões, financiando-as a custos reduzidos aos interessados e uma ligação logística entre as áreas produtoras e a cidade de Santos para o escoamento da produção, possibilitou uma rápida e consistente expansão agrícola, a qual trouxe consigo alterações e impactos ao ambiente natural, principalmente no que tange à contaminação das águas subterrâneas e superficiais, degradação dos solos e devastação das vegetações nativas pelo desmatamento.

Questão 56

Leia a charge a seguir.


chargeonline.com.br


A charge remete a questões relacionadas à sociedade contemporânea. Com base na charge e nos conhecimentos sobre trabalho e sociedade, assinale a alternativa correta.

a) A carteira “verde e amarela”, legalizada pelo atual governo federal, alinha-se aos esforços no âmbito do poder de Estado para ampliar a segurança jurídica dos trabalhadores, reduzindo a flexibilização e a terceirização.

b) A atual reforma trabalhista, pretendida desde o governo Lula, busca alinhar o capitalismo brasileiro à dinâmica do capitalismo globalizado.

c) Diante do desemprego mundial, a atual tendência do capitalismo tem sido fortalecer direitos sociais em detrimento da matriz neoliberal formulada por Keynes.

d) Instrumentos normativos, como as constituições federais, perderam sua importância econômica na medida em que os novos governantes mundiais são as empresas e não mais o poder dos Estados Nacionais.

e) As reformulações no campo dos direitos trabalhistas no Brasil têm sido realizadas para se adequarem a acordos assinados pelo atual governo federal com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Resposta: B

Comentário:

O atual estágio de desenvolvimento do modelo econômico capitalista suscita a realização de reformas e reformulações de legislações e sistemas produtivos, com a intenção de reduzir os impactos da crise global e ao mesmo tempo alinhar as ações dos Estados nacionais aos interesses das grandes corporações produtivas, que no contexto da globalização se tornaram cada vez mais influentes nas tomadas de decisões por parte dos governos, principalmente nas nações menos desenvolvidas.

No caso brasileiro as duas reformas mais impactantes nesse início de século XXI se referem às reformas nas regras previdenciárias, visando mudanças na idade mínima para a aposentadoria e no modelo de contribuição previdenciária pelos trabalhadores e a reforma trabalhista, alterando as regras e regulações das relações de trabalho entre patrões e empregados. Sendo essa segunda a reforma abordada pela questão.

No que tange à reforma trabalhista, também chamada de flexibilização das leis trabalhistas, o que se busca é a desburocratização das relações laborais, através da revisão ou mesmo supressão de direitos e concessões estabelecidas pela Consolidação das Leis Trabalhistas. A atual reforma é proposta desde o início do século XXI (governos Lula), porém não havia ainda sido levada a cabo por governos anteriores. Dentre os principais aspectos contemplados pela mudança encontra-se a flexibilização no estabelecimento dos contratos de trabalho e a redução do peso das representações de classe (sindicatos) nas mediações de acordos entre patrões e empregados.

Grande parte das ações contidas nessa proposta se relaciona às intenções do capital externo de realizar investimentos no Brasil, assim como as condições exigidas para tal. De modo que para alcançar uma maior aproximação com as economias desenvolvidas, recebendo investimentos e estreitando lações comerciais, o Brasil precisa adequar suas legislações (principalmente aquelas ligadas à vida econômica) à nova dinâmica global, o que passa irremediavelmente pelo viés do neoliberalismo e pela minimização do papel do Estado na economia.



quinta-feira, 13 de junho de 2019

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA SEGUNDA FASE - UFU - 2019




Questão 01

O Brasil comumente é “vendido” como um país com múltiplas regiões e com diversidade na produção de alimentos. Para alimentar a população com sabor, saúde e abundância, os meios de comunicação repetem por meio de imagens coloridas o sucesso do agronegócio brasileiro: “Agro é Tec” , “Agro é Pop”, “Agro é Tudo”



Fonte: SANTOS, Marueem, GLASS, Verena (orgs.). Altas do agronegócio: fatos e números sobre as corporações que controlam o que comemos. Rio de Janeiro: Fundação Heinrich Boll, 2018, p. 28. (Adaptado)


A partir do texto e da figura acima, responda.


a) Conforme apresentado na figura, quais são os impactos do monopólio das empresas-rede para a segurança alimentar da população mundial?

Comentário:

A imagem apresentada na questão nos traz as sedes das cinco principais empresas relacionadas com o agronegócio na atualidade, e suas respectivas sedes, deixando claro o predomínio de suas localizações nas nações mais desenvolvidas do mundo, sendo três estadunidenses, uma holandesa e uma chinesa. Nota-se que o surgimento de uma empresa estatal chinesa em um mercado outrora dominado por importantes corporações privadas ocidentais demonstra a pujança da economia da nação asiática, principalmente a partir da abertura promovida pelo Partido Comunista Chinês no período posterior à morte do líder Mao Tsé-tung na década de 1970, quando a nação passou a adotar o modelo socialista de mercado.

Esse monopólio centrado por este grupo de cinco grandes empresas traz consigo uma série de riscos para as nações que ficam subjugadas pelo mercado global dessas mercadorias agrícolas, que no passado eram vistas apenas como alimentos, mas no passado passaram a ser classificadas como commodities, uma vez que continuam sendo usadas como alimentos, mas atualmente servem também (e até mais) à produção de matérias primas industriais ou combustíveis renováveis.

No que tange aos riscos para a soberania alimentar, que na prática se refere à capacidade de uma nação suprir seu mercado consumidor interno daqueles bens essenciais à sobrevivência de suas populações, a destinação plena de suas produções para essas empresas determina o direcionamento de suas commodities para os mercados externos (nas grandes potências e na China), podendo ocasionar um desabastecimento dessas mercadorias para as populações dos países produtores, assim como a elevação dos preços internos, uma vez que a oferta interna será suprimida pelo foco no mercado externo.

Por outro lado, a destinação quase que completa dessas mercadorias para a produção de alimentos para os rebanhos animais nos consumidores externos, assim como para a geração de energias alternativas, pode ocasionar o abandono gradual do cultivo de lavouras tradicionais de alimentos típicos das nações produtoras, passando o foco a ser no abastecimento do mercado global de commodities, o que por sua vez comprometeria diretamente a dimensão das áreas cultivadas com alimentos e consequentemente a soberania alimentar dessas populações.

Há ainda o risco de que esse monopólio do mercado e a consequente especulação e regulação dos preços por esses cinco grandes fornecedores globais levem à prática de um cartel no mercado mundial, suprimindo o direito das populações à livre-concorrência e às vantagens comerciais que o livre mercado pode oferecer, tornando-as reféns da dominação econômica dessas grandes corporações, que passariam a dominar plenamente o mercado de um bem essencial como são os alimentos.


b) Discorra sobre duas consequências econômicas e sobre duas ambientais oriundas dos processos apresentados no texto e na figura.

Comentário:

O processo de monopolização dos mercados internacionais de commodities por um grupo restrito de empresas, tal qual é apresentado na questão, traz consigo várias consequências nos âmbitos políticos, econômicos, sociais e ambientais, que cão além bem além das questões meramente comerciais.

No que tange as questões econômicas desse monopólio pode-se destacar a regulação da oferta e procura dos bens agrícolas por essas grandes empresas, que atuam de maneira dominante na importação e na exportação dessas commodities, o que lhes permite um controle indireto dos valores das mercadorias, impedindo a concorrência entre vários fornecedores, levando o mercado consumidor a aceitar valores cada vez mais elevados e maximizando as margens de lucros dos poucos fornecedores. Além disso, como o valore das commodities é regulado pelo mercado internacional, as mesmas empresas que definem elevados preços a serem cobrados dos consumidores de seus produtos, através de um monopólio, passam a definir também preços cada vez mais baixos a serem pagos para os produtores rurais, geralmente nos países pobres, que não tem várias opções de compradores para ofertarem seus produtos, definindo assim um monopsônio.

Ainda no campo econômico, essa estrutura monopolizada passa a fazer com que os produtores agrícolas passem a buscar meios cada vez mais eficazes e modernos de produção, que sejam capazes de abastecer aos mercados globais, tornando as práticas agrícolas cada vez mais caras e menos acessíveis aos pequenos produtores, os quais tendem a abandonar as atividades produtivas, gerando inicialmente o desabastecimento e carestia dos gêneros alimentares nas nações menos desenvolvidas, seguido de um crescente processo de valorização das terras e concentração fundiária nas mãos dos grandes produtores, capazes de arcar com os custos cada vez mais elevadas de uma agricultura marcadamente mais técnica e intensiva.

Com relação aos impactos ambientais desse processo pode-se mencionar a expansão das fronteiras agrícolas, que conduzem à ampliação da devastação dos biomas através do desmatamento das vegetações nativas, tendo em vista a abertura de novas terras destinadas aos cultivos de exportação. Esse processo de desmatamento traz consigo o aumento da exposição do solo às forças exógenas, que potencializam problemas ambientais naturais, tais como a erosão e a lixiviação.

Por outro lado, ambientalmente tem-se ainda o empobrecimento dos solos, decorrente da expansão das práticas de monoculturas dessas commodities, que causam a exaustão dos mesmos, reduzindo-lhes a fertilidade e a produtividade. Em casos mais extremos desse empobrecimento e exaustão do solo, pode haver o processo de plena perda de fertilidade e produtividade, originando o processo de desertificação dessas zonas. Ainda com relação aos possíveis danos ambientais, cabe mencionar que a expansão das áreas de cultivo, para regiões outrora improdutivas ou menos atraentes ao agronegócio, pode demandar uso mais intensivo dos recursos hídricos para a prática de irrigação, o que além de comprometer a disponibilidade natural de águas superficiais, pode levar ainda à contaminação dos recursos subterrâneos, uma vez que nessa agricultura intensiva o uso de pesticidas e fertilizantes se dá de maneira cada vez mais ampla.


Questão 02

O Parlamento da Ucrânia decidiu, no dia 26/11/18, declarar lei marcial depois que navios russos atiraram contra embarcações do país na costa da Crimeia. Para a Ucrânia, o episódio que resultou em tripulantes feridos e capturados foi um “ato de agressão”. Do outro lado, Moscou afirmou que os navios haviam “entrado em suas águas ilegalmente”.

Disponível em: < https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/11/26/entenda-a-nova-escalada-de-tensao-entre-ucrania-e-russia.ghtml>  Acesso: 20 mar. 2019. (Adaptado)

O confronto ocorrido no Mar Negro, relatado na reportagem, marca um novo episódio na crescente tensão entre os dois países.


a) Explique as causas do acirramento dos conflitos entre Rússia e Ucrânia.

Comentário:

O conflito recente entre Rússia e Ucrânia, no Leste Europeu reacendeu as disputas territoriais na região a parti de 2014, quando as duas nações entraram em disputa pelo controle da região da Crimeia, que nesse período estava sob controle do governo ucraniano, mas que foi declarada território anexado pelo governo russo, depois de um embate geopolítico, com contornos militares, que fez ressurgir ações pouco observadas no mundo desde o encerramento da Guerra Fria em 1991.

A região da Crimeia era parte integrante do território russo até 1954, e, portanto habitada predominantemente por russos ou descendentes de russos. Porém na esteira dos acordos geopolíticos firmados após a Segunda Guerra Mundial pela Rússia e seus vizinhos, tendo em pauta a expansão territorial do bloco socialista, levou o então presidente soviético, Nikita Khrushchev a transferir o controle da região para a então República Socialista Soviética da Ucrânia, em um gesto de reforçar os laços políticos no bloco dentro da Europa. A população russa permaneceu na Crimeia, embora a administração passasse a ser ucraniana.

Porém com o encerramento da Guerra Fria e a consequente dissolução da União Soviética, os laços políticos no Leste Europeu começaram a ser desfeitos. Visando a redução de conflitos internos e a facilitação da inserção na Nova Ordem Mundial, grande parte das nações da extinta URSS se agruparam novamente, dessa vez sob a égide capitalista, com a criação da Comunidade dos Estados Independentes, dos quais faziam parte a Rússia e a Ucrânia. Assim sendo, apesar do fim da URSS, a Crimeia continuou sob o comando do governo ucraniano.

Dentro da Crimeia fica a província (cidade) autônoma de Sebastopol, cuja administração é realizada pela Rússia, por conta de um acordo firmado entre os dois governos, que permitiu à nação líder da URSS manter ali a base naval homônoma, o que lhe garantiu o controle militar e político da região do Mar Negro, estratégico para a navegação comercial e principalmente pelas imensas jazidas de gás natural existentes em seu leito, aumentando ainda mais o poderio da Rússia como grande produtor e fornecedor desse recurso energético na (e para a) Europa Ocidental.

No início do século XXI frente à estagnação das economias do Leste Europeu e aos avanços econômicos observados na União Europeia, a Ucrânia iniciou um movimento de aproximação com o bloco ocidental e automaticamente afastamento com as nações da Comunidade dos Estados Independentes, o que começou a estremecer as relações entre Kiev e Moscou. Ciente da possibilidade de perder seu principal aliado entre as ex-repúblicas soviéticas, a Rússia endureceu o discurso em relação ao governo ucraniano.

As tensões culminaram com um embate diplomático em 2014, quando o então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, apoiador e apoiado do governo russo foi expulso do poder, naquilo que ficou conhecido como “Revolução Ucraniana”, um desdobramento das revoltas internas no país, iniciadas em 2013 e batizadas de Euromaidan, que visavam a ampliação das relações da nação com a União Europeia e a redução da dependência em relação ao governo russo. Com a derrubada do presidente Yanukovich e sua fuga para a Rússia e o apoio da União Europeia aos responsáveis pela “revolução”, o governo russo interviu militarmente na Ucrânia e declarou em 2014 a anexação da Crimeia, que segundo Moscou deixava de pertencer aos ucranianos e voltava plenamente ao controle russo.

Desse modo pode-se inferir que entre as principais motivações para o recente acirramento entre russos e ucranianos se destacam questões geopolíticas ligadas ao desmantelamento da Comunidade dos Estados Independentes, o que mina o poder político da Rússia no continente europeu; a aproximação da Ucrânia com a União Europeia, o que pode afetar drasticamente o mercado russo de gás natural, posto que a Ucrânia pode passar a fornecer o recurso para os europeus reduzindo os ganhos russos; controle de uma importante rota comercial que é o Mar Negro, que faz a ligação entre o Leste Europeu e a Ásia Ocidental; além do interesse principal, que é o domínio das imensas e quase inexploradas reservas de gás natural existente sob as águas desse mar, que poderiam abastecer a União Europeia e livrar as nações do quase monopólio russo desse recurso no continente.


b) Qual é o interesse da OTAN e dos aliados da Ucrânia em apoiar o presidente ucraniano?

Comentário:

A Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN foi ciada em 1949 pelas nações que aderiram ou mantiveram o sistema capitalista no contexto da bipolaridade da Guerra Fria. O objetivo era a criação de uma força militar de defesa mútua dos Estados Unidos e seus aliados no caso de alguma ação militar agressiva proveniente do bloco socialista. Mais tarde, em 1955, o bloco oriental criou o Pacto de Varsóvia, com o mesmo objetivo da OTAN, porém para as nações socialistas.

Portanto, a OTAN, dentre outros elementos marcou a presença militar efetiva e a defesa econômica direta dos Estados Unidos naquilo que durante a Guerra Fria se convencionou a chamar de Europa Ocidental e que na atualidade (embora com algumas diferenciações) se intitula de União Europeia. Assim, o braço militar da economia capitalista visa manter a estabilidade geopolítica na Europa, dividida hoje entre a parte ocidental mais desenvolvida (União Europeia) e a parte oriental menos desenvolvida (Comunidade dos Estados Independentes), para que os interesses econômicos não sejam ameaçados.

No contexto geopolítico do início do século XXI a ascensão da China e o acirramento da economia da nação asiática frente à hegemonia estadunidense definiu de fato a reinserção da Rússia no cenário global, o que havia sido suprimido desde o fim do bloco socialista em 1991. Embora em uma posição secundária, como coadjuvante da crescente China moderna, a influência política da Rússia no cenário oriental da Europa ameaça a hegemonia capitalista ali instalada, colocando as disputas pela região da Crimeia, entre russos e ucranianos, na pauta global da atualidade.

Cientes da inclinação da Rússia em prol da China e seu posicionamento contrário à União Europeia e aos Estados Unidos, os membros da OTAN tendem (de modo racional e coerente) a se posicionar em favor da Ucrânia, defendendo a manutenção do território da Crimeia sob o comando do governo de Kiev. Porém isso coloca em choque interesses ocidentais e orientais dentro da Europa, originando uma tensão geopolítica que muitos estudiosos têm batizado de “Nova Guerra Fria”.

Dentre os principais interesses da OTAN em apoiar o governo ucraniano e consequentemente se posicionar contra o governo e as recentes ações militares russas se assentam em questões econômicas relativas aos sistemas portuários do Mar Negro, que liga parte dos mercados europeus e asiáticos; acesso e controle sobre grandes campos de gás natural, controlados atualmente pela Rússia através da base naval de Sebastopol; Acesso ao grande mercado consumidor ucraniano com mais de 40 milhões de potenciais compradores para produtos da União Europeia; aceso facilitado a mão de obra barata na antiga nação socialista, que poderia reduzir o peso da redução da População Economicamente Ativa do bloco europeu; a possibilidade de expansão da União Europeia para o oriente, uma vez que a aproximação do bloco com a Ucrânia desde 2017 poderia motivar outras nações da região a abandonar a Comunidade dos Estados Independentes e aproximarem-se das nações da Europa Ocidental, enfraquecendo com isso o poderio russo na região.

Questão 03



FERREIRA, G. M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010, p.6. (Adaptado)


a) Qual é a importância econômica dos escudos cristalinos e das bacias sedimentares?

Comentário:

O mapa apresentado na questão traz a divisão do território brasileiro nas chamadas macroformas do relevo, também conhecidas como estruturas geológicas. De modo amplo, a estrutura geológica é dividida em três grandes macroformas, das quais tem-se os escudos cristalinos, que formam o embasamento geral dos relevos, as bacias sedimentares, resultantes da acumulação dos detritos de escudos cristalinos devastados pelas forças exógenas e os dobramentos modernos, que se formam nas zonas de convergência entre duas placas tectônicas da crosta.

Por localizar-se no centro da placa tectônica sul-americana, o Brasil  não possui em sua estrutura geológica os dobramentos modernos, uma vez que esses se restringem às bordas de placas que se chocam, apresentando portanto apenas os escudos cristalinos, que recobrem cerca de 36% de seu território, e os demais 64% são recobertos por bacias sedimentares.

Economicamente essas estruturas apresentam grandes possibilidades de exploração de recursos minerais, sendo que nos escudos cristalinos localizam-se as reservas de minerais metálicos, tais como minério de ferro, bauxita, hematita, cassiterita, manganês, ouro, nióbio, cobre (...), o que permite que o país se torne um dos maiores exportadores globais de commodities minerais, com destaque para as produções em importantes regiões cristalinas como o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais; a Serra dos Carajás, no Pará; a Serra do Navio, no Amapá e o Maciço do Urucum, no Mato Grosso do Sul.

Ao passo que nas bacias sedimentares, se destacam a presença das grandes jazidas dos combustíveis fósseis, também chamados de hidrocarbonetos, uma vez que a acumulação de sedimentos soterra restos orgânicos aquáticos e terrestres, os quais ao serem decompostos originam os recursos minerais energéticos fósseis, tais como o carvão mineral, o petróleo, o gás natural e o xisto. No Brasil as reservas de carvão mineral se concentram no chamado Cinturão Carbonífero, que se estende do sul de São Paulo até o Rio Grande do Sul, sendo composto principalmente por carvões do tipo linhito e hulha.

Já o petróleo e o gás natural se concentram nas bacias sedimentares localizadas no leito oceânico raso, conhecido como plataforma continental, com destaque para o Recôncavo Baiano, no litoral nordeste e principalmente o litoral Sul-Sudeste, onde se localizam as bacias de Campos no Rio de Janeiro e de Santos em São Paulo. Nessas bacias encontram-se grandes reservas petrolíferas em profundidades diferentes, sendo que as menos profundas, já plenamente exploradas, são conhecidas como camada do pós-sal (nos litorais de São Paulo e Rio de Janeiro) e as mais profundas e ainda não plenamente exploradas, conhecidas como camadas do pré-sal (que se estendem do litoral de Santa Catarina ao litoral do Espírito Santo).


b) Explique o processo de formação das estruturas geológicas que compõem o relevo brasileiro.

Comentário:

O processo de formação das estruturas geológicas que compõem o território brasileiro se iniciou com o processo de resfriamento e solidificação da crosta terrestre, há cerca de 4.5 bilhões de anos, no período Pré-Cambriano. Desse processo inicial de resfriamento se originaram os escudos cristalinos, também conhecidos como maciços antigos, ou embasamento cristalino ou simplesmente crátons. Portanto, a formação desse arcabouço geológico mais antigo se deu através da ação predominante das forças endógenas, uma vez que o vulcanismo foi o responsável pela liberação do magma do manto, o qual se resfriou na parte externa dando origem a essa estrutura. Portanto, dentre as estruturas geológicas (escudos cristalinos, bacias sedimentares e dobramentos modernos) o escudos se configuram com as mais pretéritas.

Devido a sua localização, predominantemente na faixa intertropical da Terra, a estrutura geológica brasileira encontra-se intensa e permanentemente exposta à ação das forças exógenas esculpidoras, relacionadas aos elementos climáticos, o que ao longo das eras geológicas levou a uma grande devastação dos antigos escudos cristalinos, os quais foram intemperizados e seus detritos erodidos e depositados em áreas mais baixas do relevo. Desse modo, atualmente apenas 36% da superfície brasileira é coberta por essas estruturas.

Por sua vez, os sedimentos dos escudos antigos que foram devastados formaram bacias sedimentares, que recobrem os outros 64% da superfície continental do país. Assim, a formação das bacias sedimentares decorre predominantemente da ação das forças exógenas (elementos do clima), posto que é a ação dessas forças que provocam a destruição (intemperismo) dos escudos cristalinos, cujos restos (sedimentos) são erodidos (transportados) dos locais mais elevados do relevo, em direção às áreas mais rebaixadas do entorno, que ao serem preenchidas por camadas horizontais estratificadas ao longo do tempo (a partir da Era Paleozoica originaram essas macroformas do relevo. Devido à sua localização intraplaca, o Brasil não apresenta em sua estrutura geológica os dobramentos modernos, restrito às bordas convergentes das placas, tanto em locais de subducção quanto de obducção.

Questão 04

MAPA-MÚNDI: PROJEÇÃO DE PETERS



FERREIRA, G. M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010, p.4. (Adaptado)


De acordo com a projeção cartográfica de Peters, utilizada para representar o mapa- -múndi, responda.


a) Por que essa projeção do mapa-múndi é criticada e pouco utilizada?

Comentário:

A figura apresentada pela questão se refere à Projeção Cilíndrica Equivalente de Peters, também conhecida como Projeção de Gall-Peters, uma vez que sua ideia básica foi proposta ainda no século XIX por James Gall, mas foi Arno Peters que a reformulou, já na segunda metade do século XX, no período após a Segunda Guerra Mundial, e portanto no contexto da Guerra Fria. Nesse contexto histórico, a bipolaridade ideológica entre o capitalismo estadunidense e o socialismo soviético definiu uma divisão das nações entre aquelas capitalistas ricos, chamadas de Primeiro Mundo, aquelas socialistas, chamadas e Segundo Mundo e as capitalistas pobres, chamadas de Terceiro Mundo.

Peters buscava, nesse momento geopolítico obscuro, superar a histórica visão eurocêntrica, trazida através da Projeção Cilíndrica Conforme de Mercator, elaborada no contexto das Grandes Navegações, na qual além de colocar as potências coloniais numa posição central da representação do mundo, enfatizava as nações do hemisfério Norte, colocando-as “acima” das nações pobres do Sul. Desse modo, Peters trouxe uma visão diferente da realidade espacial do mundo, focada dessa vez nas nações pobres do Sul, e principalmente superando a visão de que as potências mundiais estariam literalmente “acima” das nações mais pobres.

Portanto, a crítica realizada sobre essa projeção reside, em termos ideológicos, no fato de enfatizar as nações mais pobres, principalmente da África e América Latina, em detrimento da Europa e América Anglo-Saxônica, e em relação aos aspectos estruturais, é criticada por basear-se na manutenção da proporcionalidade das áreas continentais, não se preocupando em representar com fidelidade as formas (contornos) e as distâncias relativas entre essas áreas.


b) Quais são as principais características dessa projeção?

Comentário:

A projeção de Peters, assim como toda projeção cilíndrica apresenta relativa fidelidade apenas nas zonas de baixas atitudes (próximas ao paralelo do Equador), apresentando distorções e deformações crescentes no sentido das latitudes. Assim, quanto mais próximo dos polos, mais deformadas e distorcidas serão as informações apresentadas nesse tipo de mapa.

Por se tratar de uma projeção equivalente ou proporcional, esse mapa apresenta fidelidade apenas nos tamanhos relativos das áreas continentais, sendo suas formas ou contornos totalmente diferentes dos reais e as distâncias relativas entre dois locais também deformadas. Estruturalmente essa projeção apresenta os meridianos verticais e os paralelos horizontais, formando sempre ângulos ortogonais entre si. Em relação às deformações (de formas e distâncias), essas são diretamente proporcionais às latitudes, assim, quanto mais próximo dos polos, maiores serão os erros nessas duas variáveis.

Ideologicamente esse mapa foi concebido para trazer uma visão terceiro-mundista, que tentava superar o histórico eurocentrismo dos mapas-múndi anteriores, por isso a ênfase dada ao continente africano e às terras latino-americanas, territórios que foram desenhados de modo alongado no sentido norte-sul, de modo proposital, para fazer uma analogia aos corpos magros das populações que vivem nessas regiões, e são assoladas pela fome e pelas epidemias que tornavam a qualidade de vida muito inferior à média mundial. Além disso, quando Arno Peters apresentou seu mapa ao mundo, na década de 1970, ele foi concebido “de cabeça para baixo”, na tentativa de negar a ideia de que os países do Norte (ricos) estão acima dos países do Sul (pobres).