domingo, 3 de junho de 2018

CORREÇÃO COMENTADA DE GEOGRAFIA - UFU - 2018



Questão 21

Os rios voadores são cursos de água atmosféricos, formados por massas de ar carregadas de vapor de água, muitas vezes, acompanhados por nuvens e propelidos pelos ventos. Essas correntes de ar invisíveis produzem chuvas abundantes em grande parte do Brasil.

 Disponível em: http://riosvoadores.com.br/o-projeto/fenomeno-dos-rios-voadores/ Acesso em: 18 de mar, 2017. (Adaptado).

O fenômeno atmosférico exposto é formado pela

a) invasão dos sistemas polares que conduzem o ar frio e úmido, originado da Patagônia para o interior do Brasil.

b) ação dos ventos de Alísios, que retiram umidade da superfície dos oceanos e a conduzem em direção aos trópicos.

c) água liberada pela Floresta Amazônica para a atmosfera em forma de vapor, e transportada pelas correntes de ar.

d) ação orográfica da Serra do Mar, produzindo chuvas abundantes na maior parte do litoral brasileiro.

Resposta: C

Comentário:

Os chamados rios voadores correspondem a grandes volumes de vapor de água que se movimentam pela atmosfera brasileira, partindo da região da floresta amazônica em direção à região sul do país, margeando a porção oeste da América do Sul. A formação desses “rios” está associada à grande evapotranspiração da floresta, que cede à atmosfera grandes volumes de umidade, e à medida em que essa massa de ar úmido começa a se deslocar em direção ao oeste do continente, rumo ao oceano Pacífico, porém, esse ar quente e úmido encontra a barreira orográfica da Cordilheira dos Andes, forçando o seu deslocamento em direção à porção sul da América, margeando essa barreira do relevo, levando a umidade para esta região, que passa a apresentar aumento dos índices de pluviosidade.

Questão 22

De 1967 a 1973, o Brasil alcançou taxas médias de crescimento muito elevadas e sem precedentes, decorrentes da política econômica, mas também de uma conjuntura econômica internacional muito favorável. Esse período (e por vezes de forma mais restrita nos anos 1968-1973) passou a ser conhecido como o do “milagre econômico brasileiro”. Infelizmente, o mês de outubro de 1973 marca o término desse período de crescimento.

Disponível em: <www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionario/verbete-tematico/milagre-economico-brasileiro> Acesso em: 23 de mar, 2017. (Adaptado)

Um fator responsável pelo fim do milagre econômico apresentado foi

a) a queda na exportação de produtos agrícolas brasileiros, principalmente, o café.

b) o primeiro choque do petróleo e a consequente crise no mercado internacional.

c) o aumento no valor das matérias-primas importadas pelo Brasil, com destaque para-a bauxita.

d) as sucessivas greves produzidas pelo movimento sindical, inviabilizando a produção para exportação.

Resposta: B

Comentário:

O período conhecido como Milagre Econômico Brasileiro, compreendido entre os anos de 1967 e 1973 marcou uma fase de elevado crescimento do PIB do Brasil, porém não foi acompanhado pela elevação do PNB do país, o que cria as condições para a formação de um país rico que continuava com uma população pobre.

De modo geral, o milagre foi baseado no investimento dos governos militares em grandes obras de infraestrutura com o intuito de geração de empregos, os quais elevariam a renda da população e consequentemente o seu poder de consumo, que por sua vez forçaria a economia a produzir mais para suprir esse consumo, gerando ao fim mais postos de trabalho para que a produção fosse ampliada. Desse modo criou-se u ciclo virtuoso, onde a geração de emprego acabaria por gerar ainda mais emprego.

O problema é que para a criação destas grandes obras de infraestrutura o Estado demandava de grandes investimentos, e consequentemente foi levado a contrair grandes empréstimos internacionais, o que aumentou de maneira substancial o endividamento externo nacional, assim como a dependência da nossa economia em relação às grandes potências mundiais.

Porém, em 1973 houve a Guerra do Yin Kippur onde uma aliança entre Síria e Egito atacaram Israel como retaliação à Guerra dos Seis Dias de 1967, afetando drasticamente os preços do petróleo no mercado internacional, fazendo com que o preço do barril saltasse de US$ 2,90 para US$ 11,65 em apenas 3 meses, o que se convencionou a chamar de Primeiro Choque do Petróleo, afetando com isso toda a economia planetária, dependente desse recurso energético. Essa elevação do preço do petróleo afetou a economia dos Estados Unidos (maior credor do Brasil), o que levou a potência econômica a cortar os empréstimos realizados e a cobrar a dívida já vigente entre as nações, sendo que o Brasil não foi capaz de realizar o pagamento de seus débitos, levando o governo estadunidense a elevar os juros dessa dívida, tornando-a quase que impagável.

Sem novos empréstimos ficou impossível para o Estado brasileiro manter os investimentos nas grandes obras de infraestrutura, reduzindo os postos de trabalho e a renda da população, o que impacta negativamente no consumo e na produção econômica nacional, tornando vicioso o ciclo outrora virtuoso. Se instala no país a partir de 1973 um quadro de recessão econômica, que será agravada com o Segundo Choque do Petróleo em 1979, criando um quadro de profunda crise que ficaria conhecido com década perdida, ao longo dos anos de 1980.

Questão 23

A População Economicamente Ativa (PEA) brasileira está ficando mais velha e o número de jovens que ingressam na População em Idade Ativa (PIA) é cada vez menor, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE. Trata-se de movimento natural da economia, mas que trará consequências importantes para empresas.

Disponível em: <https://www.lg.com.brlblog/envelhecimento-da-populacao-economicamente-ativa-impoedesafios-ao-mercado/> Acesso em: 22 de mar, 2017.

Esse cenário tende a proporcionar a médio e a longo prazo

a) um menor crescimento da disponibilidade de mão de obra e a diminuição da oferta de profissionais capacitados.

b) um achatamento salarial em todas as etapas de produção quando a mão de obra será gradativamente substituída pelas máquinas.

c) uma redução nos custos da previdência social, nos gastos com saúde e, principalmente, com a educação.

d) uma diminuição nos investimentos para capacitação profissional devido à redução da concorrência entre trabalhadores que procuram emprego.

Resposta: A

Comentário:

O processo de envelhecimento populacional ocorre naturalmente à medida em que uma nação de desenvolve economicamente e socialmente, o que acaba por reduzir as taxas de natalidade, reduzindo a proporção de crianças e jovens na composição geral da população, assim como aumentar a longevidade (expectativa de vida) dessa população, o que aumenta a proporção de idosos na composição demográfica dessa nação.

Essa mudança na composição populacional impacta diretamente sobre a economia desse país, uma vez que o aumento da proporção idosa eleva as responsabilidades do Estado com os sistemas públicos de saúde e principalmente com o setor de previdência social (aposentadorias), onerando de modo significativo as contas públicas.

A médio e longo prazos, a redução da proporção de crianças e jovens causará a redução da proporção de adultos na população, o que diminuirá a População Economicamente Ativa – PEA. A queda na PEA terá um duplo impacto negativo na economia, posto que reduzirá automaticamente a oferta de mão de obra para os processos produtivos da nação, assim como diminuirá a quantidade de pessoas contribuintes para as finanças do Estado, reduzindo com isso a proporção de “pagadores de impostos”, limitando a capacidade investidora do Estado.

Questão 24

Tarifa sobre aço pode causar ‘recessão profunda’, alerta diretor-geral da OMC

Em meio à tensão gerada pelo anúncio do presidente americano, Donald Trump, que pretende impor tarifas sobre as importações de aço e de alumínio nos EUA, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) disse que os estados-membros da entidade devem impedir “a queda dos primeiros dominós” de uma guerra comercial. Segundo o dirigente, a política de “olho por olho nos deixará todos cegos, e o mundo em depressão profunda”.

Disponível em: <https://oglobo.globo.com/economia/tarifa-sobre-aco-pode-causar-recessao-profunda-alerta-diretor-geral-da-omc-22457430> Acesso em: 20 de mar, 2017.

A referida recessão comercial entre os países membros da OMC com o anúncio do aumento das tarifas sobre o aço e sobre o alumínio pelo governo americano se relaciona ao fato de que ela pode

a) ampliar o comércio de mercadoria em todo o mundo a partir da redução do preço dos produtos com a instalação de uma guerra comercial.

b) gerar uma diminuição no valor dos produtos comercializados entre os países membros, prejudicando o PIB desses países.

c) desencadear um aumento de barreiras comerciais em todo o mundo, dificultando o comércio global.

d) melhorar a relação comercial entre EUA e China, cujo comércio não envolve aço e alumínio.

Resposta: C

Comentário:

Ao anunciar mudanças na política de tributação comercial dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump deixa às claras uma prática comum à economia estadunidense, que é a adoção de medidas protecionistas em relação a seus mercados internos. Esse tipo de ação econômica tem em vista resguardar os mercados nacionais da concorrência com os produtores e fornecedores externos, priorizando o abastecimento interno por parte dos fornecedores locais.

Porém, ao adotar a elevação de tarifas para a entrada do aço e do alumínio importado nos Estados Unidos, Trump cria a possibilidade de que os produtos estadunidenses sofram a mesma retaliação nos mercados internacionais, o que pode causar grandes impactos no comércio global, e consequentemente na economia globalizada que se busca. Pode-se criar uma reação em cadeia de elevação constante das tarifas e medidas protecionistas pelo mundo, o que atua decisivamente contra a integração mundial, que se ampliou de maneira constante desde o final da Guerra Fria.

Em um quadro de crise econômica experimentado desde a “explosão da bolha imobiliária” nos Estados Unidos em 2008, e da recessão econômica naquela nação, a decisão tomada pelo presidente americano pode levar à perda de uma série de parceiros econômicos e comerciais da potência ocidental, e por conseguinte a redução das trocas de mercadorias e ganhos econômicos da nação, impactando ainda mais negativamente na lenta recuperação financeira do país.

Questão 25

Evolução nas taxas (%) de urbanização nas grandes regiões geográficas brasileira.


IBGE, Censo demográfico 1940-2010. Até 1970 dados extraídos de: Estatísticas do século XX. Rio de Janeiro: IBGE, 2007 no Anuário Estatístico do Brasil, 1981, vol. 42, 1979.

De acordo com os dados apresentados, assinale a alternativa que NÃO se constitui como fator que convalida a evolução da urbanização nas regiões brasileiras.

a) A região Norte, durante as décadas de 1940 a 1960, se manteve como a segunda região mais urbanizada do país. Esse feito só foi possível graças à instalação da Zona Franca de Manaus, que atraía uma grande leva de trabalhadores oriundos da zona rural:

b) Por concentrar grande parte do parque industrial brasileiro, a Região Sudeste foi a primeira região a registrar um percentual superior de habitantes, vivendo nas áreas urbanas em detrimento da população rural.

c) O predomínio de atividades agrícolas de cunho familiar na Região Sul foi um dos principais fatores responsáveis por sua lenta urbanização, como retratado na tabela até a década de 1970, pois limitava o número de trabalhadores dispostos a migrar para as áreas urbanas.

d) Dentre as regiões brasileiras, a Região Nordeste é a que apresentava em 2010 a menor taxa de urbanização. Além da migração para outras regiões, esse quadro é fruto, dentre outros fatores, do baixo desenvolvimento da grande maioria das cidades da região que tem dificuldade de atrair a população do campo.

Resposta: A

Comentário:

Com base na tabela apresentada na questão, pode-se observar que o processo de urbanização do Brasil ocorreu de modo desigual nas grandes regiões do país, e que este processo sempre esteve diretamente relacionado ao desenvolvimento econômico dessas regiões, e esse desenvolvimento encontra-se por sua vez atrelado ao crescimento das atividades industriais ali estabelecidas.

Desse modo, pode-se inferir que a região sudeste, maior concentradora histórica da atividade industrial do país, também apresenta ao longo de todo o período as maiores taxas de urbanização. Porém, à medida em que se desenvolve o processo de desconcentração industrial no Brasil, as demais regiões passam a ampliar a participação da população urbana na composição geral de suas populações, reduzindo a proporção das pessoas que vivem no campo. Essa redução das populações rurais surge da combinação entre a atração exercida pela indústria que se desenvolve na cidade e a expulsão do campo, realizada pela modernização das atividades agrícolas no Brasil, a partir da Revolução Verde em 1970.

Segundo o gráfico, embora a região norte tenha sido entre as décadas de 1940 e 1960 a segunda região mais urbanizada do país, não se pode associar essa posição à criação da Zona Franca de Manaus, uma vez que esse polo industrial foi estabelecido apenas a partir da segunda metade da década de 1960, assim como a existência de outros centros urbanos regionais, como a cidade de Belém (PA) atraíram populações para centros urbanos assim como a capital amazonense. Cabe ainda mencionar que grande parte da população urbana nas décadas anteriores à criação da zona franca se deve ao auge e à falência do Ciclo da Borracha, no início do século XX, o que deu origem a um certo processo de urbanização regional.

Questão 26

A confusão fundiária na Amazônia é uma herança histórica. São quatro séculos de ocupação territorial desordenada. Uma das esperanças é o programa Terra Legal, lançado em 2009 pelo governo federal. Esse programa tinha como meta inicial entregar títulos de terra a 150 mil famílias de pequenos agricultores que ocuparam áreas públicas federais não destinadas a eles.

Disponível em: <http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2014/1o/obprograma-terralegalb-e-o-caos-fundiario-na-amazonia.html> Acesso em: 23 de mar, 2017’, (Adaptado)

Esse grupo de famílias descrito no texto pode ser classificado como

a) meeiros.

b) grileiros.

c) posseiros.

d) parceiros.

Resposta: C

Comentário:

O processo de ocupação das terras agricultáveis na região amazônica esteve sempre atrelado à ausência de políticas e de fiscalização efetiva por parte do Estado, o que criou condições para o surgimento de uma estrutura fundiária totalmente desordenada e conflituosa, onde grande parte das propriedades não se encontra regulamentada por parte do governo, uma vez que estas estão à margem da legalidade.

Na falta da presença efetiva do Estado, a população se vale das terras devolutas para fazer sua ocupação e se declararem proprietários de áreas que na verdade pertencem à União. Para que estas terras devolutas sejam ocupadas ilegalmente a população se vale da prática de invadir essas terras e ali passarem a realizar suas atividades econômicas e sociais, na esperança que a inoperância do Estado não as retirem das áreas invadidas. Essa prática, comum no Brasil, é o que origina na estrutura fundiária do país a figura do posseiro.

Questão 27
Médias Térmicas Registradas


Os fatores climáticos que contribuem para as diferentes amplitudes térmicas nas cidades apresentadas são

a) massas de ar e altitude.

b) latitude e vegetação.

c) forma de relevo e correntes marinhas.

d) continentalidade e maritimidade.

Resposta: D

Comentário:

A tabela apresentada pela questão nos traz as médias térmicas e as localizações geográficas de duas cidades no Brasil, que se posicionam, em termos latitudinais, nas mesmas distâncias em relação à linha do Equador, porém apresentam amplitudes térmicas muito distintas ao longo do ano. Nota-se que na cidade de Brasília – DF há uma variação no mês de janeiro (verão) de 10ºC, enquanto na cidade de Ilhéus – BA, nesse mesmo mês a variação foi de 6ºC. Já no mês de julho (inverno), a cidade de Brasília – DF teve uma variação de 14ºC, ao passo que em Ilhéus – BA essa variação foi de 7ºC.

Portanto, nota-se que na cidade baiana a amplitude térmica é bem inferior do que aquela observada na capital federal. Essa diferença em relação à variação de temperatura é explicada com base na atuação de dois importantes fatores climáticos, chamados de maritimidade e continentalidade, ambas relacionadas com o calor específico de superfícies cobertas por água ou cobertas por terras.

Assim, como se localiza próxima ao litoral, a cidade de Ilhéus – BA sofre efeito da maritimidade, apresentando maior calor específico, o que faz com que o aquecimento e o resfriamento do ar sejam mais lentos (uma vez que dependem de uma quantidade maior de energia), causando uma menor variação das médias térmicas. Ao passo que a cidade de Brasília – DF, localizada no interior do território brasileiro, sofre maior impacto da continentalidade, apresentando menor calor específico, o que faz com que o aquecimento e o resfriamento do ar sejam mais rápidos (uma vez que dependem de uma quantidade menor de energia), causando uma maior variação das médias térmicas.

Questão 28

Vulcão Shinmoedake entra em erupção no Japão Fumaça é lançada a até 3 mil metros de altura.

O vulcão Shinmoedake, localizado na ilha japonesa de Kyushu, está ativo e lança fumaça a até 3 mil metros de altura. A Agência Meteorológica do Japão está alertando as pessoas a ficarem longe da montanha de 1.421 metros e advertindo que grandes rochas podem ser cuspidas até uma distância de 3 quilômetros.

Disponível em: <http://g1.globo.com/mundo/noticia/vulcao-shinmoedake-entra-em-erupcao-no-japao.ghtml> Acesso em: 14 de mar, 2017.

A ocorrência no Japão do fenômeno geológico apresentado está relacionada principalmente à

a) existência no seu território de áreas cratônicas.

b) sua localização numa área de encontro de placas tectônicas.

c) grande incidência de rochas magmáticas no interior do país.

d) formação geológica antiga de suas ilhas.

Resposta: B

Comentário:

A erupção do vulcão Shinmoedake no território japonês representa um importante evento geológico, causado pela ação de forças que atuam nas camadas internas da Terra, chamadas forças endógenas do relevo. Estas forças endógenas se dividem em vulcanismo (liberação da pressão interna da Terra e de material magmático do manto através de aberturas na crosta), abalos sísmicos (súbitas liberações de energia sísmica da crosta, gerada pelo atrito entre placas tectônicas, arrastadas pelas correntes convectivas da Astenosfera) e tectonismo (movimentação das placas tectônicas entre si, arrastadas pelas forças de convecção do manto superior, ocasionando a chamada Deriva Continental).

Estes eventos geológicos e a atuação destas forças endógenas estão diretamente relacionados às bordas das placas tectônicas, onde se estabelecem as zonas sísmicas mais ativas do planeta, e onde automaticamente esses eventos catastróficos são mais comuns. Assim sendo, se estabeleceu no mundo o chamado Círculo de Fogo do Pacífico, que corresponde às bordas do oceano homônimo, onde se concentra o maior número de contatos (fronteiras) de placas tectônicas da Terra, onde se localiza o território do Japão.

No caso do Japão, esses eventos extremos são comuns e abundantes, pelo fato de que o conjunto de ilhas que compõem o país se localiza na borda de três placas distintas, as quais se movem entre si. No caso japonês, há ali o limite entre as placas Filipina, do Pacífico e Euroasiática. Assim, o país asiático é afetado constantemente por esses eventos geológicos, porém, a tecnologia e os recursos financeiros permitem ao Japão criar estruturas e construções mais resistentes, reduzindo as chances de se converterem sempre em grandes tragédias.

Questão 29


Disponível em: <http://falandoaosmontes.blogspot.com/2015/11/protecao-e-recomposicao-denascentes.html> Acesso em: 19 mar. 2017

A retirada da cobertura vegetal nos ambientes ilustrados na figura tende a produzir

a) um crescimento do escoamento superficial.

b) uma ampliação do processo de infiltração.

c) um aumento do nível do lençol freático.

d) uma redução do processo erosivo.

Resposta: A

Comentário:

A retirada da cobertura vegetal nativa pelas atividades humanas é capaz de atuar ao mesmo tempo como condicionante para a ocorrência de impactos ambientais antrópicos, assim como potencializador para a ampliação de impactos ambientais naturais. Porém em ambas as possibilidades, é inegável a ação danosa desse processo de desmatamento.

No esquema representado pela imagem da questão, que se refere a uma parte do chamado Ciclo Hidrológico, nota-se que a manutenção da vegetação nativa em uma região de encosta (vertente inclinada), possibilita a ocorrência de uma intensa infiltração das águas da chuva, as quais farão o reabastecimento dos lençóis freáticos e das demais reservas subterrâneas de água.

Sabe-se que ao chegar à superfície do solo a água da chuva só pode percorrer dois caminhos: o primeiro é o escoamento superficial (enxurrada), que é um movimento horizontal da água, causador dos processos erosivos do solo; e o segundo é a infiltração, que é um movimento vertical da água, causador dos processos de lixiviação. No caso da temática da figura, pode-se inferir que na presença da vegetação se tem mais infiltração, enquanto na ausência da vegetação tem-se mais escoamento superficial.

Portanto, ao se retirar a cobertura vegetal dessa porção do relevo representado pela figura, ter-se-ia a redução da infiltração da água da chuva e a redução do reabastecimento do lençol freático, ao passo que haveria a ampliação do escoamento superficial e dos processos erosivos na superfície, ocasionando por consequência o assoreamento do rio localizado na região mais baixa do relevo. 

Questão 30

Na década de 1990, durante seu mandato como ministro da fazenda e posteriormente presidente da república em dois pleitos consecutivos até 1° de janeiro de 2003, Fernando Henrique Cardoso implantou uma política que buscava, além da estabilidade econômica, uma maior aproximação do Brasil com o comércio internacional. Para muitos analistas, o alicerce dessa política foi edificado sobre as ideias do neoliberalismo.

Pode ser considerado como uma das estratégias dessa política no Brasil

a) a ampliação da participação do Estado no setor terciário.

b) a privatização de empresas estatais pelo governo.

c) o investimento maciço em infraestrutura de produção.

d) a recuperação salarial da classe trabalhadora.

Resposta: B

Comentário:

Após o impeachment do presidente Fernando Collor em 1992, o então vice presidente, Itamar Franco, assumiu o governo e passou a implantar uma série de ações que visavam a recuperação da economia brasileira, em crise desde o final do chamado Milagre Econômico Brasileiro. Itamar Franco montou uma equipe econômica capitaneada por Fernando Henrique Cardoso, que teve como auge o lançamento do Plano Real e a retomada do crescimento da economia nacional.

Ao assumir a presidência, Fernando Henrique Cardoso dá continuidade às políticas implementadas por seu antecessor, ampliando o processo de abertura da economia nacional e atração de investimentos externos para o Brasil. Porém, essa abertura foi feita às custas do enfraquecimento gradativo do Estado na economia, através da redução das ações públicas nos processos produtivos. Esse enfraquecimento do papel econômico do Estado é uma das características mais básicas do modelo neoliberal, que aumenta de maneira significativa a dependência em relação ao capital externo.

Dentre as principais feições do neoliberalismo se tem os processos de privatização das empresas estatais, que são transferidas ao capital investidor privado (principalmente multinacional), assim como a redução dos gastos sociais (principalmente em saúde e educação públicas) como meio de se estabelecer um “Estado poupador” de capitais e focado no pagamento da dívida externa. Portanto, embora haja a recuperação econômica do país, pela chegada de novos investimentos externos (diretos e/ou indiretos), os aspectos sociais são prejudicados pela implantação das posturas neoliberais, posto que se cria um sucateamento dos serviços públicos no país.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

CONFLITOS ENTRE ÁRABES E ISRAELENSES


70 ANOS DA CRIAÇÃO DO ESTADO DE ISRAEL

- Por Éder Israel


Disponível em: <http://opiniaoenoticia.com.br/wp-content/uploads/2017/05/maxresdefault.jpg> acesso em 30 mai. 2018


A criação do Estado de Israel pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1947 suscitou uma série de conflitos e contradições geopolíticas na região do Oriente Médio, e estes conflitos perduram até os dias de hoje, sendo que as perspectivas futuras estão distantes de apontar para a solução da questão, uma vez que as agressões mútuas entre judeus e árabes reacendem diariamente a chama das disputas territoriais regionais, ampliada sempre pelas divergências religiosas e étnicas entre israelenses e palestinos.

Os judeus, barbaramente massacrados durante pelo holocausto realizado pelo nazismo alemão no contexto da Segunda Guerra Mundial, tinham historicamente o sonho de retornarem à terra prometida de Jerusalém, de onde haviam sido no passado expulsos pela expansão do Império Romano, durante a Segunda Diáspora Judaica no ano de 70 d.C. Porém, com a queda do Império Romano houve o fortalecimento dos povos persas que passaram a dominar a região. Já no século 7º d.C., os árabes muçulmanos conseguiram ocupar a região da Terra Santa, dando a ela um valor simbólico tal qual já ocorria por parte dos judeus.

A região da atual Palestina passa a ser dominada pelo Império Otomano a partir do século XVI, processo de dominação que durará até o final da Primeira Guerra Mundial, quando os otomanos, apoiadores da Alemanha na guerra, são derrotados e perdem o controle da região, transferindo o seu domínio aos países da Aliança, vencedores da guerra.

Cabe mencionar que os árabes apoiaram os países aliados nos conflitos com as nações da Entente, o que colocou os povos do Oriente Médio (aqueles de origem árabe) na condição de “vitoriosos” contra o Império Otomano, derrotado na região. Por conseguinte, estes povos se sentiram na condição de “parceiros” dos reais ganhadores da guerra.

Deste modo, os países da Aliança prometeram aos povos árabes a criação de um Estado independente da Turquia, sob sua liderança após a Primeira Guerra Mundial, porém, há nisso duas questões importantes: em primeiro lugar, já havia nesta região uma relativa quantidade de povos de origem judaica, que passaram a imigrar para lá, ainda no século XIX (a partir de 1850, principalmente); e em segundo lugar, o fato de que após a I Guerra, franceses e britânicos dividiram entre si o controle da região, tendo estabelecido as fronteiras dos territórios da Síria, Iraque, Líbano, Palestina e Jordânia, sendo essas novas fronteira reconhecidas na época pela recém criada Liga das Nações.

Portanto, este período pós-conflito será marcado pela dominação europeia, sendo conhecido como a era dos mandatos francês e britânico, em que os europeus não criaram o Estado árabe independente prometido durante a primeira grande guerra, e mais do que isso, estas duas potências ocidentais passaram a dominar a região da Palestina, tal qual ocorria com o Império Otomano, antes da derrota das nações da Entente.

No contexto do Mandato Britânico, no início da década de 1920, os ingleses dividem formalmente a “Palestina” em duas zonas distintas (chamadas de Distritos administrativos), sendo que os judeus que ali se encontravam teriam o direito de permanecer nas terras compreendidas entre o Rio Jordão e o litoral (lado oeste dos Distritos Administrativos). Os árabes discordaram em liberar estes territórios para os judeus, assim como reivindicaram o cumprimento do acordo firmado entre eles e as potências europeias durante a Primeira Guerra Mundial.

DISTRITOS ADMINISTRATIVOS DO MANDATO BRITÂNICO


Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c4/BritishMandatePalestine1920-pt.svg/1200px-BritishMandatePalestine1920-pt.svg.png> acesso em 30 mai. 2018


Com a situação fugindo ao controle, fruto das pressões dos povos árabes, buscando conquistar o domínio e a soberania da região, aliadas ao aumento da população judaica, atraída pelas concessões dos britânicos para a sua permanência nos Distritos Administrativos, a Inglaterra acabou forçada a transferir para a recém criada Organização das Nações Unidas - ONU, a decisão de gerir a questão territorial da Palestina a partir de 1947. Neste ano, a Assembleia Geral das Nações Unidas formaliza a divisão dos territórios palestinos e a criação de um Estado judeu. A decisão da ONU faz parte da histórica Resolução 181, que por um lado satisfaz aos judeus, mas por outro gera a ira dos povos árabes.

COMEMORAÇÃO JUDAICA APÓS A RESOLUÇÃO 181




Disponível em: <https://abrilveja.files.wordpress.com/2017/11/partilha-da-palestina-19471129-015.jpg?quality=70&strip=info&w=916> acesso em 30 mai. 2018

Os povos árabes vizinhos negam a resolução da ONU e declaram guerra ao recém criado Estado de Israel, dando início ao primeiro conflito entre os dois povos após a II Guerra, o qual fica conhecido como a “Guerra da Independência”. Ao término de quase dois anos de guerra, Israel sai vitorioso e consegue ocupar um território maior do que aquele que lhe fora concedido pela Resolução 181. Inicia-se deste modo o processo de expansionismo judaico, que até hoje gera conflitos na região.

Mesmo com as contestadas ações militares expansionistas, Israel foi admitido como Estado membro da Organização das Nações Unidas em 1949, o que de certo modo acabou por legitimar as ações do Estado judeu, aumentando ainda mais as tensões na região e o temor dos países árabes a respeito do cumprimento dos limites territoriais propostos em 1947 pela própria ONU. Soma-se a isso as ameaças de retaliação dos países que perderam territórios durante a Guerra da Independência.

Como era de se esperar, após encerrada essa guerra, novas tensões são criadas na região, e essas tensões passarão a estabelecer condições para o surgimento de outros conflitos entre os árabes e os israelenses, o que se materializa na metade da década de 1950, quando os países vizinhos passam a buscar meios para a extinção do Estado de Israel, e para a reafirmação de sua soberania na região a partir do contexto do pós Segunda Guerra Mundial, quando se estabelecia de modo geral um novo ordenamento entre todas as nações do mundo, no período da Guerra Fria. Em meados desta década eclode no Oriente Médio a chamada Guerra do Suez.

A partir de 1956 este novo conflito coloca em lados opostos os interesses de árabes e judeus, desta vez relacionados com questões estratégicas e econômicas, e não apenas territoriais. A Guerra do Suez colocará o Oriente Médio definitivamente no contexto das disputas ideológicas da Guerra Fria, uma vez que se materializam na região os interesses geopolíticos dos Estados Unidos e da União Soviética durante a bipolaridade.

O canal em questão estabelece uma rota vital para o comércio mundial, ligando o Porto de Port-Said, no mar Mediterrâneo, ao Porto de Suez, no mar Vermelho (ambos localizados no Egito). A vantagem trazida pelo canal é o estabelecimento de uma ligação entre a Ásia e a Europa, sem a necessidade de se contornar o continente africano.

Mesmo gozando de certa “liberdade” após a I Guerra Mundial o Egito continua subjugado aos interesses da Inglaterra, conforme ocorria desde o imperialismo do século XIX, e portanto, os ingleses controlavam, administravam e lucravam com essa importante rota comercial, ao passo que os egípcios (“donos” do canal” mão tinham ganhos pelo seu uso. Essa insatisfação por conta da exploração externa, somada à conivência do governo monárquico do Egito para com o jugo dos ingleses, levou a um levante militar liderado por Gamal Abdel Nasser, que em 1952 derrubou o regime do rei Faruk, tendo o líder militar assumido o poder.

No poder, Abdel Nasser inicia uma profunda reforma no país, baseada na estatização do Canal de Suez e de empresas estrangeiras no país, o que afeta os interesses das grandes potências europeias, assim como dos Estados Unidos, uma vez que o petróleo do Oriente Médio havia se tornado estratégico para a potência americana, e a rota pelo canal seria muito interessante. As medidas de Abdel Nasser recebem amplo apoio da URSS, o que preocupa as potências ocidentais, pois esse apoio representa a chegada definitiva do socialismo nesta porção da Ásia.

Mais do que impedir a exploração econômica do Canal de Suez pelo ocidente, a ação do Egito cria um preocupante isolamento para o recém criado Estado de Israel. Ao verem fechada a sua possibilidade de lucros com o canal, Inglaterra e França lançam uma ofensiva ao país árabe, enquanto Israel, temendo o isolamento faz o mesmo. Com estas ofensivas militares, o Egito é derrotado, a Península do Sinai é conquistada pelos israelenses e o Porto de Eliat (fechado pelos egípcios) é reaberto, reduzindo o isolamento do Estado judeu.

Porém, a aproximação entre Egito e URSS torna-se uma preocupação às potências ocidentais, uma vez que os soviéticos passam a ameaçar a Inglaterra e a França, e no contexto da Guerra Fria qualquer ameaça representava um risco de um conflito nuclear. Assim, os Estados Unidos (aliados de franceses e ingleses) começam, através da Organização das Nações Unidas, a pressionar a retirada de Israel, Inglaterra e França dos territórios egípcios, o que acontece em seguida, levando o Egito a reabrir o fluxo de navios através do Canal de Suez como contrapartida.

Passadas as tensões iniciais desencadeadas pelo controle da rota comercial do Suez, a situação aparentemente tranquila que se desdobrava começa novamente a ruir e a situação tende novamente para uma nova disputa territorial entre estas nações, uma vez que o encerramento da guerra de 1956 foi “encerrada” muito mais por pressão externa do que por concordância entre as partes envolvidas, e sabe-se que quando uma guerra se “encerra” externamente, uma nova guerra surgirá a partir de tensões apaziguadas a força nessas partes.

Assim, ocorre em 1967 a chamada Guerra dos Seis Dias, a qual pode ser vista e entendida como um desdobramento da Guerra do Suez, ou antes, como um desdobramento de como o conflito de 1956 foi “resolvido”. Portanto, pode-se dizer que a Guerra do Suez acabou mas não terminou de fato. Preocupados com a capacidade militar demonstrada por Israel e pelas intenções expansionistas apresentadas pelo Estado judeu, as nações árabes passam a buscar meios de afirmarem sua soberania e garantir a integridade de seus territórios; e mais do que isso, passam a buscar uma associação para aniquilarem o Estado de Israel no Oriente Médio.

Há nesse contexto o crescimento dos ideais do pan-arabismo, que defende a união dos povos árabes contra o inimigo sionista. Esse ideário é defendido com afinco pelo presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, que começa a buscar apoio nos governos de Síria, Jordânia e Iraque. Juntamente à aniquilação do Estado de Israel, o pan-arabismo defende o não alinhamento político dos países árabes com as grandes potências ideológicas durante a Guerra Fria. Porém, a crise econômica que afetava o Egito tornava o país mais contido a respeito de uma nova guerra contra os judeus.

Temendo a guerra que se aproximava, Israel inicia exercícios militares próximos às fronteiras vizinhas, e manobras preventivas em relação às nações árabes, o que cria um ambiente propício a um novo conflito bélico. Deste modo os países começaram a se preparar para uma disputa, que já se mostrava inevitável, de modo que após um ataque realizado pelo grupo palestino Fatah contra Israel, origina-se uma resposta militar judaica contra os territórios da Jordânia, e posteriormente um ataque israelense contra a Síria.

No tabuleiro geopolítico da guerra, o Egito (mesmo quase falido) começa a movimentar seus exércitos na Península do Sinai e fecha o estratégico Estreito de Tiran, vital para a economia israelense. Pronto; estão lançados os dados e o novo conflito é agora apenas uma questão de tempo e de uma das nações agir primeiro...

Com a formação de uma aliança entre seus vizinhos árabes, Israel retoma seus processos expansionistas e anexa a porção oriental da cidade de Jerusalém, que era controlada pelos palestinos desde a divisão dos territórios em 1947. Começada a guerra, Israel rapidamente lança um fulminante ataque aéreo contra as forças militares do Egito, minando as forças do inimigo e conquistando imediatamente a Península do Sinai. Ao mesmo tempo, os israelenses lançam uma ofensiva nos territórios palestinos e domina a Faixa de Gaza.

Incentivadas pelas fáceis vitórias, as forças militares judaicas lançam ataques preventivos contra a Síria, anexando também as regiões da Cisjordânia e das Colinas de Golã (área estratégica onde nasce o rio Jordão). Os resultados da Guerra dos Seis Dias deixam claro para o restante do mundo que o poderio militar de Israel é praticamente insuperável para qualquer nação árabe vizinha, e que o projeto sionista de expansão e conquista dos territórios vizinhos se mostra cada vez mais possível e factual, elevando ainda mais o grau de tensão e incerteza na região. Por outro lado, as ações externas em relação a esses conflitos se resumiram à criação, pela ONU, da Resolução 242, exigindo que Israel devolvesse as terras conquistadas, o que nunca foi totalmente respeitado/obedecido.

Tendo expandido seus territórios ainda mais com esses conflitos de 1967, Israel se mostrava cada vez mais forte na região, e as nações árabes continuam buscando alianças militares entre si, para que se estabeleça uma força capaz de se sobrepor ao poderio bélico do inimigo, que recebe auxílio político e armamentista dos Estados Unidos. Nesse propósito, Síria e Egito retomam a aliança mal sucedida da guerra anterior e passam a planejar uma retaliação contra o Estado de Israel, para a reconquista dos territórios perdidos, o que ocorre em 1973, quando se inicia uma nova guerra entre árabes e judeus.

EXPANSIONISMO ISRAELENSE NA GUERRA DOS SEIS DIAS


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Em 1973, no dia do feriado judaico do Dia do Perdão, eclode a Guerra do Yom Kippur, egípcios e sírios lançam um ataque surpresa contra as forças de Israel, as quais são pegas desprevenidas e fragilizadas, criando uma ideia nos árabes de que a vitória dessa vez seria conquistada nas regiões das Colinas de Golã e no Monte Sinai. Porém, passado esse furor inicial, o Estado judeu começa a tomar o controle da guerra e passa a se sobrepor militarmente sobre os inimigos. Inicialmente a Síria recua do front de batalha e posteriormente as forças egípcias são encurraladas na região do Sinai.

Porém, no auge das batalhas, as pressões externas começam a fazer diferença nos caminhos tomados pela guerra, uma vez que os Estados Unidos começam a demonstrar cada vez mais apoio às ações militares israelenses, enquanto por outro lado a União Soviética começa a discursar em prol da soberania do Egito sobre a região da Península do Sinai. Estando o mundo no contexto da Guerra Fria, o acirramento entre EUA e URSS poderia conduzir para um conflito nuclear global, o que não era interessante para nenhuma das potências geopolíticas. Assim, em 1973, a ONU estabelece os termos de um acordo de cessar-fogo entre árabes e israelenses, porém a situação permanecia tensa na região.

Como os conflitos o Oriente Médio estavam colocando em risco a segurança do mundo como um todo, uma vez que acabavam por jogar Estados Unidos e União Soviética para um acirramento militar extremamente perigoso, o que suscitou a necessidade de se buscar vias diplomáticas para a minimização das tensões na região, o que começa a se materializar nos Acordos de Camp David, em 1978. Estes acordos capitaneados pelos EUA visavam a amenização das tensões fronteiriças entre Egito e Israel, por meio da assinatura de tratados de paz, da devolução da Península do Sinai ao Egito e do reconhecimento por parte do presidente egípcio Anwar Al Sadat da soberania e independência de Israel. Inicialmente o acordo pareceu um caminho que conduziria enfim a região à paz duradoura, porém o assassinato de Al Sadat em 1981, por extremistas árabes, acabou por minar essa possibilidade.

REUNIÃO DOS LÍDERES DOS EUA, EGITO E ISRAEL EM CAMP DAVID


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No final da década de 1980 os conflitos voltam a ocorrer nessa região. O povo palestino começa a criar uma série de insurreições populares contra as forças armadas de Israel, que ficaram conhecidas como Intifadas. Essas intifadas colocam em combate o povo palestino, armado com paus e pedras, contra o exército judeu armado com poderio bélico e com apoio dos Estados Unidos. A partir de 1987 se estabelece a Primeira Intifada, e obviamente a escalada da violência é retomada na região. No ano 2000, a crescente presença de forças armadas de Israel na região da Esplanada das Mesquitas, reduto palestino, deu origem a uma nova revolta popular que ficou conhecida como a Segunda Intifada. Já em 2008, quando um líder do grupo terrorista palestino Hamas, Khalid Meshal, assumiu o governo da Faixa de Gaza, ele conclamou a população a se mobilizar contra o Estado judeu, no que proclamou ser a Terceira Intifada.

REBELIÃO POPULAR PALESTINA CONTRA O EXÉRCITO ISRAELENSE


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No final do século XX, com a nova escalada da violência na região, o mundo novamente passa a voltar suas atenções para o Oriente Médio, e as grandes potências voltam a arquitetar acordos que pudessem levar a paz para a região. Nesse contexto, os Estados Unidos intermediam a aproximação entre judeus e árabes, em busca do estabelecimento de um cessar-fogo definitivo entre as nações e estabelecer a paz duradoura naqueles territórios.

Assim, em 1993, se reúnem na Noruega a liderança dos povos árabes, representados pela Organização para a Libertação da Palestina – OLP, criada em 1974 e presidida nessa época por Yasser Arafat e a liderança dos judeus, o então primeiro ministro de Israel Yitzhak Rabin. A mediação foi realizada pelo então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. Esses encontros ficaram conhecidos como Acordos de Oslo. Dentre as principais propostas desses acordos destacam-se a retirada dos exércitos de Israel da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, além do reconhecimento do direito dos palestinos de governar as áreas sob controle da Autoridade Palestina. A nível internacional, esse avanço foi visto como uma possibilidade real de paz entre os povos, tanto que os envolvidos (Yasser Arafat, Yitzhak Rabin e Shimon Peres) foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz no ano de 1993.

LIDERANÇAS ÁRABES E PALESTINAS NO PRÊMIO NOBEL DA PAZ EM 1994


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As propostas realizadas em 1993 foram reafirmadas em 1995 na cidade de Taba no Egito, quando foi realizada uma nova conferência de paz que ficou conhecida como Oslo 2, porém as mudanças nas lideranças entre os povos árabes, judeus e americanos deram outros rumos para as conversações e para as tentativas de se estabelecer a paz nessa região, e as tensões foram retomadas no início do século XXI, criando novamente um ambiente propício às disputas fronteiriças entre Israel e as nações vizinhas, tornando cada vez mais distante a possibilidade de conquista de uma coexistência pacífica no Oriente Médio.

Atualmente os conflitos foram retomados com toda a força após a reconhecimento, por parte do presidente dos Estados Unidos – Donald Trump, de Jerusalém como a capital de Israel. Na conferência de 1947, a ONU definiu que esta cidade fosse internacionalizada, sendo gerida e administrada pelos dois povos, cabendo a Israel a sua porção ocidental, e aos palestinos a porção oriental.

ASSINATURA DO RECONHECIMENTO DE JERUSALÉM COMO CAPITAL DE ISRAEL PELOS ESTADOS UNIDOS


Disponível em: <https://movimentorevista.com.br/wp-content/uploads/2018/02/trumpj.jpg> acesso em 01 jun. 2018

Porém, a decisão do governo estadunidense de transferir a sua embaixada da cidade de Tel Aviv para Jerusalém trouxe uma reação imediata da população palestina e da comunidade árabe. Mesmo nações ocidentais, como a França, se posicionaram veementemente contra a decisão do presidente americano, e a preocupação mundial se mostra explicável, pois hoje há uma grande rebelião popular na cidade de Jerusalém e uma retaliação violenta das forças armadas israelenses, condenada por várias entidades internacionais.